65#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

22-10-2025

Capítulo 65 - O rumo segue um caminho estreito

- O quê? As últimas duas pedras foram roubadas?! E estamos em guerra?! - a voz de Finral espalhou a dúvida pelo seu rosto.

- Sim. E, pelos vistos, membros dos cavaleiros mágicos e outros perderam a consciência e estão a perambular por aí como zumbis. - na frente da janela, voltado para Finral, que havia terminado de levar os feridos para os magos curandeiros, Yami fumava ao contar as últimas notícias. - O velho Owen, Marx e a Rainha Espinhosa.

- Até a capitã Charlotte? - o espanto ressoou na voz de Finral, cujos olhos se alargaram. - Um momento... Isso significa que os feridos que eu levei para a enfermaria não têm médicos para se tratarem?

- Sei lá. - Yami exalou a fumaça do cigarro. - Quem sabe. Se repararmos, os membros da nobreza foram os afetados.

Isso pode significar que a mana que senti no Langris durante o exame foi isso... Ele estava possuído. - cabisbaixo, o pensamento veio a Finral. Erguendo o olhar, as orbes púrpuras do mago debateram-se com a visão de um pássaro a passar pela janela do salão da catedral.

- Nero. - Finral chamou, vendo Nero voar e pousar no topo da sua cabeça.

- Ei, Finral. - com o chamado de Yami, o mago olhou-o. - Vamos.

- Certo! - recompondo-se, o mago espacial esticou o braço e fez um portal aparecer perto de ambos.

Acima de uma torre de vigia, Yami e Finral observavam a fumaça que cobria o reino. No entanto, não era esse cenário que os preocupava, e sim os pontos dourados reluzentes que seguiam um rumo em comum.

- Eles estão a reunir-se. - Yami falou, o seu rosto sem expressão.

Enquanto isso, na mente de Finral, outra preocupação o assombrava.

Entre eles, o Langris pode ser uma vítima... Langris, não vou deixar-te desamparado desta vez. Eu, com certeza, vou salvar-te. - tendo ideia dos obstáculos que viriam, suor escorria pelo rosto de Finral. Por outro lado, o seu olhar mantinha-se determinado.

Noutro local, longe do centro da Capital Real...

Um grunhido ecoou pela floresta. Dezenas de esferas de fogo deixaram o seu rasto até atingirem um muro de terra, esfarelando-a parcialmente, o muro mantendo-se de pé, sendo parte do ambiente.

- Magia de Fogo: Esferas de Dispersão Explosivas!! - era o nome do ataque.

Iluminado pela luz que causou e envolto pela fumaça negra que vagava pelo ar, Magna respirava fundo, estando ofegante, enquanto via os estragos do seu ataque. Alheio ao redor, as palmas perto de si apanharam-no desprevenido, fazendo-o olhar para a fonte de imediato. Com a visão familiar, o seu corpo deixou a tensão ir.

- Nada mau, delinquente virjão. - aplaudiu Vanessa, sentada confortavelmente na escandalosa vassoura de Magna.

Enxugando o suor da testa, o mago do fogo encarou Vanessa de frente: "O que fazes aqui?" - perguntou ele, com a sua cara de rabugento.

- Eu ia de encontro com o Finral. Ele não manda notícias nem voltou à base por horas. - a bruxa respondeu, um sorrio sereno no seu rosto, antes de mudar de assunto. - Achei que te ia encontrar sozinho e a choramingar, então vim procurar-te. - ela confessou.

- Quem está a choramingar?! - fechando os punhos, Magna rebateu. - E sai de cima do Crazy Cyclone! - ele apontou-lhe o dedo, ao reclamar. Mas, no mesmo instante, ele acalmou-se. Endireitando-se, Magna voltou-se para o muro de terra anterior. - Droga... Não atrapalhes o meu treino. - falou ele, uma gota de suor escorrendo da sua bochecha, antes de olhar para o muro que vinha destruindo nas últimas horas.

Magna começou a falar, e Vanessa parou de beber para o escutar.

- Neste momento, a Azuli, a Noelle , o Asta, o Luck e o Benjamin estão a enfrentar os tipos do Olho do Sol da Meia Noite.

- Devem estar. - Vanessa, um pouco bêbada, mas mantendo a sua compostura, concordou.

Olhando para o seu punho fechado, o mago de fogo continuou.

- Eu quero ter a certeza que não vou passar vergonha como veterano deles. Então... - abrindo o seu punho, chamas irromperam da palma da sua mão. - Eu vou ficar ainda mais forte! - erguendo o olhar, a luz da sua chama refletiu nas lentes roxas dos seus óculos.

Passando adiante, na base inimiga...

Só de olhar ao redor, os membros dos cavaleiros reais perceberam a desvantagem. Em cada grupo formado, não apenas um, mas vários foram envoltos por uma luz dourada e haviam tido as suas orelhas transformadas em pontiagudas. Num desses casos, incluía Mimosa. O grupo dela permanecia na sala onde um homem desconhecido estava dentro de uma esfera. Mas agora, o rumo mudou. Klaus, Luck e Yuno... Todos eles cintilavam com um poder renovado. Não apenas os seus sensos de mana foram alterados, como também a personalidade deles distorcida. No entanto, Mimosa ainda tentava descobrir o que se passava, desde que...

Eles não se mexem. - a maga das plantas pensou, andando entre os seus amigos. O seu feitiço "Manto de cura Floral da Princesa" sendo utilizado como uma proteção extra.

Ao andar até a frente de Yuno, o olhar de Mimosa pousou em Bell.

- Bell? - sem esperar mais dos seus companheiros, Mimosa esqueceu-os por um instante e apanhou o pequeno espírito do chão. Bell estava com má cara, e se a maga das plantas pudesse descrevê-la, diria que ela estava perto da morte. - Bell... - Mimosa a chamou, ajoelhada no chão, pouco afastada de Yuno. Dando uma olhada nos outros, vendo-os sossegados, apenas olhando para as suas mãos e mexendo-se um pouco, Mimosa tentou puxar pelo espírito.

Admitindo a derrota, Mimosa manteve Bell sobre um pequeno berço de cura, capaz de caber na palma da sua mão.

- O que eu faço convosco? - Mimosa questionou, mantendo um olho atento sobre o homem que pairava perto deles. O olhar do elfo estava disperso e os seus movimentos mais inexistentes do que os três companheiros de Mimosa.

Apesar do silêncio, Mimosa não teve tempo para respirar, pois uma nova onda de poder reverberou pelos seus sentidos.

Desviando-se para a direita, apesar do seu olhar não ter visto o ataque, o seu braço ferido era a prova de que um ataque muito poderoso e eletrizante cruzou a sua pele.

Luck. - o nome veio à mente da maga.

- Luck, está tudo bem contigo? - Mimosa quis saber, em preocupação. A expressão de dor que cruzava o seu rosto dissipando-se à medida que o seu braço se curava, pela magia do manto floral, que se mantinha ativado.

Luck não respondeu a Mimosa, mas o seu olhar, antes desconcertante, voltado para as suas mãos, focou-se na princesa Vermillion.

Seja o que for que lhes aconteceu, eles agora partilham uma característica em comum com este homem. - cautelosa, Mimosa observou o homem silencioso antes de voltar o olhar para os seus companheiros, em especial, o que olhava para si com um olhar eletrizante. - Tenho que trabalhar em feitiços de restrição para eventos futuros. - ela repreendeu-se.

No tempo que Mimosa analisava a situação, visitas viriam até ela.

Com Azuli...

"Tens um belo poder aí." - as palavras de Rhya ecoaram na sua mente.

- Agora que continuas vivo, podemos falar calmamente! - olhando para os olhos dourados de Rhya, Azuli exclamou, contente. - A menos que prefiras lutar enquanto falamos... Bom, também é uma opção, mas não é a ideal... - Azuli pôs-se pensativa, uma mão sob o seu queixo. Os seus olhos voltados para o chão, o seu olhar meio disperso pelos pensamentos.

- Conversar? - Rhya falou, em meio a um suspiro. Resignado, o elfo resmungou, passando a mão no rosto. - Tudo bem, precisamos conversar de qualquer maneira. Mas antes...

Sem mais nem menos, Rhya apareceu na frente de Azuli, fazendo os olhos celeste da menina se arregalarem em curiosidade.

- Estou a contar que tu saibas como me sinto agora. - foi o que Rhya falou, antes de desaparecer em meio a um clarão de luz com Azuli.

Deixados para trás, um Nozel furioso perdia as estribeiras, tendo Noelle que o acalmar.

- Irmão Nozel, está t-tudo bem. - Noelle falou, o seu olhar vagando para onde sentia a irmã.

- Não sejas tola. - as palavras ríspidas podiam, mas não afetaram Noelle, enquanto a platinada fechava o seu grimório. - O inimigo tem-na. Uma das nossas aliadas pode ser usada como refém, mas numa guerra... A Azuli não é uma moeda de troca valiosa.

- Eu entendo o que queres dizer, mas essa conversa não tem espaço aqui. - Noelle fechou a cara, antes de abrir os olhos e aproximar-se de Nozel. - Eu aprendi a ler o KI como o capitão Yami, irmão, e eu posso sentir que o Rhya não tem más intenções com a Azuli. Também estou surpreendida... - ela continuou, não deixando Nozel interromper as suas declarações. - Mas os nossos companheiros dos cavaleiros reais também sofreram alterações semelhantes. Eles estão parados num local há muito tempo. - a platinada falou, esquecendo-se por um momento das pessoas perto de si, mas a voz de Naomi, que também interrompeu Nozel, trouxe-a de volta ao planeta Terra.

- O senhor Rhya é o ser mais honesto que eu tive o prazer de conhecer.

Com tal declaração, os olhares de Nozel e Noelle voltaram-se para Naomi.

- Ela também. - a boca de Noelle abriu-se, antes que ela engolisse em seco.

Cerrando a mandíbula, Nozel voltou a controlar os seus sentimentos e emoções. Respirando fundo, o seu grimório virou de página.

- Quem és tu? - Nozel dignou-se a perguntar, não cometendo nenhum ato prejudicial para o dono do corpo, que era Naomi. Os olhos celeste de Naomi acompanharam o crescimento do mercúrio atrás de Nozel antes de decidir falar.

- Sou a elfa que habita neste corpo, neste momento. Creio eu que a Reve tenha algum dedo sobre a paralisia das outras pessoas possuídas. - Naomi falou, ou melhor... - O meu nome é Joana. Mas o de batizado é Yan, se preferirem.

- Como essa Reve estaria envolvida com a paralisia dos elfos? E por que ela faria isso? - sem hesitar, Noelle questionou a elfa.

- Eu despertei somente agora. Não tenho as respostas todas, lamento. No entanto.. quando eu acordei, senti-me dominada por uma vontade de exterminar a humanidade, mas o poder da Reve interferiu. Creio que ela tem um propósito quanto a nós, elfos renascidos.

Com Azuli...

- Oi, Asta. - trazida debaixo do braço de Rhya, Azuli cumprimentou o amigo, que tentava fazer os inimigos elfos reagirem, abanando as mãos na frente dos seus rostos, sem sucesso. No canto, Mereoleona, Zora e Benjamin observavam o anão hiperativo, mas a atenção deles foi para os recém-chegados, cujas metades dos corpos estavam do outro lado do portal.

- Azuli? - Asta piscava. - Oi... - ele cumprimentou, olhando para cima, o seu olhar estático com a visão.

- Se me permitem. - com a sua mão livre, Rhya puxou Asta para dentro do portal. - Até logo, senhorita realeza! - ele provocou, sabendo que Mereoleona o tentaria atacar. E ele acertou, mas felizmente o portal fechou sem dar espaço ao fogo de invadir.

Fora de vista, Rhya abriu o próximo portal no centro de todo o caos. Do "caos" não exatamente, mas sim a motivação do início da jornada de renascimento dos elfos.

- Aí, preciso da vossa ajuda, pirralhos. - largando os dois na sala, Rhya saiu do portal e pousou no chão, sendo logo abordado por um anão com dúvidas.

- Estás a querer lutar a sós?! Aiii, trouxeste-me para a morte?!! - o pescoço de Asta parecia soltar-se do corpo de tanto que ele o girava de um lado para o outro. - Vamos lutar, seu idiota fortão!! - gritou ele, puxando as suas espadas para fora.

- Não que eu apoie violência sem uma boa causa, Asta... - Azuli inclinou a cabeça em direção ao rapaz, prolongando o seu nome. - Mas trouxeste-nos aqui mesmo para lutar contra ti?! Somos anti-magia e um poder estranho da água, não tens hipótese! - a menina falou, subitamente parecendo-se com Noelle.

- É!!! - Asta concordou.

Ambos, Azuli e Asta, partilhando do mesmo entusiasmo, ativaram os seus grimórios, mas Rhya apenas os olhava cansado, como se estivesse a lidar com crianças de dez anos que queriam provar ser mais fortes que os adultos 24 horas por dia.

- Azuli, Asta? - uma voz veio detrás dos três recém-chegados.

Voltando-se para a voz, sem cautela alguma, Asta e Azuli constaram a maga de cabelos ruivos a observá-los com espanto.

- Mimosa? - ambos a reconheceram.

Um bocejo foi escutado entre o silêncio momentâneo da sala.

Rhya, rolando os olhos pela sala, observou os dois magos envoltos em auras douradas, depois olhou para a parede em pedaços, algumas pedras chamuscadas sobre o chão.

Parecem todos em transe. - o elfo notou. Voltando ao mundo real, Rhya viu como Azuli e Asta tentavam conversar com os seus amigos. Demorou um tempo até que ele pedisse, mas o momento chegou.

- Pequena Guardiã, pareces querer os teus amigos de volta, não é? - a voz desinteressada de Rhya ecoou nos ouvidos de Azuli e dos amigos.

É uma pena não podermos voltar a conviver como antigamente... Mas fazer o quê? - ele pensou, resignado, a olhar para os elfos em transe, incluindo Licht. - Agora... O que fazer? O que fazer? - ele ponderou, olhando os olhos celeste de Azuli.

- Já não pretendes destruir a humanidade, pois não? - a resposta parecia estar na mente de Azuli, mas perguntar não faria mal algum.

- Não? - atrás de Azuli e Asta, Mimosa olhou Rhya em curiosidade exposta.

- Não. - Rhya suspirou. - Primeiramente, antes que o poder da Reve se esgote, eu sugiro usares aquele feitiço de cura nos teus amigos, pequena.

- Não sou pequena. - Rhya ouviu-a resmungar, antes dela entoar o seu feitiço do "Cura do Espírito do Mar", não demonstrando a surpresa que sentia por Azuli não o questionar e fazer apenas o que ele sugeriu. Além de tudo, nenhum dos outros dois parecia estressado por ter um membro do Terceiro Olho na sua frente.

Enquanto Azuli usava o seu feitiço em Yuno e Klaus, Asta falava.

- E eu? - Asta aproximou-se de Rhya. - Também tenho uma tarefa? - os seus olhos cintilaram com a ideia, antes do brilho desaparecer, juntos aos novos pensamentos. - Embora eu não saiba em como possa ajudá-los. - ele pensou alto. - As minhas espadas só cortam magia. - levantando as espadas sob o seu olhar, ele admirou-as.

- Tu deverás ser necessário mais tarde. Trouxe-te por precaução. - o elfo respondeu, aproximando-se de Licht, que pairava sobre o chão.

Ao contrário dos outros... Será que o poder da Reve atingiu o Licht também? Criámos um corpo verdadeiro para ele, ao contrário dos outros, que têm um recipiente humano... - Rhya pensou, os seus olhos refletindo lembranças guardadas entre os dois.

Em pouco tempo, novas vozes preencheram a sala.

- Yuno! - Asta sorriu com entusiasmo.

- Pessoal, a guerra acabou? - foi a primeira coisa que perguntou, notando a presença de Rhya e a tranquilidade nos amigos.

- Não exatamente. - Rhya ofereceu, levemente divertido, sem entregar detalhes.

- Um poder estranho sentiu-se daqui e depois todo o mundo começou a brilhar! Incluindo esse daí! - Azuli apontou para Rhya.

- O mesmo aconteceu quando eu e o meu grupo nos deparámos com outros grupos dos cavaleiros reais. A mulher das asas de anjo e o tipo de vidro do Alvorecer Dourado ficaram estáticos e brilhantes...! Igual a vocês dois! - Asta apontou para Yuno, seguido de Klaus, que se manteve calado durante as explicações desastrosas.

- O Luck também estava aqui e o mesmo aconteceu com ele, mas passados uns minutos ele fugiu e perdi-o de vista. - Mimosa falou, olhando Klaus com o canto dos olhos, estranhando o comportamento do amigo.

Pelos vistos, o olhar que Mimosa dava a Klaus foi percebido pelos demais. Então, todos se viraram para Klaus, em vez de continuarem a conversar.

- Quatro-olhos, voltaste a ti? - Asta abanou a mão na frente de Klaus, cujo olhar estava cabisbaixo.

No meio da confusão que pairava nos rostos de Azuli, Asta, Mimosa, e do rosto paciente de Yuno, o olhar de Rhya fez-se em realização.

- Caranthir? - Rhya tentou, aproximando-se da figura de Klaus.

- Rhya. - cumprimentou "Klaus". - O que estes adolescentes estão a dizer é verdade? Se é, significa que a vida do humano receptáculo morrerá, enquanto nós ficamos? Se eu estiver certo, o Lufulu terá ido de encontro com a sua irmã. Presumo que a ligação que eles têm seja mais forte que o poder da Reve.

- Morte? - vendo a conversa que se iniciou entre "Klaus" e Rhya, os cavaleiros mágicos observavam-nos em completa confusão.

- Sim, a Charla sempre foi teimosa demais para os poderes da Reve funcionarem como deve ser nela. Parece que o pequeno Lufulu é parecida com ela. - um sorriso singelo esticou-se nos lábios de Rhya.

- Com licença? - Mimosa tentou chamar a atenção de "Klaus" e de Rhya educadamente.

- Qual é a situação? Por mais injusto ou triste que tenha sido, nós devíamos ter morrido naquela época... Passou muito tempo desde esse dia? - a curiosidade veio a Caranthir.

- Cerca de 500 anos, esta é a nossa primeira reencarnação. Mas... - nesse momento, Rhya sussurrou algo no ouvido do velho conhecido, que assentiu, antes de ajustar os óculos no seu rosto.

- Estes óculos são uma dor. - Caranthir suspirou, pegando nos óculos e desprendendo as hastes e, com a sua magia de ferro e alguns feitiços independentes, os seus óculos (composto por duas lentes e a junta que as mantinha juntas) mantiveram-se no seu rosto, sem preocupações. - Melhor assim.

O Klaus vai gostar disso. - inconscientemente, percebendo a situação, Mimosa e Yuno pensaram, observando os novos óculos que seriam de Klaus (provavelmente).

- Não és o Klaus. - com olhos arregalados, quase a saltar de órbita, Azuli olhava "Klaus" de cima a baixo, o mesmo fazia Asta do seu lado.

- O Quatro-Olhos é sério, mas não age como um velho. - Asta comentou, com o mesmo olhar de gato assanhado que Azuli.

- Que falta de educação. - Caranthir confrontou-os.

- Agora parece o Klaus. - comentaram os dois Touros Negros, divertidos. Atrás dos dois, Yuno e Mimosa tentavam afundar a vergonha alheia que sentiam, apesar de Yuno já ter um certo nível de imunidade à estupidez dos dois e aos sarilhos que eles o metem.

- Eu sou o Caranthir, um elfo que viveu no reino Clover há cerca de 500 anos atrás. É um prazer.

Se Asta e Azuli ouviram ou não, ninguém podia adivinhar, pois eles agiram como se não tivessem escutado nada e só cumprimentavam Caranthir.

- Eu sou a Mimosa Vermillion, é um prazer. - a menina sorriu, mas esse sorriso foi-se tornando tenso à medida que o olhar de Caranthir permanecia nela, sem desviar o olhar.

Ela é tão parecida com a Tetia. - Caranthir pensou, antes da sua visão ser tapada por Yuno, que se colocou parcialmente na frente de Mimosa ao avançar na frente do homem.

- Eu sou o Yuno, é um prazer. - disse ele, com a sua voz monótona.

Como eu previa, a magia dela não funciona com o Licht. - Rhya olhava Azuli de lado, enquanto a maga tentava usar o seu feitiço no elfo em transe.

- Este aqui não surte efeito. - Azuli comentou, deixando o seu feitiço cair. De frente para o mago, ela observava os olhos dourados do elfo.

Todos os elfos têm olhos dourados assim? - Azuli pensou.

- Será que eu consigo dar um jeito? - Asta questionou-se, rodeando o corpo do elfo com as suas espadas. Ele tentou tocar no elfo com elas, mas nada se alterava. Embora não quisesse admitir, Rhya se frustrava pelas tentativas não funcionarem em Licht.

- Se fosse a vocês, apressava-me e ia curar os demais elfos reencarnados. - a atenção de todos foi para Rhya. - Não tarda muito, eles sairão do transe, e a primeira coisa que lhes virá à cabeça será a aniquilação dos humanos. Especialmente a realeza de Clover. - o olhar dele pousou em Mimosa, que franziu as sobrancelhas em pensamentos. - Hummm... Mas antes, maga da água... - ele caminhou até Azuli. - Tenho um favor a pedir-te antes de partirem. - disse ele, inclinando a cabeça para o lado e coçando a nuca.

- Tudo bem se ficarmos aqui? - Caranthir perguntou, observando os quatro magos partirem pelas extensas passagens da base do Olho do Sol da Meia Noite.

- Sim, a nossa prioridade é manter o Licht sob controlo, caso ele ainda esteja sob manipulação do demónio. - Rhya falou, o seu olhar voltando ao tom inexpressivo habitual.

- Um demónio está entre nós, é o que estás a querer dizer? - perguntou o outro elfo, calmo.

- É uma forte possibilidade. Depois que nós vos revivêssemos e todos os Apóstolos de Sephirah se reunissem, nós pretendíamos abrir o Palácio das Sombras. Não seria uma ideia plausível se nós estivéssemos em plena faculdade mental. - Rhya confessou.

- Mas se o Palácio das Sombras ainda não foi aberto, como esse demónio estaria entre nós neste momento? Isso faz algum sentido? - Caranthir questionou, dúvidas atormentando-o. E, pelo olhar que Rhya lhe deu, o próprio se encheu de dúvidas.

- Anda a acontecer muitas coisas estranhas, incluindo este ataque. - a voz de Rhya tornou-se baixa, como se confessasse um segredo. À medida que a conversa continuava, a tensão subia no ar e pesava nos ombros de ambos. - Este ataque ao reino não foi coordenado pelo líder da organização, as últimas pedras mágicas foram ridiculamente fáceis de obter do Rei Mago, e os nossos soldados obtiveram poderes demoníacos sem a nossa ajuda...

Preenchendo o silêncio, só o bater do coração dos três naquela sala.

- Conclui-se então que estamos sob a manipulação de forças externas. - Caranthir cedeu aos seus pensamentos indesejados.

- É o que parece. - junto dele, Rhya também cedeu.

- E Clover está alheia à causa?

- Eles não sabem de nada, pelos menos, não os mais altos cargos de liderança das forças militares do país. É de se esperar, que algum deles saiba o que acontece por detrás das cortinas. Mas não foi o que aconteceu...

Respondendo com o silêncio, ambos aquietaram-se.

Sob a mão de Rhya, ele segurava uma caixa de luz, que continha um poder azul esbranquiçado dentro. Era o poder de Azuli, o favor lhe pedido anteriormente.

Por toda a base do grupo terrorista, Azuli, Asta, Mimosa e Yuno procuravam os elfos para cumprir a missão de os curar antes que o tempo se esgotasse. O tempo parecia correr mais depressa do que eles voavam, e o pensamento em relação à quantidade de elfos que teriam de curar transformava a pressa em ansiedade, e a ansiedade em incertezas. Mas pondo um fim aos pensamentos intrusivos e guardando-os bem no fundo das suas mentes, eles continuaram a reunir quantos elfos puderam dentro da base.

- Tem de haver uma forma mais eficiente para curar todos. - Azuli pensou alto, voando abaixo pela extensão do corredor.

- O meu Manto de Cura Floral da Princesa é um feitiço de larga escala, talvez possas pensar em algo como descrito neste feitiço. - Mimosa propôs, lendo o feitiço do seu grimório antes de o colocar na frente de Azuli, que se inclinou para ler as páginas enquanto desciam.

- Temos um feitiço de larga escala, só que não é de cura. - Noelle lamentou, voando do lado da irmã. A platinada juntou-se ao grupo no momento em que Azuli e os demais passaram em alta velocidade pela sala onde ela e Nozel mantinham uma conversa com uma Naomi possuída, com Yan.

- E aquele capitão todo pomposo, o capitão do Alvorecer Dourado? Ele não pode ajudar? Já o vi a cruzar a sua magia com a do Yuno, com a da Mimosa, com a da Noelle... Talvez ele possa ajudar-nos a estender a magia da Azuli!! - Asta gritou, empolgando-se com a própria ideia.

- Para isso teríamos que encontrá-lo, mas eu não sinto a sua mana nem o seu KI em toda a capital real. - Azuli comentou.

- Consegues sentir mana de tão longe?! - Mimosa perguntou, surpreendida, voando abaixo da prima, enquanto o grupo saída da base inimiga para o exterior, dando lugar ao céu noturno repleto de estrelas.

- Sim, e parece que só melhorou quando absorvi as pedras de mana! - Azuli sorriu-lhe, os seus olhos radiantes pela felicidade.

Yuno, segurando Asta no ar com a sua magia de vento, ponderou o plano.

- Eu posso procurar pelo meu capitão. Enquanto isso, vocês vão adiantando trabalho. - Yuno propôs.

Concordando, eles seguiram o seu rumo juntos, em direção à capital real. Por outro lado, elfos ainda desconcertados perambulavam pela base do Olho do Sol da Meia Noite, alguns sendo encontrados por Mereoleona, Fuegoleon e Nozel, eventualmente, entre outros magos que não foram apagados para dar espaço aos elfos, como Zora, que cuidava dos feridos Benjamin e Mereoleona, que haviam tido uma batalha dura antes que os elfos congelassem no lugar, apesar do ruivo jamais o admitir.


Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora