71#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar
Capítulo 71 - Complicações entrelaçadas
Passando pelo corredor, olhos rosa e outros celeste voltaram-se para a porta de um escritório a fechar-se. Os seus passos cessaram ao notarem o olhar de Nozel Silva sobre si, antes do homem desaparecer de vista ao entrar na sala.
- Aquela era a Naomi, não era? - Noelle perguntou, querendo uma confirmação.
- Se a noite de ontem não nos tornou duas doidas, então sim, aquela que o Nozel empurrava para dentro do escritório era a Naomi. - do seu lado, Azuli mantinha o seu olhar na porta fechada.
O silêncio manteve-se por mais tempo quando ambas escutaram passos a aproximarem-se.
- Hadrian. - a encapuzada sussurrou.
Observando como o homem a escutou àquela distância, ela e Noelle viram Hadrian sorrir-lhes, antes que o mesmo batesse à porta e lhe fosse permitido entrar.
- O Hadrian é o guarda-costas da Naomi, ele deve ter ido por sua causa. - a platinada supunha.
- O que eles estão todos a fazer lá dentro? Até mesmo o capitão Yami entrou.
- A lua cheia está a chegar, jovens magas.
Pulando de susto, elas viraram-se rapidamente em direção à nova voz na conversa.
- Não se deve ficar parado num local como este, venham.
Seguindo a mulher com o olhar, elas observaram as suas vestes, os seus acessórios, relembravam-se da voz da mulher... Escutando o som dos passos da mesma a afastarem-se, elas apressaram-se e decidiram segui-la. Passando pelos longos corredores, mais elas acreditavam serem intermináveis. Felizmente, elas terminaram em frente a um portão prateado.
Um jardim? - passou pela mente das magas, olhando a senhora girar a chave prateada e abrir o portão.
Mais uma vez, elas a seguiram sem um piu. Dúvidas as assolavam, mas as suas mentes recusavam-se a absorver mais informações após o dia de ontem.
Hum, eu já a vi antes? Será? Se ela tem livre acesso dentro do palácio dos Kira, alguém importante ela deve ser, mas... Não consigo lembrar-me dela em nenhum dos eventos sociais a que fui. - deixando de lado a preguiça, Noelle não conseguiu deter o seu cérebro de trabalhar.
- A senhora é da família Kira? - e, mais uma vez, Azuli foi quem verbalizou os pensamentos alheios, neste caso, os pensamentos de Noelle. - Mas já foi da casa Silva, não foi?
- Bem...
Antes de mais uma palavra, a nobre senhora trancou o portão e, ao fazê-lo, as duas magas puderam sentir uma cúpula (rente à estrutura do jardim isolado) percorrer todos os obstáculos até se encontrarem e juntarem.
Voltando-se para as meninas, a senhora manteve-se calma, o seu semblante não parecendo ameaçador.
- Eu esperava essa astúcia de outro membro da casa Silva, não de... - o seu olhar afiou-se para a menina de madeixas rosas.
- Sou a Azuli.
- E a senhora é... - Noelle envolveu-se.
- Flora Kira, e para ser mais clara, eu já fui sim Flora, da casa Silva. Creio que conseguem imaginar como vim parar a outra casa. - afastando-se do portão, Flora caminhou entre os passeios de pedra delineados, chegando até a um centro onde o sol tocava.
- Humm... - Azuli e Noelle trocaram um olhar.
- Senhora Flora, não queremos ser mal educadas, mas podemos perguntar porque nos trouxe aqui? - quem perguntou foi a platinada, o seu olhar em dúvida se ia sentar-se junto da mulher ou não. Enquanto essa indecisão se mantinha, Noelle mantinha uma mão apertada na de Azuli.
A respiração suave foi tudo o que as meninas escutaram enquanto Flora parecia indecisa sobre as suas próximas palavras.
- Eu creio que não vos queria ver metidas em problemas. - a sua voz pareceu mediar as suas palavras. O seu olhar incerto dando-lhe um aspeto jovem, iluminando uma nova perspetiva dela às duas magas.
Mais uma vez, Flora ofereceu um lugar às meninas na sua frente, enquanto escutava os passos delas a aproximarem-se, ela soltou: " A capital está um caos. Talvez vocês não tenham percebido isso, mas atrás das cortinas, alguns da mais alta nobreza, após a evocação do Palácio demoníaco, procuram um alvo para acusar, alguém em quem poderão descontar o tédio que enfeita as suas vidas."
- A Flora é uma dessas nobres? - uma surpresa para ambos os lados, Noelle encarou Flora com o desejo voraz de obter aquela única resposta.
Azuli e Noelle, independentemente da resposta, sentaram-se na sua frente.
- Não, eu diria que não procuro um culpado ou qualquer alvo. E, antes que perguntem... - o olhar azul noite de Flora abateu-se sobre o olhar celeste de Azuli, que parecia pronta para falar. - Peço que não se preocupem. Vamos apenas... ter uma conversa tranquila, até que a reunião deles termine, por favor.
O pedido da mulher remoeu a mente das meninas, o choque e uma certa vergonha tornando os seus rostos vermelhos.
- Eu também tenho uma dúvida... - Flora chamou para si a atenção das duas. - Se não se importarem, gostava que me respondessem... Qual é a vossa relação com o guarda-costas da princesa Naomi? Hum... aquele... Hadrian Shadow?
- Hadrian? - Azuli foi quem verbalizou a dúvida que passou pela sua mente primeiro.
- O guarda-costas da Naomi...
- O Hadrian parece... simpático. - Azuli falou, pensativa. Mas, do seu lado, Noelle tinha outras ideias.
- Ele é um homem estranho e está sempre envolta da Azuli, até parece que a Naomi se torna invisível na hora, ugh!! Não gosto que o Benjamin fique a rodear a Azuli também, mas mesmo eu o posso aturar melhor, porque aquele nobre idiota do Hadrian só é uma cara cheia de sorrisos e falsas preocupações! Nem quando ele vinha visitar a Azuli ele parecia sincero, é que nem uma vez!! Ele vinha, observava-a de cima a baixo e trazia presentes fofos, mas sabe o quê??! Onde estava a Naomi nessa hora?? Pois é! Ele dava uma desculpa esfarrapada como "ela está segura na base dos Águias de Prata", ou então "ela está em missão" ou "ela está ocupada com assuntos pessoais", o que não faz sentido, a menos que as tarefas de um guarda-costas real se tenham alterado enquanto eu estive longe da realeza!
Terminando de dar a sua opinião, Noelle parou de gesticular e pousou as mãos sobre o colo, a sua respiração lutando para voltar ao normal. Esticando a mão em direção à xicara de chá lhe oferecida, a platinada engoliu tudo de uma vez. Olhando a xícara vazia, Flora voltou a enchê-la.
- Eu não o vejo assim. - do seu lado, Azuli observava a sua irmã bufar, voltando a beber o seu chá, desta vez mais calmamente.
- Não? - Flora incentivou.
- O Hadrian é um homem estranho, nesse aspeto concordo com a Noelle, mas quem não o é neste mundo? Quanto a vir visitar-me, eu tenho quase a certeza que ele está a competir com o Benjamin, por alguma razão os rapazes amam provocar-se uns aos outros dessa forma.
- Ele aproxima-se de ti, Azuli, pelo o que eu entendi. Achas que ele se apaixonou? - o leve sorriso de Flora era... isso, ele mal se via. O seu rosto estava com o olhar baixo, enquanto a dama floral observava os reflexos no seu chá esverdeado.
- Apaixonar-se...? - a menina ponderava a possibilidade. - Eu... não entendo bem, o que é paixão.
O silêncio se formou, dando chance das palavras de Azuli serem ouvidas.
- Se eu tivesse que chutar, eu diria que as emoções do Hadrian são tão confusas quanto as da Naomi eram há pouquíssimas horas atrás, não as consigo ler direito. Um sentimento parece chocar com o outro, mas nenhum deles eu consigo identificar. Eu diria que... ele é estranho. Mas acho que já disse isso antes, não foi?
Observando a expressão desconcertada e inquieta de Azuli, assim como a de Noelle, Flora reviu as palavras das meninas. Mesmo os sussurros delas agora não lhe passavam despercebidos, ela os escutava atentamente, o seu foco igual a quem observava gotas caírem, uma por uma, numa cachoeira.
- E ainda assim o KI do Hadrian não é tão confuso quanto o seu, Flora.
Ao erguer a cabeça, Flora deparou-se com a realeza Silva a observá-la.
- Essas perguntas com uma segunda intenção, esses gestos calmos e tranquilizantes para com as "convidadas", o tema leve... Eu já conheço essa conversa como a palma da minha mão. - a Silva fez Flora endireitar-se. - Se souber que não nos vai matar, então conte-nos o seu verdadeiro interesse em nós, por favor.
- Anseio, calma... Esse chá faz maravilhas para nos acalmar. - de uma só vez, Azuli engoliu o líquido na xícara, o estupor de Flora passando através do seu olhar.
- Acontece que a Azuli tem uma sensibilidade muito forte no que diz respeito a detetar as ameaças ao seu redor.
- Mas a Flora não é uma dessas ameaças. Ou é? - Azuli encarou a mulher em antecipação, a curiosidade saltando-lhe pelo olhar.
A conversa seguiu o seu rumo, assim como a que os capitães tinham dentro da sala de reuniões do Rei Mago. Do escritório, os sons não passavam para o lado de fora, mas quem estava lá dentro não tinha nenhuma obstrução à audição ou visão e, portanto, eles viam como Hadrian era erguido e sufocado pela magia de mercúrio de Nozel Silva.
- Repete mais uma vez. - o tranquilo tom desafiador de Nozel reinou na sala, nenhuma outra voz se pronunciou.
Os grunhidos pareciam esganiçar com o aperto que o pescoço sentia.
- Sem respirar, ele não poderá responder a muito, Nozel. - atrás de si, Fuegoleon falou, o mesmo não tirando os olhos sobre o alvo.
Por sua vez, Nozel podia respirar, e ele o fez profundamente, algo que Hadrian não podia se dar ao luxo no momento. O Silva acalmou-se e amenizou o aperto envolta do pescoço de Hadrian.
- Dia... mannn...tee...
- Parece-me que ele está a tentar dizer alguma coisa, Calças Finas. - largando o seu cigarro, Yami colocou-se perto de Nozel.
- Por favor, Nozel, solta o pescoço do rapaz. - aparecendo na sua frente, Dorothy pediu ao homem, que voltou a respirar fundo.
Esforçando-se, Nozel forçou-se a soltar o homem. Com um baque, o homem permaneceu no chão, o ar entrando-lhe pela boca e os seus lábios ressecados.
Impedido de se mexer pelos aviso que os olhares dos seus colegas capitães lhe davam, Nozel observava Hadrian recuperar a sua cor natural.
- Não me faças repetir. - o Silva voltou a dirigir-se ao homem.
- O reino Diamante... - Hadrian puxava o ar para si. - Ele está por trás do esquema, tudo o que eu sei... tudo no que eu estou envolvido foi por ele, mas...
- Mas o quê? - Fuegoleon puxou pela informação, agachando-se à altura caída do homem, que suava frio.
- Eu juro, eu não era eu mesmo. A Naomi não era ela mesma, nenhum de nós fomos nós.
- Esse daí já não diz coisa com coisa, vamos fatiá-lo. - as suas costas inclinadas, fazendo uma corcunda, Jack observava a figura fraca de Hadrian.
- Onde está o Marx? E Julius? Eles são cruciais nesta hora. - séria como ela sempre se apresentou, Charlotte perguntou.
- Por muitos criminosos se terem aproveitado do caos no reino e atentado contra a vida de muitos membros da realeza e nobreza, o apoio de Julius e Marx foi solicitado. Por essa razão não estão aqui neste momento. - William Vangeance falou. Dando um passo em frente, ele abriu o seu grimório. - Apesar de o Marx ser uma grande ajuda neste momento, acredito que devamos dar uma chance ao senhor Hadrian de falar. O transtorno é imenso, mas a sua vida ainda nos é valiosa.
Sem objeção dos demais capitães, William fez uma pequena árvore crescer em volta de Hadrian. As raízes envolveram os membros do homem, não como restrição, mas para ser a sua cura. O resplendoroso brilho verde da sua magia preencheu o olhar atordoado de Hadrian e a consciência voltava a ele. A sua respiração estabilizou-se e, mesmo que com as pernas bambas, o nobre apoiou-se na pequena árvore para se manter de pé.
As orbes roxas enegrecidas de Hadrian deram de caras de imediato com Naomi, ou melhor...
- Eu realmente não me lembro de ti. - ele disse entre respirações, a sua voz parecendo um suspiro. - Não como Naomi, tu não tinhas nome na época, tinhas?
Na sua frente, Naomi sinalizou negativamente. Os capitães observando a interação dos dois.
- Sinto muito o transtorno, senhor, eu devia ter dito aos capitães... Que eu fui apenas um dos experimentos do reino Diamante... e tu, assim como a tua família, foram feitos, cruelmente, de suas vítimas também. - com um semblante triste, a antiga denominada Naomi falou.
Dispostos a escutar a história dos dois calmamente, todos se sentaram nas suas cadeiras. Lugares oferecidos aos dois interrogados também.
- Tu não és a minha irmã verdadeira.
- Não, eu não sou a sua irmã, senhor Nozel. Não sei quem sou, mas sei que não pertenço a este reino.
- O que o reino Diamante pretende? O que eles queriam com uma infiltrada na família real Silva?
- Eu não posso lembrar-me. É como... Parece apenas que não fui eu quem viveu os últimos tempos, as lembranças não estão na minha mente. - para os ouvidos atentos, a sua voz tremia.
- Eu posso falar. - do seu lado, Hadrian tirou a menina sob a pressão da interrogação. O olhar dos capitães voltando-se para ele. - O Diamante usou uma tecnologia que fazia um pseudônimo surgir à parte dentro de nós, como se uma sombra nossa fosse quem comandasse o nosso corpo, as nossas ações.
- Oh, oh, e como sabes disso? - Rill questionou, a sua boca aberta em um "o".
- Eu fui levado para o reino Diamante, e lá eu fui aprisionado. Mas, com a ajuda inesperada, mas ansiada, da minha família, nós conseguimos vagar e vasculhar algumas salas do local. Em diversas salas, nós pudemos ler os registos deles, dentre deles falava sobre o protótipo finalizado que usaram em nós. Já dizia um sábio "informação é poder". O como eu fui capaz de contornar a regra deles...
- Que regra? - Yami interrompeu-o.
- A que a nossa sombra se tornaria o nosso verdadeiro "eu" e essa pessoa estaria sob as ordens das cabeças dos orquestradores do plano. - ele falava o óbvio. Os momentos anteriores de sufocamento parece ter-lhe sido apagado da sua mente, pois ele sorriu docemente para Nozel. - Uma noite, mesmo ainda a minha sombra estando no comando, eu começava a ser capaz de voltar a mim mesmo. Nisso, eu levei a Naomi para o reino Diamante no intuito de tentar libertá-la do controle deles. Infelizmente, foi sem sucesso.
- Não f-foi para nada. - Naomi voltou a falar, o seu olhar não voltado para qualquer um. - E-Eu pude voltar a sentir... foi por isso que me comecei a sentir triste... foi desde esse momento que eu voltei a ter consciência... Soube aí que eu não tinha sido morta por eles. - ela sussurrou. Debaixo da mesa, as suas mãos amassavam a sua roupa dos Silva.
O sorriso de Hadrian esticou-se pelo seu rosto e, mesmo que a menina não o visse, ele falou: "Eu fico feliz por isso."
- Como é que voltaste para o Reino Diamante? Passaste pelas fronteiras? - William intrometeu-se.
- No meu grupo de vigia ao nosso bem mais preciso, a falsa princesa Naomi, havia um mago com magia espacial.
Uma longa e longa conversa se seguiria, perguntas e respostas não pareciam nunca chegar ao fim, nunca pareciam ser o bastante. Mas uma pergunta, Nozel permitiu-se mantê-la entalada na sua garganta. A resposta a ela não era desejo dele ser exposta ali. Mas aquele olhar... e aquele sorriso atrevido de Hadrian... Aquele homem o enervava! Um pensamento percorria pela sua mente, e era ele que fazia também Nozel querer atacar o Shadow mais uma vez. Poderia o Hadrian estar a troçar de Nozel? Ele sabia o que se passava na mente do Silva? Se sim... então Hadrian poderia ter uma ideia do porquê aquela hostilidade toda apenas no olhar de Nozel.
No jardim, com as meninas...
- Aquele homem, eu concordo com vocês que ele é suspeito, mas eu não sou alguém tão perto dele. - Flora confessou, dando um gole no seu chá. As meninas observavam-na.
- A Flora conhece-o?
- Ou é apenas de vista? - Noelle concluiu, fazendo Flora rir.
- Eu conheço-o, na verdade, há já algum tempo. Posso dizer que somos próximos.
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Ninguém daquela sala havia dormido até ao momento, mas nenhum deles apresentava sinais de sonolência. Hadrian elogiava-os dentro da sua mente, pois ele próprio só queria dormir. Mas antes, membros da sua família precisavam ser libertos do controlo do reino inimigo e isso o fez lembrar...
- O sequestro!! O golpe!! - do nada, o sorriso de Hadrian reverteu-se para choque e logo após apreensão.
- Hã? Fala direito, riquinho possuído. - Yami mandou, colocando as cinzas do cigarro no cinzeiro.
- No dia da mais recente invasão do reino Diamante, Clover capturou o general do esquadrão de captura. Estou certo? - ele não tendo de resposta. - Ele está livre, ele não está preso, é uma farsa aquele que está na prisão no lugar dele. Aquele homem deve aproveitar este momento de fragilidade e ir atrás dela.
O olhar de Yami endureceu, o seu cigarro foi colocado de volta para o lado dos outros.
- Dela? - o seu tom falava por si próprio...
Uma pessoa veio à mente de Yami.
"Capitão Yami, aquele homem disse que veio levar-me até ao seu rei."
"O que eles quereriam de mim?"
"O seu rei vai morrer doente, ele disse. Mas não tem como eu ajudar nisso."
Enquanto os ânimos se exaltavam no escritório com os capitães, no jardim as coisas acalmavam.
- Ai, sim? Então...?? - Azuli não entendia mais nada, as perguntas que Flora lhes fez, por alguns momentos, a fez pensar que a mulher era a típica aristocrata que desconfiava de qualquer um que se aproximasse da família real, seja essa pessoa nobre ou até quase da realeza, como Hadrian era.
- A senhora só queria a nossa opinião sobre o seu amigo? - Noelle completou o pensamento vazio da irmã, incrédula.
- Algo assim, sinto muito, eu sou um pouco super protetora com os amigos que me rodeiam. - ela fechou os olhos enquanto estendia um sorriso pelos lábios, o seu rosto inclinado levemente em direção à xícara em que acabou de apreciar a sua bebida. - Vocês as duas participaram da batalha contra o demónio, não é verdade? Eu vi-as por breves momentos perto do palácio demoníaco, devem estar a morrer de cansaço.
Flora levantou-se da cadeira de metal, que tinha detalhes florais nas costas.
- Eheh, nós meio que adormecemos no finalzinho.
- Nós caímos duras para o lado, se quer a verdade. - Noelle corrigiu, os seus olhos começando a pesar, a sua mão servindo de apoio para a cabeça manter-se erguida.
Aquele jardim devia ser o lugar mais tranquilo daquele palácio, pois no exterior um touro negro gigante se dirigia ao castelo Kira, fazendo o chão tremer, e, ainda assim, elas não se deram conta.
Saindo do Touro, Finral saltou do olho dele e começou a voar na sua vassoura. A ansiedade que ele sentia o fez antecipar-se.
- Yamiiiiiii!!!!! - ele gritou enquanto procurava o homem pelo palácio. Choramingando, ele amaldiçoou o facto dos castelos reais não permitirem que outros magos espaciais, que não da guarda da barreira protetora da realeza, exercessem o seu poder dentro dos limites deles. - Espera aí! - Finral lembrou-se.
Se o Langris pôde usar a sua magia aqui, como eu não poderia? - o mago questionou-se.
Experimentando a sua magia, ele obteve sucesso. E, mais uma vez, sem tempo para respirar fundo, Finral fez o seu dom aflorar e então ele gritou a plenos pulmões ao passar pelo portal: "Yamiiiiii!"
Abrindo a porta do escritório do Rei Mago abrutamente, Finral desiludiu-se ao não encontrar ninguém.
- Yamiiii... - infeliz, ele queixou-se. - Onde estás quando precisamos de ti?? Eles estão a caçar-nos! Yamiiiiiii!!!!!! - mais uma vez, Finral abriu um portal para onde pensava estar a sentir a mana contida do seu capitão.
- Que guincharia é essa? Finral. - correndo, Yami questionava o rapaz que apareceu pelo seu portal.
- Yami! - Finral comemorou, prontamente começando a correr lado a lado do capitão. - Temos um problema! Um grave problema!! - as suas mãos foram para a cabeça, em loucura.
- Desembucha, estamos um pouco ocupados aqui.
Olhando ao redor, Finral reparou nos outros capitães. E, especialmente, em duas pessoas: no seu amigo Hadrian, e a bela dama Naomi.
- Porque é que estão todos a correr? - ele arqueou a sobrancelha. - Calma, não! Primeiro a notícia urgente. Um tipo estranho com magia da balança da "justiça" acusou o Asta de ser um demónio, os Touros Negros salvaram-no a ele e à Nero, que também foi acusada de estar compactuada com magia demoníaca, e agora estamos a ser caçados pela realeza e nobreza do reino inteiro!!! Vamos morrerrrrrrr~~!
- Tsc, só me trazem problemas, seus problemáticos. - Yami bufou, sem olhar para a expressão escandalosa de Finral. - Para além disso, temos o reino Diamante a ir atrás da nossa Azuli. - ele acrescentou.
- É o quê?!!! - os olhos de Finral reviraram, o seu coração palpitava mais vezes por minuto do que ele supunha ser saudável. A sua atenção estava tão espalhada que ele atrapalhou-se quando todos pararam de correr e se voltaram para um portão de jardim.
- Não sinto o KI delas aí. - Yami falou.
- Mas há resquícios das suas manas. - William comentou, sentindo o seu arredor.
- E um terceiro estava com elas. - Charlotte comentou, o seu olhar sobre as plantas do local. - Poções? Talvez...
- O que estás para aí a cochichar, Rainha dos Espinhos? - Yami não parecia disposto para as suas brincadeiras habituais.
- Este jardim deve pertencer a um mago que faz uso delas para criar poções, eu creio. - Charlotte foi em busca de confirmação nos dois membros da realeza do grupo.
- Este jardim, em particular, pertence a um membro da família Kira. A sua magia, não tenho a certeza qual seja.
- Não é necessário ser um mago de plantas. - a capitã informou.
- Flora, um ex-membro da casa Silva. Vamos procurá-la, ela deve ter sido a última a manter contacto com a Noelle e a Azuli. - Nozel foi o primeiro a seguir rumo em direção à mulher. Apesar de não saber onde ela se encontrava naquele enorme palácio, ele deveria ser capaz de a sentir, certo?
Respirando fundo, os demais seguiram atrás. Até que Finral fez uma sugestão.
- Seria possível pedir ajuda aos guardas deste castelo? Ou a alguém daqui? Elas devem ter sido vistas por alguém, e agora estas restrições sensoras de mana não ajudam a encontrar ninguém.
Sem saberem estar a serem procuradas, Noelle e Azuli acompanhavam Flora pela sombra da capital, dentro de uma carruagem alada.
- Ainda que os elfos não tenham atacado em grande escala, houve alguns danos às infraestruturas. - Noelle comentou, observando o povo a consertar a cidade.
- Vendo isso, o sono está a passar. O que achas, Noelle?
- Eu acho que tenho fôlego para apoiar a reconstrução um pouquinho. - Noelle respondeu à pergunta não dita de Azuli.
Voltando-se para Flora, elas a viram próxima de si, a senhora tocava-lhes nos ombros, perto dos pescoços.
- O vosso corpo ainda está muito tenso, meninas, far-vos-ia bem descansar por um tempo. Não me disseram que sentiam o vosso corpo pesado? Um chá relaxante pode ajudar a deixar a tensão ir, mas não é nenhum milagre.
- Nesse caso, devíamos oferecer um bom e energizante chá para todos aqueles ali embaixo. - Azuli bocejou, pondo a mão na frente da boca. - Que me tenham dito, eles não pararam de trabalhar desde o momento que a batalha terminou.
- Eles ficarão bem. - as palavras de Flora pareciam uma promessa. - Como está o vosso controlo sobre a mana, meninas? Noelle, lembro-me de ter escutado que a menina não a controlava o bastante.
Enquanto falava, Flora mantinha a sua voz baixa, pois a sua atenção estava voltada para as pálpebras das meninas, que pesavam e as levavam para um sono descansado. No silêncio que se fez, ela aproveitou para fechar as cortinas da carruagem, impedindo o sol de entrar e dos olhares curiosos de espreitar.
- A realeza devia prezar-se mais, jovens magas. - a mulher sussurrou, encostando a cabeça ao banco e, num momento de paz, ela permitiu-se respirar fundo.
Antes de fechar os olhos, Flora vislumbrou o brilho reluzente que espreitava do interior da capa degradê de Azuli. Um broche era visível, mas o poder não vinha daí. A mulher notou, no entanto, a familiaridade que aquele cintilar lhe trazia.
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Este capítulo é o último deste arco da história.
Por agora, é o fim. Até mais! Não consigo ler ou receber comentários neste site, mas se estiver alguém aí desse lado, gostaria de informar que o Arco 2 desta história está a ser escrito no Wattpad, no meu perfil chamado Pt5454.👀

