68#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

23-10-2025

Capítulo 68 - Maquinações por trás

Com o caminho livre, tendo espetado Patry em barras de metal e enterrado Yuno e Asta sob os escombros do palácio, o demónio flutuava até Mimosa, ou seja, ele aproximava-se de Azuli nos seus braços, cuja expressão remetia a pesadelos a atormentá-la. E, de facto, pesadelos passavam pela sua mente, destruindo todos os pensamentos felizes e se desfazendo dos amigos que tinha no mundo.

Aquele elfo tolo não sucumbe tão rapidamente quanto eu imaginei. Pode ser que ela tenha algo a ver com a relutância dele? - parando frente a Mimosa, fazendo-lhe sombra, o demónio observou Azuli. A maga da água estava a ser curada por uma Mimosa trêmula, que mantinha o seu feitiço sob controlo na mira do olhar do demónio.

O demónio foi um expectador da Terra no outro mundo. Por isso, ele viu e tem conhecimento de todos os acontecimentos que envolveram a trajetória de Patry, enquanto líder do Olho do Sol da Meia Noite. Ele viu a vida de William Vangeance, viu quem os rodeava, viu as interações, ouviu as palavras e frustrações da vida de William e Patry e, entre toda a vida deles, não só aquele Rei Mago, Julius Novachrono, fora uma peça fundamental na trajetória de vida de ambos, como, por breves momentos, uma faísca se acendera no interior do corpo que resguardava as almas, uma faísca acendida pela maga da água.

Ele vai atacar?! - Mimosa mantinha o olhar no corpo que mantinha estável, o seu olhar não espreitando o demónio. No entanto, o poder do ser do outro mundo era impossível não sentir se desestabilizar.

Por breves momentos, a magia dessa humana adentrava na alma do elfo, o efeito da magia negra enfraquecendo com a sua intromissão. - aos poucos, uma barra de metal negra, cujo brilho não refletia, ia-se formando na garra esquerda do demónio. - Antes que eu tenha um grimório e, por consequente, o meu corpo de volta... ela terá de estar morta!

- De alguma forma... esta reles humana foi importante para aqueles dois. - o demónio falou, erguendo, divertido, a barra negra pontiaguda.

E um obstáculo para a minha ressureição. - ele pensou, no seu interior, antes de começar a baixar a barra em direção à menina.

Ele vai...!! - os olhos verdes de Mimosa arregalavam-se, a sensação de um iminente ataque atingindo o ápice. Mas ela não podia quebrar a cura... Ela estava entre a espada e a parede: por um lado, se ela deixasse Azuli por um segundo sequer, a maga estaria condenada à morte, por outro lado, se ela não abandonasse a cura, nenhuma chance de salvação lhes seria possível.

Entre incertezas e certezas, Mimosa teve a incerteza de ter sentido magias familiares na sua frente, onde o demónio estava à segundos.

30 minutos atrás...

Voltando momentos antes do palácio das sombras se erguer, uma escuridão cobriu o olhar dos espectadores.

- Como berram. - Noelle reclamou, voando sobre o castelo silva, ainda na sua armadura valquíria. Desde o momento que salvara os irmãos, a batalha tornara-se mais intensa, mas mais confusa também. Elfos atacavam sem serem provocados, e logo os mesmos chegavam ao seu limite, tendo Asta que fazer retornar os humanos de volta o mais rápido possível.

Nos momentos a seguir, um Touro Negro Enorme terminava de rebater alguns elfos fora do juízo, sendo apanhados por elfos no seu estado mental são.

- Seus idiotas, eles não ouvem nada do que vocês estão a gritar. - por perto de Noelle, Zora falou aos companheiros de esquadrão dentro do Touro Negro. - Tcs, como são insistentes. - retrucou ele, vendo Asta e mais alguns gritarem a plenos pulmões para o covil inimigo, onde eles podiam sentir figuras e manas familiares.

Pousando do lado de Zora, Noelle começou a encarar o covil, que parou acima do castelo Kira.

- Zora, o quão bom é o teu senso de mana? - a platinada questionou, quebrando a sua armadura.

Voltando o seu olhar para a princesa, Zora cedeu: "O bastante para varrer esta capital real mixuruca, princesa." - ele provocou, sendo ignorado por Noelle.

- Concentra-te ali. - ela apontou para o covil. - Na região do centro... Para que sentido a mana flui? - perguntou ela, continuando a apontar para o local, mas olhando para Zora, que voltou o olhar para onde a princesa indicava, bufando.

- Vocês, pirralhos, estão a dar-me bastante trabalho... - bufou ele, mais uma vez, antes de fazer o que lhe foi pedido. Alertando o seu senso de mana, Zora varreu a zona até abranger o castelo Kira, no entanto... ele percebeu+ algo que o fez estender mais longe ainda. Se é que é possível, as suas sobrancelhas arquearam em espanto descrente, os seus olhos azuis abrindo e voltando a olhar para o local.

Nada. - Zora notou, olhando o castelo, antes de fechar e abrir os olhos mais uma vez. - Onde está? - nessa altura, Noelle começou a estranhar o exagero de Zora, que abria e fechava os olhos vezes e vezes atrás uma da outra.

- Para onde foi? - a sua pergunta fez-se audível, sendo a vez de Noelle de franzir o cenho.

- A mana dali não flui... princesa. - por fim, ele admitiu.

Mas como pode não fluir, se o único anão anti-magia está aqui connosco? - os olhos de Zora espiaram Asta, que estava dentro do Touro Negro, indo em direção ao covil distante.

No silêncio momentâneo que compartilharam, eles escutaram um Finral pirar ao longe, sob os escombros do castelo Kira. Estando na ponta do castelo, era possível ver a expressão doentia de Finral, que brandia os braços como Klaus faz quando lista uma lista de afazeres ou de bom comportamento que os outros deveriam seguir.

- Y-Y-Yamiii!!! Que coisa é aquela?! - ele pulou, os seus olhos brancos revirados e os dentes cerrados de preocupação. Na sua frente, Yami voltou-se para trás.

- O KI desapareceu... daquele lado dali. - trazendo um novo cigarro aos lábios, o capitão acendeu-o.

- Desapareceu? - mais uma vez, Finral observou o covil sobre o castelo Kira, mantendo a sua respiração controlada, ele voltou ao seu "eu" comum. - Mas eu estou a falar da mana sinistra que vem dali! - branco como papel, Finral apontou para o covil. - A Azuli estava ali, mas não está mais.

As palavras de Finral atraíram a atenção verdadeira de Yami. Atrás de si, Langris também o encarava, mantendo o silêncio, algo não natural para ele. O mais estranho de tudo, era a sua mão pregada na roupa de Finral e a sua cara inexpressiva.

- Ou está... - Finral corrigiu-se. - Mas está a desaparecer.

- Desaparecer?

Tendo ecoado nos ouvidos de Noelle, a platinada pousou atrás de Finral, o seu olhar estático observando o mago espacial.

- Numa hora destas, deixa as brincadeiras de parte, Finral. - Zora veio atrás de Noelle, parando perto da menina. - Podemos ver a Azuli bem ali, mesmo neste breu, as madeixas berrantes dela são visíveis a longas distâncias.

- Zora, Noelle... - Finral voltou-se para os dois, Langris seguindo o rumo com o irmão, ainda agarrado a ele. - Se eu puder conjurá-lo, talvez eu possa mostrar-vos. - sem pensar em explicar-se, o mago começou a folhear o seu grimório.

A janela que via o destino por trás, um portal que mostrava o outro lado.

O portal de Finral mostrava o destino em ambos os seus lados, tanto para Noelle e Zora, quanto para Yami, Langris e a si mesmo.

- Se eu pudesse só... quebrar a ilusão que nos nubla a verdade. - Finral sussurrava, para si mesmo, as vozes de Noelle e os demais não chegando a si. Porém, atrás de si, alguém fazia um movimento.

Langris, com ou sem grimório, era capaz de conjurar a sua magia espacial destrutiva, e foi ela que o mago lançou para o interior do portal de Finral.

O portal de Finral não se desfez... Isso surpreendeu Langris, que manteve a sua expressão estoica. E a magia de Langris passou pela magia do irmão... Foi uma surpresa a mais.

- Isso é algo, também. - Yami comentou, chegando perto do portal.

- O que aquilo significa? - o seu rosto começando a ser coberto por suor frio, o corpo de Noelle gelou com a visão da sua irmã...

Azuli estava a ser engolida pelas trevas, junto a Mimosa e Yuno com os demais elfos por perto.

A magia de Langris quebrou uma ilusão mágica...? - com uma gota de suor a escorrer na bochecha, Finral observou o irmão com espanto escondido. Escondido, porque ver o seu irmão trazia-lhe outras questões à mente.

O Langris tem agido fora do normal desde que ele voltou a si. Ele não fala, não me solta... e mal reage a mim ou à nossa aproximação. - o mago do espaço pensou, preocupado. - Aquele elfo ainda está no poder... dentro dele? O Langris não despertou por completo, como deveria? - dezenas de perguntas eram criadas na mente de Finral, mas a resposta estava longe de ser obtida.

Agora, todos voltando o olhar para o grimório de Noelle, eles prestavam a atenção no brilho que exalava dele. Um brilho que não era comum dele.

- Azuli. - a certeza na voz e no olhar de Noelle fez com que ninguém questionasse o que ocorria naquele momento.

Mas, voltando novamente o olhar para o castelo Kira, Yami pôde supor o que estava a acontecer.

- Noelle, é contigo. - falou Yami, adivinhando os pensamentos da platinada.

Azuli estava a morrer, e o grimório de Azuli estava a dar um sinal à outra parte que mantinha uma ligação com o grimório da irmã, antes que estes dois partissem.

- Sim! - o feitiço conjurado foi automático, o mesmo que ligava o seu poder e a sua alma a Azuli. Mas, naquele momento, o poder não estava tão abismal quanto Noelle havia sentido todas as vezes anteriores.

Mais uma vez, o olhar de todos voltou-se para a revelação que se fazia sob o castelo Kira.

Um palácio sombrio, um palácio negro que submergia dos raios roxos que o despertaram e trouxeram à Terra.

- Vou salvar a Azuli e os outros! Deixem comigo! - decolando, Noelle passou pelo portal de Finral, direta para o olho da tempestade.

Por momentos, ao aproximar-se o bastante do palácio negro, do seu grimório emergiu o poder que pertencia a Azuli. Em junção com o seu próprio poder, as sombras que formavam o palácio abriam-se para a maga da água, que seguia pelo caminho orientado. Foi apenas quando ela percebeu que...

- O-O que vocês estão a fazer aqui?!! - Noelle gritou, olhando para as pessoas que caíam no abismo junto dela.

- Eu sou um capitão de esquadrão, e o Jack foi também, portanto... - Yami falou, parecendo flutuar pelo abismo, sem preocupações.

- Ele entrou?? - Noelle procurava pelo homem, não o encontrando.

- Noelle, enquanto conversávamos, os capitães, magos e outros magos entraram neste palácio. - Finral disse, o seu cenho franzindo enquanto pensava se prosseguia a fala. - Incluindo os teus irmãos.

- E, antes que surtes, sugiro prestarem todos atenção à queda que vamos sofrer dentre de momentos. - Zora falou, o seu semblante mostrando o quão tedioso se sente ao se enfiar no perigo com aqueles malucos que ele chamava de companheiros de esquadrão.

Foi algo como Zora disse, a queda foi quase imediata. Por outro lado, nenhum deles bateu num chão. E, por outro lado, nenhum deles pousou. A queda foi longa. Mas finalmente chegaram aonde queriam, na frente do seu inimigo.

Com todo o ambiente em volta, Zora decidiu afastar a poeira nas suas roupas, a vida passando-lhe na frente dos seus olhos.

Vamos morrer. - Zora pensou, voltando o seu olhar para o inimigo que surgiu na frente deles.

- Que coisa feia e sinistra é aquela?? - Finral perguntou. Embora ele quisesse fugir, Langris puxava a sua camisola por traz, torcendo-a e mantendo as ideias de fuga longe da mente do irmão. Mesmo estando na frente de uma criatura de características desumanas, a expressão de Langris não mudava.

- Huhum... - voltando-se e verificando os arredores, Yami falou, guardando a sua katana, que defendera a barra de ferro demoníaca. - Temos dois cabeças-ocas a lutar contra um demónio sozinhos, um demónio, uma Alvorecer Dourado quase sendo morta, um elfo empalado, outros caídos, um engomadinho... - ele observou Nozel, que ele supunha ter adentrado na sala ao mesmo tempo que eles, tendo em conta a parede derrubada atrás do Silva carrancudo e com um ataque pronto. - ... e uma Touro Negro à beira da morte. - com as últimas palavras, o capitão dos Touros Negros voltou-se para o demónio.

- Eu, realmente, queria deixar-vos para o final. - o demónio sorriu-lhes, aos recém-chegados, mostrando os seus dentes afiados, fazendo a pele de Finral arrepiar.

- O palácio levou-nos direto onde eu queria. Azuli... - enfrentando o olhar do demónio, Noelle continuou a falar com a maga da água caída. - Agora que estou aqui, consegues levantar-te? - a pergunta de Noelle soou estranha para os demais, mas essa estranheza passou quando Azuli se remexia perto de Mimosa e os seus lábios se movimentaram.

- Tudo... bem. - foi o que Azuli pôde dizer, a força que regressava a ela permitindo-lhe sorrir, enquanto Mimosa, do seu lado, analisava a condição da menina.

O desejo que aquele demónio fez desapareceu ao redor da Azuli? - não se contendo, a dúvida veio à mente de Mimosa. Ela lembrava-se, as palavras do demónio fizeram o oxigênio não chegar à maga da água, mas agora...

O olhar de Mimosa vagou pelas suas amizades mais recentes do ano: "Azuli, Asta e o Yuno... todos eles deram um jeito de contornar a magia do demónio." - o seu olhar vagou pela Noelle. - "E agora... o que vais fazer a respeito, Noelle?"



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