64#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

22-10-2025

Capítulo 64 - O fruto de ambições por uma vida deve ser colhido

Os cavaleiros reais lutavam dentro da base inimiga.

William e Patry vagavam entre propostas e dúvidas.

E o caos assolava o reino e a mente da população.

No breu da noite, os focos de batalha diminuíam. Os terroristas haviam sido derrotados na sua maioria, no entanto, uma dúvida crescia entre eles - em meio ao ataque repentino no meio da noite, onde estava o líder inimigo? Os cavaleiros reais, por outro lado, acreditavam ter a resposta.

Chegando ao centro da base, Yuno, Luck, Mimosa e Klaus depararam-se com o que o grupo havia suposto ser o líder. Frente aos seus olhos, uma esfera terrivelmente densa em mana protegia alguém.

- É um humano? - Mimosa circulava ao redor da esfera.

É bonito. - a ruiva não deteve os seus olhos de cintilarem. - Mas a sua mana não pode ser humana, é grande demais, mesmo para alguém da realeza.

- Ao que tudo indica. - Klaus analisava a figura dentro da esfera brilhantemente branca. A sua luz refletindo nos óculos do mesmo, atrapalhando-lhe a visão.

Enquanto Luck falava sobre a sua vontade crescente de querer lutar contra o protegido dentro da esfera, Yuno apenas olhava o homem com olhos distantes, Bell permanecendo perto de si.

Dentro da base inimiga, que parou de sobrevoar Clover graças à magia espacial de Cob, cada grupo enfrentava adversários, deixando um rasto das suas magias desoladoras por onde passam. Isso, incluindo o grupo dos Silva e Azuli.

Sem margem para erro, com a sua varinha, Noelle aprisionou os dois magos feridos pelo seu "Rugido do Dragão". No outro canto da sala, as paredes estavam destruídas, e perto delas Azuli apreendia os restantes grimórios e artefatos (bastões, espadas, tiaras, ...) dos inimigos e colocava dentro de um bolso enfeitiçado do seu manto, enquanto Nozel conjurava um feitiço de restrição para os inimigos abatidos e Naomi recuperava o fôlego por ter suportado a defesa dos ataques inimigos.

- Estes aqui não parece que vão acordar tão cedo. - Naomi comentou, andando até ao meio dos demais e observando os terroristas atacados pelos seus companheiros, todos ensanguentados e cortados.

- Que assim seja. - Noelle, com a sua mão livre da varinha, ajeitou o seu cabelo.

- Alguém precisa ser curado? - levantando-se, Azuli olhou para os três companheiros.

- Não me magoei. - Naomi comentou, olhando aliviada para Azuli, pois a menina de madeixas parecia plena e saudável. - Estou feliz que não te tenhas ferido, aquele ataque veio repentinamente. - ela aproximou-se de Azuli, com um sorriso no rosto.

- Eu tenho bons reflexos. Felizmente. - Azuli devolveu-lhe o sorriso. Enquanto isso, Nozel e Noelle desviavam o olhar da cena.

Tudo bem ela ser uma impostora, mas e se ela for membro do Olho do Sol da Meia Noite? - a platinada pensou, olhando de lado para Naomi, que ajeitava o manto de Azuli.

- Vamos seguir adiante, há inimigos a aproximarem-se. - voltando com o seu feitiço de transporte, as meninas subiram na águia e continuaram o caminho.

Eles passavam por salas e salas, elas estavam espalhadas por todo o lado, algumas nem porta tinham, outras eram lugares espaçosos e enormes, onde o teto e o chão eram difíceis de ver.

- Este lugar é enorme. - Noelle olhava para cima, observando o quão longe do teto estavam. - Pensei termos entrado lá de cima, mas nem a metade da base parecemos estar. - ela divagou.

- Entrámos num pedregulho gigante voador, nada mais me surpreende. - Azuli comentou, virada para Noelle, sendo logo repreendida pelo platinado.

- Põe-te direita e presta atenção ao redor. - a voz de Nozel assustou Azuli, que se aproximou de Noelle, cujo olhar vagou pelo irmão, esse que não olhava mais para trás.

O irmão Nozel é severo, mas ele não costuma falar tanto, desde que ele tem sempre tudo sob controlo... Até ele deve estar nervoso nesta situação. - a platinada pensou, terminando por desviar o olhar do seu irmão mais velho.

- Irmão Nozel, não sejas tão rude, por favor. - afastada das duas meninas, o quanto a águia permitia, Naomi pediu, esperançosa, ao que Nozel não respondeu.

A passagem deles estava calma até uma voz desagradável interromper a tranquilidade do lugar.

O Licht não está aqui agora. Parece que tenho que dar as caras eu mesmo. - o pensamento passou pela mente do recém-chegado, um olho aparecendo entre as sombras diante o grupo dos cavaleiros reais.

- A pequena maga guardiã... Como vai o trabalho? - saindo das sombras confortáveis, Rhya mostrou-se ao grupo, o seu olhar indo de encontro com Nozel, que o atacou sem demanda. - E o capitão rude da realeza.- os seus olhos, especialmente para Nozel, estreitaram-se, as suas memórias vagando até ao momento que o Silva quase o matou e destruiu, junto a uma montanha inteira, no passado. Para se sentir melhor, Rhya optou por comentar. - Eu deparei-me com o vosso amigo mais cedo, Azuli, Noelle. Se ele te pretende proteger, Azuli, sugiro que o chames agora. - o sorriso do mago desleal esticou-se pelo rosto, antes que um corte se fizesse da ponta dos seus lábios até profundo na bochecha, fazendo-a arder. Olhando para a frente, o grupo de quatro, passou a ser de três. Foi então que uma voz fez os seus olhos arregalarem.

- Todos aqui são ensinados a provocar o inimigo e levarem uma valente surra? - atrás de si, Azuli perguntou, em dúvida sincera, antes de impulsionar o homem para a frente, onde se tornou sujeito a ataques de Nozel.

- Magia de Mercúrio: Espadas de Prata. - Nozel entoou, espadas longas sendo formadas ao seu redor e sendo lançadas para o mago, que se teletransportou com o poder de luz.

- Vocês são uma família chata. - agachado contra a parede, Rhya começou a voar, desviando do poder de Noelle.

- Magia de Criação de Água: Esferas de Água do Dragão do Mar! - três esferas de tamanho médio foram lançadas inicialmente a um Rhya em movimento, aumentando para dezenas quando nenhuma acertava o alvo.

Sendo separada da águia, Nozel deixou cada uma, Naomi e Noelle, sobre uma plataforma individual, dando-lhes espaço de manobra para se moverem conforme necessário no ar.

A batalha evoluiu estupendamente rápido, e agora Nozel e Naomi só observavam, até ser necessário a sua ajuda.

Estando de olho, Nozel analisava os poderes dos envolvidos.

Ele copia a magia dos outros, tornando-a igual ou superior à original, dependendo da mana do próprio em relação ao mago de quem copiou. No entanto, ele não pode usar mais de um atributo por vez, sendo a troca de atributo um momento que abre uma brecha para atacá-lo. - o olhar gélido de Nozel voltou-se então para Noelle. - Quantas mais surpresas ela tem? - o seu olhar vagou pela forma como a platinada voava sem a ajuda do mercúrio que Nozel lhe disponibilizou. - Com o controlo sobre magia que ela mostrou nos últimos dias, decerto que ela melhorou, mas não deveria ser o suficiente para utilizar a zona de mana como ela está a usar.

- Magia de Água: Chuva das Lágrimas do Dragão do Mar! - ao som do seu feitiço, Azuli encurralou um Rhya abatido entre milhares de delicadas flores azuis, bem como toda a área.

Libertando-se das flores, pequenas esferas saíam delas e deixavam-se flutuar pelo espaço, iluminando o local.

- Que belo jardim, pequena flor, mas não está na hora de jardinar. - sangue escorrendo pelos cortes causados anteriormente por Nozel, nódoas negras causadas por Noelle e um braço quase a sair do corpo, o olhar de Rhya focou-se na maga da água, que manteve a sua expressão o mais serena que pôde enquanto se concentrava.

Preciso de tempo para me curar antes de mais um ataque. - pensou Rhya, o seu olhar vagando pelos magos oponentes. - E pensar que estou a ser feito de presa por estes humanos... - uma veia instalou-se na sua têmpora, ao mesmo tempo que uma ardência subia pelo seu corpo, fazendo até a sua língua clicar de dor.

Será que este feitiço também sofreu alterações? - Azuli pensou, observando as pequenas esferas prenderem-se na roupa de Rhya e na sua pele. A visão de Azuli sendo obstruída pelas pequenas esferas das flores presas às paredes e chão. - Antes as esferas podiam ser usadas para sufocar alguém, e até formar água protetora ao nosso redor...

- Quem sabe, o feitiço permanece o mesmo.

Mas, ao seu lado, ela ouviu a voz de Noelle.

- Não parece ser o mesmo. - Azuli ouviu a resposta de Noelle, tendo percebido que havia fechado os olhos e talvez falado alto os seus pensamentos. De qualquer forma, o olhar celeste da menina foi de encontro com os gritos de Rhya, que tentava livrar-se das esferas presas a si continuamente teletransportando-se pela área com magia de luz.

- Não vais escapar. Magia de Criação de Mercúrio: Execução do Planeta de Prata. - assim como fez quando protegia Noelle e Azuli enquanto ambas apagavam o fogo da capital real, uma esfera de prata, com escudos com o símbolo Silva gravado neles, prendeu Rhya, quem havia tido a sua magia restringida rapidamente por um feitiço de Naomi, que manteve um olhar atento sobre a situação.

O grimório de Rhya, perdeu o brilho e fechou-se, deixando-se cair e escapando da destruição iminente que viria ao seu dono. Com a magia de Nozel a entrar em vigor e os raios serpentearem pelo seu interior, Noelle aproveitou para descansar no rés-do-chão enquanto Azuli vou até ao grimório do oponente e seguiu atrás da platinada.

Dentro da esfera, mesmo com a mente dorida, pensamentos vagavam pela mente do mago que copia.

Eu não devia ter fugido daquele monstro de fogo da realeza... para ter vindo aqui. - o seu olhar perdera as íris, estavam revirados. - Estava melhor com eles... Estes querem despedaçar-me! - as memórias da sua fuga passando pela sua mente fazia a culpa e o arrependimento aumentarem, enquanto a dor subia pelo eu peito e se estendia por todo o seu corpo. Embora o sufoco que passou com Mereoleona e Benjamin, nenhum dos dois o tentou fatiar em pedaços.

- Eu quase esqueci, idiota! - a fala de Azuli veio de repente. Enquanto Rhya caía após o feitiço de Nozel cessar, a menina dirigia-se até ele, que caiu no chão, causando um baque. - Não falámos ainda sobre o porquê estarem a tentar matar toda a humanidade! - ela agachou-se sobre o inimigo, que estava perto do desmaio. - Por acaso não são como nós? - perguntou ela, pondo as mãos na cintura e uma carranca no rosto, ignorando o estado esturricado e perfurado do homem. - Talvez eu devesse curar-te só o necessário... - ela ponderou, sentindo-se culpada.

Estou rodeado de malucos. - Rhya pensou, tentando afastar a memória das falas anteriores do rapaz da anti-magia e agora... - Esta rapariga também quer conversar?

Ao mesmo tempo que as batalhas na base do Olho do Sol da Meia Noite decorriam, William e Patry resolviam o quebra-cabeças que se esgueirou para as suas vidas.

O plano era certo: nós procurávamos as pedras mágicas e ficávamos com elas até ao dia da ressureição, fazíamos o terror na vida dos humanos e viveríamos em plena paz! Ehhh... agora que eu digo em voz alta, não resta dúvidas que magia negra estava por trás do meu renascimento e dos outros elfos. - Patry falou na mente de William, mantendo uma mão sobre o queixo, após um ataque de pânico. - Mas o Licht morreu e não voltou à vida connosco! Por que ele não veio junto?

Virando o rosto para a esquina do palácio, as orbes lilases de William fixaram-se na porta pela qual precisava entrar. Enquanto ele tentava manter a calma e a concentração, tinha de escutar os devaneios de Patry.

Por outro lado... - Patry puxou pela cabeça. - Se os outros elfos estiverem sob o efeito da magia negra, significa que o demónio culpado está entre nós? - com a sua pergunta lançada ao nada, William parou o seu passo, quase tocando na porta do escritório do Rei Mago.

Um demónio? Na Terra? - os seus olhos lilases arregalaram-se, o temor apoderando-se dele ao pensar nas possibilidades que um demónio livre poderia fazer.

Hum... - Patry permaneceu em silêncio.

Patry, um demónio?! - William guardava os seus gritos para ocasiões raras como esta. E a sua exaltação debateu-se contra Patry, a outra alma dentro do seu corpo.

Eu não tenho a certeza... William. - Patry admitiu. Por um momento, ele voltou a si e novamente a idade chegou à sua voz e às suas palavras. - Quando eu colocar as duas últimas pedras no monumento da Árvore da Vida, é possível que eu comunique com quem reviveu e pedir-lhes que não ataquem ninguém. No entanto, isso é apenas uma possibilidade. Tendo sido este um plano manipulado por um demónio, os objetivos dele são incertos. Tanto quanto a sua influência sobre os outros elfos é um mistério.

A magia que usaste para trazer o Terceiro Olho era magia negra, não era? O mesmo vai acontecer através da magia do monumento? - o capitão perguntou, a sua mão incerta se iria bater à porta ou se permanecia do lado de fora.

Quando a Fana, o Vetto e o Rhya vieram, eu manipulei-os para que tivessem os mesmos ideais que eu. Mas agora que sei o envolvimento de um demónio, eu compreendo que esses ideias já vinham neles, uma ideia implantada na mente deles pelo feitiço proibido. -a voz de Patry explicou. Antes que William voltasse a falar, Patry já tinha a resposta. - Se queremos manter o máximo de controlo sobre o caos, precisaremos que a Azuli utilize o seu feitiço neles.

E todos voltarão à vida? - essa pergunta fez a garganta de Patry apertar. A filosofia por detrás dessa decisão fazendo as suas mãos suarem frio e a vontade de se encolher sobre si aumentar.

Não, não poderão voltar à vida. A menos que as almas dos seus recipientes morram antes deles e os elfos se apossuem dos corpos... Neste caso, precisaremos da ajuda do outro rapaz, da anti-magia dele... Se ele for capaz. - Patry voltou à sua voz monótona, a mesma calma usada enquanto líder do Olho do Sol da Meia Noite durante estes últimos anos. - E isto é só uma suposição, não sabemos o que acontecerá no futuro.

Segurando na maçaneta da porta, William só disse mais uma coisa antes de entrar, uma preocupação pessoal.

Tu vais desaparecer, Patry? - foi a pergunta que ecoou na mente de William, e que Patry pôde ouvir no seu espaço mental, perto de uma árvore. A tristeza transmitida pelo interior de William sufocava Patry, que sentia a dor como se fosse dele.

A resposta não foi dada, e mais perguntas foram evitadas. Ao abrir totalmente a porta, William deparou-se com algo que faria o seu queixo cair, mas a sua postura manteve-se intacta. Por outro lado, a incredibilidade de Patry gritou na mente do capitão.

Ele deixou as pedras à vista de todos?!! Onde está a proteção?! Onde estão as armadilhas fatais?! Aquele rei é louco? - a sua voz acalmou-se, à espera de uma resposta sincera do amigo. No entanto, esse amigo estava ocupado a observar as pedras, atónico.

As pedras estão ali.

Sim, eu disse-te isso assim que entrámos. - Patry falou o óbvio.

Julius não está aqui...? - o olhar lilás procurou pelo escritório, os seus ouvidos ignorando os estrondos do lado de fora. Ao que aparenta, as batalhas do lado de fora permaneciam.

Não. Vazio. - Patry falou, rezando para que o devaneio do amigo não demorasse muito tempo.

Tudo bem.

"Tudo bem" o quê? - Patry questionou, a resposta sendo-lhe entregue em tempo recorde. William havia pegado as pedras e partido do escritório com elas.

É a tua vez, Patry. Tira-nos daqui. - William avisou, andando calmamente pelo corredor, sentindo uma mana próxima deles. Uma indesejada, mas conhecida.

Sem delongas, sem palavras, Patry tomou o lugar de William e teletransportou-se dali.

No corredor, ao virar a esquina, passos lentos seguiam-se de fumo a preencher o corredor, cujas janelas estavam fechadas.

Observando o arredor, olhos castanhos avelã observaram o corredor com um tédio fingido.

- Vangeance. - o nome saiu-lhe como uma maldição.

Como é que ele aparece aqui sem soar alarmes e sai sem problemas? - Yami questionou-se no corredor vazio. - O Julius colocou uma defesa poderosa ao redor deste edifício e... - os olhos de Yami estreitaram-se e pareciam procurar por algo. - Como foi que eu entrei aqui? Eu ia cagar, mas... - a dúvida permaneceu na sua mente.

- Tsc! Onde está o Julius?! - a paciência do capitão dos Touros Negros estalou, a branquidão dos seus olhos revirados ressaltando os seus nervos.

Com as últimas pedras na sua mão, Patry voltou ao crânio do demónio histórico da aldeia de Hage, onde Valtos, Rades e Sally mantiverem o monumento seguro até a volta do seu mestre.

O regresso ao monumento foi um peso sob os ombros de Patry e William, a culpa pairava entre os dois, esse foi um dos momentos que os faziam refletir. Por mais que eles tenham descoberto tanta coisa nas últimas semanas, o plano de anos de conspiração semeou muitos pecados em diversos lugares, lugares e pessoas, incluindo os três que caíam em frente do elfo.

Estando todas as pedras mágicas reunidas, a consciência de William perdia força, o que causou estresse sobre os ombros de Patry mais uma vez.

- William? - a voz rachada de Patry reverberou na área deserta, os seus únicos companheiros sendo os cadáveres dos sacrifícios. Rodeado por uma aura dourada, Patry ganhou as suas orelhas pontudas e a sua mana voltou à sua antiga força, com o diferencial de que era mais forte, já que estava num corpo adulto.

Com o poder libertado do monumento da Árvore da Vida, o reino era iluminado por colunas douradas, que se erguiam até o céu nublado. A surpresa que era um companheiro ou conhecido ser rodeado por uma luz forte desconhecida estava descrita nas expressões das pessoas que os observavam.

- E agora...? - o olhar estático de Patry pousou no monumento que irradiava poder branco perolado.

Cada foco de poder era sentido pelo reino, dos mais experientes aos menos experientes, a população sentia de longe o poder de cada nova alma a emergir na terra. O foco de todos estava nas colunas, que se erguiam até se perderem de vista, e foi nesse momento que as obscuras esferas negras pararam de aparecer pela capital. As batalhas na capital real há pouco haviam terminado, mas o que viria a seguir?

"E todos voltarão à vida?" - a pergunta de William regressou à mente do elfo.

- Todos voltaram à vida, William. - Patry sussurrou, deixando o seu olhar ser sombreado pela luz que atravessava o seu rosto. Respirando fundo, ele deixou a realização dos acontecimentos lhe baterem. - Mas não podem permanecer neste plano.

Acima do crânio, um pássaro empoeirava-se na estátua do príncipe antigo. Mas com um olhar para dentro do crânio ele decolou em direção à capital real.

No esquadrão dos Touros Negros, no esquadrão dos Pavões Corais, no das Rosas Azuis, no dos Reis Leões Carmesins, nas Águias e Prata e, como o maioral, o esquadrão do Alvorecer Dourado tornara-se o local mais iluminado por breves momentos. Cada fonte de luz deu origem a um ser humano ter as suas orelhas transformadas em pontas afiadas, a pele e os cabelos esbranquiçaram e ganharam um tom suave, mas as cores originais do humano recipiente mantiveram-se. Marcas vermelhas adornavam o rosto dos elfos e a aura dourada permanecia a circular cada um deles.

As consequências de ações passadas, decisões há muito tomadas, assolam o presente de Patry. E agora, essas consequências tornavam-se problemas de outras pessoas, magas ou não. Atacar os humanos, não atacar... Patry ainda teria direito sobre essa decisão? Ele teria uma ou duas palavras a dizer sobre o assunto? E mais... elas seriam aceitas pelos elfos? Estes pensamentos cruzavam e bagunçavam a mente de Patry. Apesar do conforto que sonhou em sentir ao notar novamente as manas dos seus antigos companheiros elfos, o anseio pelo seu amigo humano voltar a falar consigo e a redenção que sentia já estar atrasada por sua parte fez-lhe sentir um tremor pelo corpo. As dúvidas, a culpa, a ansiedade, as saudades, a vontade de viver e a de morrer misturavam-se numa bola de vácuo, que o mantinha na mesma página rabiscada para sempre.

Com Azuli...

Afastando-se de Rhya, o brilho que envolveu o homem refletia no olhar de Azuli.

- Menina... - Rhya levantava-se, com uma força e resistência renovadas. - Decerto não foste abençoada pela mana, mas... Sem dúvidas, tens um belo poder aí. - erguendo o olhar, os demais observaram a mudança na cor dos olhos, que se alteraram para um amarelo alaranjado. O cabelo outrora negro com uma madeixa branca, passou a ser o reverso, sendo branco com uma madeixa negra.

A aparência dele não mudou muito, mas as suas orelhas e a sua mana... Ele não é mais humano... É? - a dúvida cintilava no olhar de Azuli, que observava com curiosidade as mudanças em Rhya. O homem que há minutos parecia perto da morte, estava agora com uma aparência impecável, com exceção das roupas rasgadas. 


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