66#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

22-10-2025

Capítulo 66 - A perda de um capitão

Sobrevoando o reino de Clover, estava Yuno. Com Bell por perto, ela ajudava o rapaz a procurar por William Vangeance, a esperança dos jovens para ampliar o feitiço de Azuli sobre toda a capital real ou além. Porém, contra as esperanças de Yuno, o seu capitão não se encontrava em lugar algum. Ao invés do seu capitão, uma figura reluzente apareceu na sua frente, apresentando uma magia que Yuno reconheceu ao bater o olho.

Olho no olho, Yuno encarava o homem que o interceptou a meio do seu voo.

- Não acredito. - derrubando a expectativa de Patry, a postura de Yuno estava relativamente calma com a sua presença. O mago do vento suspirava com a visão do elfo, líder do Olho do Sol da Meia Noite.

Eu devia tê-lo atraído para uma armadilha em vez de o interceptar no céu? - Patry repensou os seus planos ao observar a reação de Yuno. - Mas William é alguém importante para este rapaz, e ele parece saber o meu segredo. - o olhar de Patry concentrou-se em Yuno. A sensação de mana do mago do vento deve ter-se apurado com a reencarnação, e Patry podia ver nos seus olhos a confusão no seu interior.

- És o Yuno, não estou certo? - a conhecida voz do líder do Olho do Sol da Meia Noite tomou um tom calmo.

O elfo dentro dele não despertou? A presença dele permanece a mesma de antes. - Patry notou. Apesar das orelhas pontudas e das marcas vermelhas no rosto do mago do vento, o elfo notava quem comandava o corpo na sua frente - sendo ele Yuno.

- Significa... que o líder do Olho do Sol da Meia Noite sempre esteve... no mesmo corpo que o meu capitão? - o tom direto de Yuno reverberou nos ouvidos de Patry, que observava atentamente o rapaz, cujo olhar se estreitava na presença do elfo.

Apagando a surpresa do seu rosto, Patry tirou um momento para observar Yuno na sua frente.

- Exatamente. - foi a resposta do elfo.

- Trá-lo de volta. - o pedido de Yuno veio como uma rajada de vento um de intenso inverno.

- Não posso. - mantendo o seu semblante calmo, algo que ele e William compartilhavam, Patry admitiu, solenemente. Recebendo novamente um olhar ríspido de Yuno, ele continuou. - Neste momento, o William está a dormir no meu interior. Um sono profundo.

"Sono profundo" - essas palavras não caíram bem em Yuno, que se absteve de atacar o elfo na sua frente junto de Bell, que estava pronta para apoiar Yuno em adversidades urgentes. Apesar de tudo, Patry viu-se com uma ponta de flecha afiada apontada à sua cabeça, o vento passando-lhe pelas suas vestes brancas leves.

- Por quê? - Yuno exigiu.

- A minha reencarnação foi diferente da tua... - ele disse, olhando Yuno nos olhos. - E diferente das demais. Quando eu coloquei a última pedra no Monumento da Árvore da Vida, este corpo passou a ser, principalmente, meu, roubando o lugar do William. Mas... - ele falou, suspendendo o ataque de Yuno, cuja respirava começou a pesar. - Eu pretendo reverter as minhas ações. No entanto, preciso de ajuda.

As palavras de Patry passaram pelos ouvidos de Yuno, que o escutou enquanto se obrigava a acalmar. "Ajuda"? Era o que o elfo, inimigo de Clover, falou. Bem na sua frente.

As estrelas que brilhavam no céu testemunharam Yuno desvanecer o seu ataque e a sua posição ofensiva. Em silêncio, um acordo parecia criar-se - William Vangeance voltaria à vida, Patry desapareceria. Os mortos voltariam para o além, e os vivos manter-se-iam na Terra, no seu lugar de direito.

- Que ajuda precisas? - por fim, Yuno perguntou. E na sua frente, a tensão no corpo de Patry desvaneceu-se.

No mesmo instante em que a conversa entre Yuno e Patry se desenrolava, a ação só começava na capital real...

Eles atacaram.

O ataque dos elfos começou.

Parcialmente...

Eles observaram, ações davam origem a consequências, e essas terminavam, antes de tudo, em lutas magnânimas. Enquanto isso, alguns elfos não se envolviam em lutas, isso porque nenhuma provocação por parte dos humanos foi feita. E esse foi o caso de Charlotte Roselei, ou melhor dizendo, o caso da elfa que possuía o seu corpo.

Vagando pelas ruas da capital, sob o céu negro da noite, a tão conhecida figura nobre de Charlotte Roselei observava os edifícios.

- O quanto isto mudou... - ela falou para si, estranhando as infraestruturas. Enquanto avançava pela capital, os olhares alheios não lhe passavam despercebidos. Os sussurros, especificamente os que comentavam sobre a sua aparência, vieram aos seus ouvidos.

"A capitã Charlotte foi possuída também?" - um dos primeiros sussurros ecoou na sua mente, seguido de outros dezenas deles.

"Os cavaleiros mágicos recomendaram não nos aproximarmos até averiguarem, querida." - o seu marido, talvez.

"Em outras regiões as pessoas atacaram as pessoas em transe, e eles atacaram de volta. Foi um massacre para o nosso lado." - o medo pairou na voz jovem.

De tudo que a última pessoa disse, a parte: "Nosso lado", foi a que ficou presa na mente da elfa em Charlotte Roselei, que seguiu rumo.

"Eles reuniram-se perto da arena, quando a guarda real os encurralou, alguns perderam a vida." - a voz envelhecida mostrou luto resignado. - "E foram essas mortes que desencadearam uma nova onda de ataques para com... eles." - o senhorzinho voltou o seu olhar para a figura de Charlotte, que desaparecia de vista.

Talvez reunir-me com os outros não seja uma boa ideia... para já. - a elfa ergueu o seu olhar, parando no seu caminho. Virando o pescoço para o longe, o cintilante brilho azulado e um poder tão reconfortante para ela foram reconhecidos ao longe, trazendo um pequeno sorriso ao seu rosto.

- Lufulu. - a elfa falou o nome de quem avançava em sua direção, as palavras do rapaz chegando aos seus ouvidos.

- Mana~~~!! - cantarolou o elfo, dando o seu último salto no edifício e caindo ao lado da irmã, deixando as faíscas se extinguirem ao seu redor.

- Mantém o teu poder ao teu redor, Lufulu. - sem mais nem menos, ela falou. - Seja por ti ou pelo humano que tomaste o lugar, certos humanos poderão atacar-te.

- Sem problemas, mana! - o rapaz, todo sorridente, exclamou.

Seguindo lado a lado, eles vagaram pela capital juntos.

Espiando-os, não apenas civis observavam a interação dos dois, mas também Asta e Noelle, escondidos atrás de uma chaminé.

- Eles parecem bem calminhos, parece até que não estão sob efeito de maldição nenhuma. - Asta comentou, fixando o seu olhar nos dois elfos a ir embora.

- Maldição, talvez não, mas com certeza estão sob efeitos de magia negra. Podem perder o controlo sob as suas ações e pensamentos, basta que alguém os atice. - Noelle falou, afastando-se da chaminé, Asta seguindo atrás. - Parece que a capitã Charlotte foi dominada pela irmã elfa do Lufulu, o elfo de Luck... - apreciando os últimos vislumbres dos dois, Noelle soltou o ar que prendera.

- Eu posso trazer as pessoas de volta a si, mas não tenho a certeza se tem de ser agora... - a incerta pairou na voz de Asta, um acontecimento raro para ele, mas que acontecia em momentos delicados. - Por um lado, temos o dever de trazer as pessoas de volta a si, por outro, eu... gostava que eles tivessem uma chance de se despedirem dos seus entes queridos antes de partirem, e para isso é necessário a Azuli! - o seu olhar voltou à determinação habitual, o seu entusiasmo voltando a si.

Com o olhar perdido no horizonte, Asta não viu a mão de Noelle bater-lhe na cabeça.

- Aii!! - ele colocou as mãos sobre a cabeça. - Noelle, estás a aprender com a Nero, não estás?!!! - o rapaz gritou, assustando os pássaros ao redor das chaminés. Os seus olhos encolhidos encararam a princesa Silva, que apenas o evitou, afastando uma mexa do seu cabelo.

- Por agora... - Noelle ignorou-o. - Eles estão a reunir-se, e isso ajudará na hora da cura deles. - ela completou, finalmente olhando-o nos olhos. - O nosso maior dever neste momento é impedir que lutas entre os elfos e humanos ocorram. Deves ter ouvido a conversa daquelas pessoas que observavam a capitã, os elfos só atacam quando os seus estão em perigo. Podemos partir daí.

- Noelle... - os olhos verdes de Asta fitavam a platinada. - Esse é um ótimo raciocínio!! És inteligente mesmo!! - o anão riu-se, o seu sorriso apenas irradiando inocência e as suas palavras verdade. Apesar disso, não foi o bastante para impedir a princesa dos Touros Negros de lançá-lo até aos céus, num jato de água.

- Astúpido!! Não dias essas coisas do nada!!!!!! - Noelle gritou bem alto, de modo que Asta a ouvisse de lá de cima. Contudo, no seu interior, o coração de Noelle acelerou com as palavras do menino da anti-magia.

Astúpido, aquele idiota...!! - ela pensou, as suas bochechas torrando num tom rosado e os seus lábios enrugando-se em vergonha num beicinho.

Nas bordas do reino nobre, Azuli e Mimosa terminavam uma cura em dois elfos que, por pouco, não se envolviam numa batalha contra um grupo de humanos desordeiros (bandidos).

- Cura do Espírito do Dragão do Mar! - evocando o seu poder, uma onda esbranquiçada rompeu de dentro de cada um dos elfos, fazendo-os perder a sua envolvente aura dourada. Enquanto isso, Mimosa curava os cidadãos, vítimas de ataques dos bandidos.

- Berço de Flores Onírico de Cura. - Mimosa conjurou. - Quem puder andar, por favor, traga os feridos para dentro do berço. - a maga das plantas ofereceu, encarando o estado dos feridos.

Alguns estão perto da morte... - Mimosa observou como as lágrimas escorriam, tanto de quem estava debilitado quando das pessoas que choravam sobre os corpos fragilizados dos feridos.

- Como estão? - Azuli questionou os elfos recém saídos do transe, ambos confusos com o local onde estavam. - Confusos... - Azuli notou, sem nenhum dos dois lhe responder antes. A confusão estava estampada nos rostos de ambos, a elfa parecendo reconhecer o local, se Azuli não se engana ao sentir o KI.

- I-Isto é o reino Clover? - a elfa perguntou, a sua mão junto da do elfo do seu lado, que encarava Azuli em silêncio.

Oferecendo um sorriso, Azuli começou a explicar. - "Reino Clover, cerca de 500 anos após as vossas mortes, para ser mais exata." - ela confessou, enquanto observava as reações de espanto dos dois na sua frente.-

- Estamos no futuro?! - o elfo de longos cabelos brancos azulados exclamou, as suas orbes douradas aproximando-se de Azuli.

Desse momento em diante, Azuli explicou a situação para os dois elfos exaltados, tentando acalmá-los. Enquanto que, atrás de si, Mimosa trabalhava na cura dos cidadãos.

Seguindo Azuli, os dois elfos acompanharam a menina de madeixas até Mimosa.

Sob o brilho verde do poder da realeza Vermillion, Azuli não conteve um sorriso brilhante ao observar a prima.

- Poderes novos. - sem perguntas, Azulo constatou o facto, parando atrás de uma ajoelhada Mimosa.

A olhos vistos, os cortes no corpo de uma das vítimas era cicatrizado. Quando o brilho do feitiço de Mimosa cessou, as feridas estavam curadas, no entanto, com pequenas cicatrizes.

- Lamento as cicatrizes, mas espero que o senhor esteja bem agora. - levantando-se, Mimosa deu um último olhar ao homem, antes de se afastar, fazendo Azuli e os demais a seguirem. Num canto isolado, enquanto as pessoas iam ter com os seus entes queridos curados e pregavam a fé que sentiram naquele momento, a maga das plantas apenas sorriu, antes de se voltar para os três na sua frente. - Muito prazer, eu sou a Mimosa Vermillion. - ela sorriu-lhes, apresentando-se, porém...

- Vermillion...? - ambos questionaram, os seus olhos piscando para Mimosa em surpresa. Compartilhando um olha entre os dois, eles voltaram-se novamente para Mimosa, que esperava alguma resposta, ansiosamente.

- Muito obrigada pela ajuda, senhorita Mimosa. - a elfa falou. - Eu sou a Jane, é um prazer conhecê-la. -apertando a mão de Mimosa com ambas as mãos, a elfa olhava-a com ternura.

- Muito prazer, eu sou o Issac! A senhorita me perdoe, mas... - os olhos dourados de Izac encararam firmemente Mimosa, que se absteve de se afastar. - A beleza da menina é estonteante. - ele sorriu de olhos fechados, deixando a surpresa ser estampada no rosto da Vermillion. Ao lado de Mimosa, Azuli observava a interação, uma diversão irrompendo do seu interior pela confusão e o rubor que dominava o rosto da prima.

- E também, é muito semelhante a uma amiga nossa. Há muito tempo atrás. - Jane ofereceu, o seu toque cálido ainda nas mãos de Mimosa, que hiperventilava, enquanto a vermelhidão se apoderava da sua menina tímida interior.

- O-Obrigada, aos dois! - Mimosa ainda tentou falar sem gaguejar, mas o seu tom subiu sem que ela assim desejasse e o seu peito se encheu de sentimentos confusos para ela.

- Menina Azuli, a menina também... - Issac ia falar, mas ao olhar para onde Azuli devia estar, ele encontrou a menina perto dos cidadãos.

- Enquanto os elfos em transe vagarem por aí, não se afastem muito das vossas casas ou façam percursos confiáveis, caso precisem ir para algum lugar. Eles não vos atacam se não forem provocados maliciosamente, mas bandidos sempre podem aparecer por aí. Bandidos e rufiões!! Aqueles idiotas inconsequentes! - ela gritava, perto das pessoas, o seu punho fechado do lado do corpo, enquanto que a outra pousava no chão, enquanto a maga da água levantava uma criança que se assustou com os seus berros.

Voltando-se para os dois elfos, Mimosa sorriu.

- A Azuli está um pouco ansiosa agora, mas espero que ela não vos tenha passado uma má ideia dela. - a maga das plantas falou, um sorriso singelo enfeitando o seu rosto.

- De maneira nenhuma. - Jane esclareceu, abanando a cabeça em negação, um sorriso enfeitando igualmente os seus lábios. - Ela foi muito paciente connosco, e esclareceu todas as nossas dúvidas. Eu é que devia agradecer-lhe por aturar tantas perguntas num curto espaço de tempo.

- Para quem está em guerra, ela parece até calma. - Issac comentou, observando Azuli lançar um feitiço independente pela estrada fora, instruções aparecendo sobre a terra e um fio azulado flutuando sobre os olhos. Um feitiço de guia, Issac pensou.

Esperando Azuli regressar até eles, Issac e Jane ofereceram a sua ajuda em lidar com os restantes elfos reencarnados. Quando Azuli e Mimosa se preparavam para voar, ambas foram surpreendidas por Jane e Issac as pegarem e as carregarem com eles, apenas voando com a mana que exalava deles. Sobrevoando o reino esquecido, as duas cavaleiras mágicas começaram a duvidar acerca do caminho que os elfos seguiam, mas com a promessa dos seus novos amigos, as duas se acalmaram, apesar de não terem verbalizado as suas dúvidas aos dois.

Não tardou muito o encontro das duas cavaleiras mágicas e o par de elfos se deparar com dois conhecidos pelo caminho. Em confusão, quatro magos encaravam-se, estupefatos.

- Yuno?! - Mimosa foi a primeira a exclamar, o seu olhar passando de Yuno para Bell, e de volta para Yuno. Por último, o seu olhar encontrou-se com...

- Licht?! - os olhos de Azuli arregalaram-se tanto quanto os de Mimosa.

- Olá. - fazendo-as de queixo caído, Patry cumprimentou as duas meninas pasmadas. Do seu lado, Yuno parecia insultá-lo mentalmente, apesar da sua falta de expressão no exterior.

Idiota. - Yuno pensava, desviando o olhar do elfo.

- Azuli, Mimosa, este é o Patry. - Yuno gesticulou com a mão, apontando para o elfo do lado, ao que as meninas seguiram com o olhar. - Líder do anterior grupo terrorista do Olho do Sol da Meia Noite, e também... - Yuno olhou Patry pelo canto do olho. - Ele é o elfo reencarnado do capitão William.

Terminando a apresentação, Yuno voltou a olhar as meninas.

- Olá. - Patry disse novamente, o seu olhar voltando-se para os dois elfos que carregavam Azuli e Mimosa no estilo noiva pelo céu noturno.

- Patry... - Jane inclinou-se sobre ele. - És mesmo tu aí dentro? - sem piscar os olhos, a elfa esperava com expectativa a resposta, o seu nariz quase tocando no de Patry, e a aproximação repentina dela fazendo Azuli temer ser esmagada. No entanto, por sorte, Jane não perdia o controlo sobre Auli, não a deixando cair.

- Patry? - foi a vez de Issac questionar, esticando o seu pescoço para o lado, tentando ver melhor o rosto do outro elfo. - O rapaz que admirava o senhor Licht acima de tudo? Estás igualzinho a ele... - a boca dele permaneceu entreaberta, o seu olhar dourado estático na figura de Patry.

- Sou eu, Jane, Issac. - Patry sorriu-lhes de leve, sem muita emoção. - Sinto muito ter-vos trazido de volta. - as suas palavras, embora vagas, pararam ter surtido efeito nos dois elfos na sua frente, cujo olhar irradiava conhecimento.

Aproximando-se de Patry, Issac passou Mimosa para um braço e colocou o outro braço ao redor do pescoço de Patry, que se surpreendeu com o toque.

- Bem, se alguém tinha força de vontade para causar uma guerra contra toda uma raça por amor ao seu povo, não me surpreende que sejas tu! - Issac sorria.

Acenando com a cabeça, em concordância, Jane sorriu, satisfeita. Os fios brancos das suas franjas laterais, as quais quase chegavam num loiro suave, emolduravam o seu rosto até às têmporas. Os seus olhos dourados então voltaram-se para um Patry apreensivo.

- Nas últimas semanas que estivemos vivos, eu vi-te exatamente assim nas minhas premonições, nesse corpo, mas na época, eu nem imaginava quem era. - Jane confessou, surpreendendo Patry, que largou a expressão estoica de líder e arregalou o olhar. - Temos muito a fazer agora, não é, Patry? - a sua pergunta ficou no ar, pois a resposta já eles sabiam, esta estando abaixo deles, por toda a redondeza e reino.

Assentindo, Patry recompôs-se.

- Eu ia levar o Yuno até ao monumento da Árvore da Vida. Ela está no reino esquecido, no crânio histórico. Precisaremos dela para trazer o William de volta.

- William? - um parafuso parecia acertar na cabeça de Azuli. - Caramba, o William morreu?! Está morto?! - Azuli entrava em devaneio, entre alguns desses ameaçava Patry, e logo depois voltava ao devaneio de lamúria.

Yuno observava a sua amiga, cuja habilidade sensorial era extraordinária, e quando mais o fazia, uma palavra lhe veio à mente. - "Idiota". - dito isto, com ou sem Azuli em devaneio, o grupo juntou-se e foi em direção ao crânio do reino esquecido, os elfos sendo incrivelmente rápidos a voar, mesmo com cargas.

Apesar de Yuno ter recusado a oferta de Patry de o levar consigo com a sua magia, quando o grupo se tornou maior, ele cedeu à oferta e deixou-se ser levado junto de Patry com a sua magia de luz.

Pousando em Hage, Yuno aproveitou para sentir as manas conhecidas do vilarejo. Ele não iria atrás deles e, possivelmente, acordá-los a esta hora da noite, mas era seu conforto saber o estado deles.

Passando por Yuno, Azuli correu até Licht... ou melhor, Patry, pisando a relva ao redor do crânio.

- Então o homem que fingiste ser é, na verdade, aquele que estava junto do Yuno e do Klaus, no centro da base do Olho do Sol da Meia Noite. - a maga da água tentava esclarecer as suas dúvidas.

- Isso. - Patry confirmou.

- Vocês são realmente parecidos, mas... - os olhos azuis celeste encararam Patry, que continuava a andar, enquanto Azuli lutava para o acompanhar.

- Esse é o corpo do meu capitão, então é ele quem é parecido com a pessoa que mais amavas na outra vida. - Mimosa corou, como se se tratasse de uma história de uma paixão de vidas passadas.

- A-Amava? - para a diversão de Jane e Issac, Patry olhou-as, desentendido. O seu olhar semelhante a uma criança curiosa.

- Não tinha pensado por esse lado. - pondo o dedo sobre o queixo, Azuli pensava, o seu olhar voltado para a frente.

Precisando de ajuda ou não, Yuno não ajudaria Patry a sair da boca do lobo que eram as suas amigas.

Entrando, por fim, dentro do crânio, após uns quantos passos, o grupo deparou-se com o dito monumento que Patry falou momentos atrás.

- Uma tábua. - constatou Mimosa, ajoelhada frente ao pequeno monumento da Árvore da Vida.

Uma coisa de pedra é algo tão poderoso, ou são as pedras mágicas que a tornam poderosa? Talvez... - a Vermillion passou o seu olhar pelo monumento. - O encanto mágico para uma "pedra" ganhar atributos especiais. Neste caso, atributos que rivalizam com a vida e a morte. - ela ponderou.

- Um monumento ritualístico, que converge com a magia, a natureza e o além. - Patry corrigiu Mimosa, aproximando-se.

- Foi este pequeno monumento e pedras mágicas que nos trouxeram de volta... - Jane aproximou-se, rodeando o monumento. Era mais alto do que ela esperava que fosse. - Ele permanecia num templo na nossa aldeia, se não me engano. - a sua afirmação assemelhava-se a uma pergunta, a incerteza pairava sobre ela.

- Sim, na nossa época, os elfos não escondiam muito as coisas uns dos outros, incluindo o poder que o monumento oferecia e onde ele era mantido. - Patry falou, enquanto Jane continuava a rodear o monumento.

- E agora, o que fazemos? - Yuno perguntou, mantendo-se perto de Azuli e Mimosa. - O capitão William tem de voltar, quem sabe o que lhe acontece se ficar adormecido por muito mais tempo. - disse ele, dando ênfase a "adormecido" ao mesmo tempo que lançava um olhar a Patry.

- Se o William vai voltar, significa que todos irão voltar a si de imediato? - os olhos de Azuli pousaram em Patry, o seu brilho não refletindo neles, como os que conhecem esperariam.

- Em princípio, eu traria apenas o William de volta. Creio que o monumento da Árvore da Vida tenha o poder para fazer isso. - Patry admitiu o que pensava. Ao fundo, ele ouviu o sussurro de Issac, que perambulava pelo interior do crânio: "Alguém não conhece todas as capacidades do monumento." - foi o que Issac cantarolou, passando a mão pelos ossos. - Mas para isso, eu precisarei da pedra mágica que o Yuno carrega consigo. - ele olhou o rapaz, que levou a mão até ao seu pingente e o apertou. - É a última que falta.

- Vocês pensaram no plano de cabeça quente, não tenho dúvidas. - Azuli suspirou, desanimada.

Enquanto que os demais mostraram a sua confusão, Mimosa juntou-se a Azuli.

- Já conversaste pelo menos com o teu amigo Licht, antes de ir embora? - Mimosa perguntou.

- Ou pensaste numa forma de libertar a maldição de todos os elfos? - Azuli questionou. - Apesar de reencarnados e "curados", magia negra ainda permanece entranhada nas suas almas. Como passarão para o mundo dos mortos em paz desse jeito? - ela apontou para Jane e Issac, cuja atenção se voltou para a maga da água.

- Patry... - Mimosa começou, docemente, aproximando-se do homem. - Eu quero o meu capitão de volta também, assim como as outras pessoas receptáculos, mas não precisas apressar-te. Esta é uma tarefa importante, precisamos pensar com calma.

- Se o Patry ou o capitão William forem a chave para compor tudo ao seu estado original, não podemos perder nenhum dos dois até descobrirmos. - Azuli ponderou.

- Isso está... correto. - sem confirmação alheia, Patry concordou com as meninas, ignorando o aperto no coração que sentiu. A pressa estava no seu olhar e os seus pés foram rápidos a ir até ao monumento. Erguendo os seus braços, Patry fez o monumento flutuar dentro de um casulo de luz. - Este é apenas um fragmento da Árvore da Vida, na base que usei para alojar o Olho do Sol da Meia Noite tem o local necessário para a juntar à sua outra parte. Suponho que o mais sensato é reunirmo-nos com os outros apóstolos, inclusive os anteriores, como o Licht ou o Rhya. Eles devem saber o que fazer. - uma camada de suor frio começava a cobrir o rosto de Patry, a incerteza parecendo traçar cada ação dele e cada palavra que ela dizia.

"Uma anomalia é a causa de outras anomalias aparecerem ao seu redor." - mais uma vez... outra vez a voz arrepiante ecoou na mente de Azuli, que seguia Patry com o olhar, o elfo estando a dizer alguma coisa, que ela era incapaz de prestar atenção.

"Uma anomalia quebrada."

"Uma anomalia dispersa."

A voz cessou.

Substituindo o eco anterior, a voz de Patry reverberou nos ouvidos de Azuli que, sem que tivesse tempo para reagir, sentiu-se ser engolida por um clarão de luz.

"Duas anomalias juntas." - foi a primeira coisa que Azuli ouviu quando se deu conta de si e ao espaço que a rodeava.

Avoada - era a palavra que melhor descrevia Azuli neste momento. As vozes alheias passavam pelos seus ouvidos como ecos distantes, os movimentos do seu corpo eram automáticos. Era assustador.

Mas ela percebeu, ela estava a ser puxada por Yuno pela base do Olho do Sol da Meia Noite.

Já chegámos? - questionou Azuli, mesmo reconhecendo o local, a descrença sentia-se no seu interior.

No ombro de Yuno, Bell olhava de relance para a maga da água.

- Jane, estás bem? - Azuli ouviu Mimosa perguntar, em preocupação.

- Sim, foi só uma terrível dor de cabeça que me atacou. - a menina tranquilizou Mimosa, levantando-se em seguida.

- Apoia-te em mim. - aparecendo do seu lado, Issac ofereceu o seu braço para apoio, ao qual Jane aceitou.

Sem mais delongas, o grupo seguiu Patry pelos extensos corredores.

Afogada em pensamentos, um deles decidiu ser tranquilizador para Azuli.

Se nada grande funcionar, então terei que libertar um a um. - o pensamento tranquilizou Azuli.

"Mas os humanos não regressarão." - porém outro pensamento veio para a derrubar.

Se eles vieram, podem ir. - mais uma vez, os pensamentos de Azuli a tranquilizaram.

"Mas qual deles? Ambos vieram, e ambos podem ir..." - e outro pensamento a rebateu.

Devaneios vinham e iam, ansiedades vinham à toa e escondiam-se no fundo da sua mente. E, enquanto isso, o reino passava por um momento peculiar. Um momento envolvendo um certo mago anti-magia.

Com Asta e Noelle... No Castelo Silva...

- Ahhhhh!!!!!! - um familiar grito de guerra reverberou pela área, enquanto ele pulava de um telhado.

- Magia de Criação de Água: Rugido do Dragão do Mar! - a voz notável de Noelle ecoou pela área. Atrás de si, Solid, Nozel e Nebra a observavam.

Ambas as investidas eram para os mesmos alvos: elfos. Elfos que perderam o senso próprio, inclusive após atacarem outros elfos, membros da sua espécie. Atacar a sua espécie foi a gota de água na sanidade que as suas almas tentavam manter tão desesperadamente.

Olhos azuis celeste mortos vislumbravam o presente que se assemelhava ao passado. Escancarado no chão, sangue escorrendo pela lateral do estômago, Nozel lutava para manter os seus olhos abertos.

Noelle, não só a aparência, mas a tua essência, herdaste-a da nossa mãe. - na visão que Nozel tinha, isso era algo indiscutível. Pois na frente dele, protegendo as pessoas do seu sangue, a quem a platinada mais jovem chamava de irmãos, Noelle enfrentava os inimigos com a mesma paixão que a mãe dos Silva mostrava tão devotamente nos seus dias de cavaleira mágica.

Armadura Valquíria, um feitiço que Noelle despertou e usava no exato momento presente.

Ao brandir a espada, pela brecha que Noelle criou ao atacar, Asta tocou com a espada nos cinco elfos derrubados.

- Cinco já estão!! - Asta gritou, no seu olhar explícito que ele não achava diversão na vitória. Elfos haviam vindo uns após os outros, inclusive após os seis que Nozel, Zora e Noelle haviam derrotado.

- Asta, verifica-os e vê como eles estão a lidar com os elfos dentro deles! - ainda no ar, Noelle gritou para Asta, uma das suas mãos ao redor dos lábios, como se para ampliar a voz, enquanto a outra mão segurava a sua arma.

- Sim, sim, senhora realeza. - sem ser chamado, Zora intrometeu-se e deixou o lado de uma Nebra exausta para ir até o mesmo lugar que Asta estava. Chegando à borda do quarto destruído de Solid, Zora pulou até ao relvado distante.

- Hmpf! - inflando as suas bochechas rosadas, Noelle suprimiu o que sentia com a atitude de Zora ao deixá-la sozinha com os seus irmãos.

Pelo menos agora, nós temos uma garantia que há um limbo entre as almas adormecidas e as acordadas. - antes de voar em direção aos irmãos, o olhar de Noelle pousou onde Asta gritava com as pessoas anteriormente possuídas. - Os elfos ainda estão no seu interior... Mas não estão mais no comando. - ela pensou, por fim, esboçando um sorriso.


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