56#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

22-10-2025

Capítulo 56 - O conto de uma guardiã

"Em meio à multidão, o seu brilho assemelhava-se aos demais ao seu redor. Em meio à adversidade, o seu brilho tornava-se algo mais, uma porta para a salvação dos que em perigo estavam. O seu poder, outrora dividido em fragalhos, resplandecia sobre Clover e os vizinhos, tanto como aviso como para proteção."

- Em fragalhos como? - a voz de Azuli soou pela sala silenciosa.

- A sua mana foi dividida por uma maldição. Mas, pelo bem maior, o mago foi em busca dos fragmentos que lhe haviam privado de usar.

- Mago? Então o antigo guardião era, na verdade, um homem? - os olhos de Asta arregalaram-se brevemente, com surpresa óbvia ditada pela voz.

- Seria uma possibilidade. - a voz de Fuegoleon respondeu, apesar de não ter mudado muito a confusão dos adolescentes. O homem estava sentado em cima de um banco, enquanto Azuli, Asta, Noelle e Leopoldo se acomodaram no chão da biblioteca.

- Hã? - os quatro adolescentes questionaram, piscando para o olhar para o Vermillion.

- Não estás a fazer sentido, irmão. - Leopoldo comentou, partilhando da confusão dos amigos.

- Esta figura, cuja existência permanece viva através de uma lenda, não tem documentos oficiais da sua existência. Contudo, os seus feitos deixaram marcas neste mundo e o seu poder causou mudanças nos seres humanos que vieram depois da sua morte e ao mundo. Esta lenda, que vos estou a contar, foi escrita na época em que a guardiã viveu, mas ele conta como se a lenda fosse homem para o conto ser aceite naquela época.

- Porque nessa altura, as mulheres, no geral, tinham afazeres diferentes do que lutar pelo reino em batalhas. Então faz sentido que o autor tenha optado por essa estratégia, devido às vendas. - Noelle revelou, as aulas de história surtindo efeito.

- Exatamente. Tens um bom conhecimento sobre o assunto, Noelle. Como esperado. - Fuegoleon voltou o seu olhar para o conto que segurava. - Porém, as pessoas nem sempre seguem as diretrizes do seu tempo. Este autor utilizou uso da sua magia para escrever um conto à parte, como para escrever as palavras que realmente queria. E, com essa magia, ele entregou-nos um retrato bem revelador, se vocês quiserem ver... - Fuegoleon voltou o interior do livro para os adolescentes, que se inclinaram para a frente.

- Uma lua...? - a voz de Asta apareceu, mas foi cortada ao notar as mudanças no papel.

O que outrora era uma ilustração de uma lua, serpenteada pelos raios do sol, que a iluminavam, tornou-se na figura feminina que os quatro jovens observavam com espanto. Espadas enfeitavam a página, um mar estava sob os pés daquela que segurava o seu grimório. A surrealidade era pintada naquelas páginas, pois ao olharem para o grimório, viam como as folhas de um trevo de três folhas se afastavam e davam espaço para mais uma entrar.

"De certo, uma lenda em ascensão. Do nascimento, nascida comum, da sua jornada, feita um nome vivo. Uma quarta folha reescreveu a história ao que denominamos de "sorte" e os olhares se arregalaram com a visão. Perto da morte eminente, a maldição foi-lhe absorvida e transformada em força. Dos anjos aos demónios, o olhar negro os encarava e das suas costas o sangue escorria e afastava a dor, que em outro tempo era dos outros, e a acomodava no seu ser."

- O nome dessa pessoa não era conhecido? - Azuli perguntou.

- E que magia ela tinha? Ela parece ter sido muito forte. - mais uma vez, Asta quis voltar a olhar o desenho, mas como Fuegoleon tinha virado a página, ele só podia recordar-se da ilustração. Uma mulher cujos olhos foram ilustrados como negros, a sua pele clara e as suas roupas um manto. Uma arma como espada e um mar sob as suas botas. Mas não havia nenhuma pista que Asta pudesse ver sobre a magia que lhe pertencia. Seria as espadas?

- A magia dela foi amplamente discutida e muitas dúvidas permanecem entre os filósofos e a população. Uns dizem que ela era mestre dos elementos, como água, fogo, vento, e outros. Já outros, dizem que a magia da guardiã era uma anomalia.

- Uma anomalia? - os jovens perguntaram.

- Nessa época, as magias elementais eram as mais comuns no nosso reino. Pode ser que essa maga tenha uma magia fora desse conjunto e as pessoas não soubessem o que era. - foi Azuli quem supôs.

Fuegoleon acenava em concordância.

- Porém, a época em que a guardiã nasceu foi há cerca de mil anos. E foi nessa época que as anomalias começaram a surgir. Bem, não exatamente. Se se lembram, eu contei que a história acredita que foi essa maga que perpetuou a magia além dos elementos. Depois de um evento que a fez lançar o seu poder sobre todo o reino, que hoje é conhecido como Clover, os nascimentos posteriores surpreenderam a população. Os recém-nascidos, após demonstrarem os seus poderes pela primeira vez, causaram um alvoroço no reino. A elite e o povo tiveram inúmeras desavenças, e essa foi mais uma época em que a Guardiã foi reconhecida como tal, pois ela teve um papel fundamental na causa e na resolução da questão. O seu discurso chegou aos ouvidos das pessoas e o seu poder parou batalhas maiores.

- Incrível...!!! - as estrelinhas adornavam os olhos cintilantes de Asta e Azuli, cujos lábios se esticavam em sorrisos.

- Chega de contos, seu bando de falhados!!! - um estrondo ecoou pela anterior tranquila biblioteca. As portas que davam a entrada da recém-chegada lutaram para não saírem das dobradiças.

Com um suspiro, Fuegoleon terminou antes o que queria dizer: "Em suma, é importante conhecer a causa que levou ao povo a denominar uma maga com tal nome como Guardiã. A razão por que eles tão cegamente acreditavam na pessoa, que inicialmente não davam um segundo olhar ou estendiam a mão." - terminado, o Vermillion fechou o livro e levantou-se, abrindo os olhos para a mulher que encarava os adolescentes.

- O que estes pirralhos estão a fazer, trancados nesta sala de ratos? - a voz da mulher pareceu insultá-los. - Aqueles terroristas não são flor que se cheire. Não podem esperar um milagre nas batalhas sem nem preparar-se para ela.

Esta não...! - a platinada do grupo enlouquecia, deixando transpassar para o exterior sem delongas. Os seus olhos rosas encaravam a mulher diante deles.

- Irmã!! - Leopoldo pulou, pondo-se de pé, com um grande sorriso no rosto.

Os passos da mulher dirigiram-se adiante de Leopoldo, passando pelos obstáculos até chegar em quem os seus olhos se fixaram momentos atrás.

Hã? - Azuli devolvia o olhar da mulher, sem graça. - A minha mana está disfarçada com a magia do tio, ela não pode ter-me reconhecido, pode?

- Irmã, não encares as pessoas dessa maneira. É indelicado. - Fuegoleon falou, colocando um braço ao redor dos ombros de Azuli, cujos olhos celeste permaneciam nos azuis da irmã mais velha dos Vermillion.

Mas todos os irmãos encaram na mesma intensidade... - Noelle e Asta pensaram, simultaneamente, lado a lado, enquanto observavam a cena.

A prima Mereoleona não é de fazer silêncio. Isto não é normal dela... Será que... - a platinada encarou Azuli.

- Sou a Mereoleona Vermillion, irmã mais velha destes dois tolos. E tu, quem devias ser, menina das madeixas rosa? - Mereoleona mantinha o seu olhar colado na rapariga, e ela notou a curiosidade naquelas orbes tão dolorosamente familiares, como se um quebra-cabeças não se encaixasse, mesmo com a última peça colocada.

- É um prazer, sou a Azuli. Vim do vilarejo de Kai. - a menina sorriu.

- E eu sou o Asta de Hage!! - o rapaz intrometeu-se, apresentando-se logo em seguida.

- Ninguém te perguntou! - em instantes, uma pata de leoa ardente estava sobre a cabeça do anão da antimagia.

Ela é como o capitão Yami!!! - Asta lembrou-se do momento em que conheceu Yami antes do exame de admissão dos cavaleiros mágicos, apavorado.

- Vamos lutar!!! - outra pessoa interrompeu, mas desta vez foi Azuli, quem fez Leopoldo e Noelle engasgarem de espanto.

É louca?!!!! - ambos os primos pensaram, os seus olhos brancos revirados.

- Como é? Mal nos conhecemos e queres lutar contra mim? - a voz da mulher era zombeteira, mas o sorriso que se abria dizia algo mais.

- Isso mesmo! Eu vim aqui com os meus amigos para treinar com o Fuegoleon, mas já que tem alguém tão forte quanto ele aqui... - Azuli estreitou os olhos para a mulher que, não gostando do olhar, envolver a cabeça da menina numa para de leoa, mas isso não parou Azuli de falar o que queria. - Se nós lutássemos, gostava de saber quem venceria. Água ou fogo. - o olhar de Azuli iluminou-se, perdendo qualquer seriedade anterior.

Isto não pode estar a acontecer. - Fuegoleon suspirava, vendo o sorriso da irmã abrir-se mais a cada palavra que Azuli falava.

- O que acha, Mereoleona? Uma batalha amigável entre nós?! - a menina propôs, não percebendo que a sua proposta não tinha cabimento. Mas para Azuli, ela só queria lutar, com uma pessoa em específico. O pensamento fez-lhe pensar em Luck, o louco por batalhas, e ela não odiou.

- Eu alinho!!! - Asta gritou, a sua voz sendo ultrapassada pela risada estrondosa da Vermillion.

- Tu encaras-me assim e desafias uma realeza para uma batalha?! Não tens noção do perigo. - o riso foi-se mas a voz da mulher tinha um toque de diversão, os seus irmãos e prima Silva conhecendo-a o suficiente para afirmarem isso. - Vamos lá. - voltando-se para a janela, a Vermillion trouxe os quatro adolescentes como bagagens, com a sua magia.

- Mereoleona, usa a porta... - tarde demais, mas Fuegoleon tentou. Mereoleona já tinha pulado para o pátio do castelo através da janela. - Eu preciso treinar os meus cavaleiros para uma eventual batalha contra o Olho do Sol da Meia Noite, mas não posso deixar a Mereoleona matar a Azuli. - o homem suspirou, terrivelmente acabado.

Antes que o homem chegasse à porta, uma mulher passou por ela, fazendo o Vermillion travar o passo.

- Que surpresa... - o capitão olhou a mulher especada na sua frente. - A que devo a honra?

Na sua frente, belos cabelos prateados ondulavam entre os dedos esguios da jovem.

- O Nozel está ocupado, então resolvi vir até ti, já que és o único Vermillion adequado para mim. - a voz da mulher penetrou nos ouvidos de Fuegoleon.

No pátio, Azuli foi lançada para o canto paralelo ao de Mereoleona.

- Elas vão mesmo lutar? - uma gota de suor frio escorria pela bochecha de Noelle, que olhava entre Azuli e a sua prima, desordeiramente.

- A irmã Mereoleona não é de dizer palavras ocas, Elle! E a Azuli tampouco. - Leopoldo cruzava os braços, preparando-se para assistir à batalha.

Observando o arredor, Asta notou o KI de diversas pessoas, mas não via nenhuma.

- Eu sinto olhos em nós, mas não vejo ninguém. - Asta decidiu pôr os seus pensamentos em palavras.

- Este castelo pertence a toda uma linhagem de Vermillions, eles devem estar por aí a assistir, como sempre. - Noelle falou, o seu rosto voltando para a sua expressão controlada.

- Não só pessoas da nossa família, mas guardas, visitantes, trabalhadores, várias pessoas. Há sempre olhos à espreita. - o mau-humor parecia atacar Leopoldo, antes do rapaz receber uma cutucada de ombro de Noelle.

- Nesse caso, vamos só prestar atenção àquelas duas. É muito menos estresse, o que é impressionante. - a platinada sugeriu.

- Sim, minha rival!

- Não somos rivais. - Noelle corrigiu-a.

- Rival de treino!!

- Nem faz sentido. - a menina continuou a negar.

- Pronta! - Azuli gritou, pondo-se em bicos dos pés enquanto gritava.

Um sorriso afiado da Vermillion foi tudo o que Azuli teve em resposta, e foi o suficiente, fazendo a menina soltar o seu próprio sorriso atrevido.

Zona de mana, acho que não posso passar um segundo nesta luta sem ela. - a Touro Negro pensou, a sua zona de mana ativada desde o grito que deu no início. - O meu controlo da mana melhorou, por isso...

Azuli guardou a sua varinha.

Eu uso esta varinha há tempo demais. Nestas batalhas que virão, tenho que me desapegar dela. - a menina fechou os olhos, até ouvir uma voz perto de si.

- Fechar os olhos numa batalha não é uma escolha inteligente. - era a voz de Mereoleona.

- Os olhos nem sempre são necessários. - Azuli retrucou, desfazendo-se em água.

Ainda não entendi como, mas a magia de clones da Nebra ficou-me na mente. - a menina encapuzada pensou, distante da Vermillion, que esmurrava o seu "clone".

Um clone?!! - os três espectadores pensaram. - Quando foi que ela ganhou esse feitiço? - eles tinham perguntas, mas uma variável estava sempre no caminho das suas questões. O tal tio que Azuli falava parece tê-la ensinado um estilo de magia bem diferente, algo que ultrapassava o uso do grimório.

Sem grimório, não foi um feitiço. - Mereoleona pensou, antes de voltar a correr até à menina. - Mais uma vez... - Mereoleona esmurrava um clone, salpicando água em si. Com o canto do olho, lentamente o seu olhar foi parar nos três jovens expectadores. - Eles estão mais azuis ou...?

Reino do Dragão do Mar... - dentro de uma esfera, Azuli permanecia fora dos olhares. - De maneira alguma eu poderia permanecer numa batalha contra uma maga como a Mereoleona desprotegida da sua velocidade e força. Mesmo se eu usasse apenas o "Santuário da Dragão do Mar" não seria o suficiente para abrandá-la. Ao menos assim, tendo a Mereoleona com os movimentos prejudicados pela água, talvez eu... O que eu estou a pensar? - o pensamento da menina soou derrotadamente divertida, um sorriso singelo se estendia pelos seus lábios enquanto notava a água esquentar ao seu redor.

- Claro que aquilo não seria o suficiente... - Noelle suspirou.

A mana da Naomi já se vai esgotar e a batalha ainda nem pode ser chamada de tal!! - Noelle reclamava, interiormente. - Mas ela é da realeza, e tem mana de sobra, hmpf! - ela pensou novamente.

Fazer o quê, há momentos em que não podemos esquivar-nos. - Azuli pensou, antes de pegar boleia no interior de um dos dragões do santuário, que nadou pela enorme e estranha esfera, habilmente, até à mulher que explodia em chamas.

Ambas as magas se encarando, mesmo atrás da água que as separava, as duas foram uma contra a outra.

Umas vezes, nós só temos que nos atirar de cabeça!! - Azuli pensou, chegando cada vez mais perto da Vermillion, e sentindo cada vez mais a água escaldar. - Gostava de poder lançar uma esfera concentrada de poder nela, mas isso iria requerer muita precisão no lançamento, além de que o alvo poderia esquivar-se...

A colisão veio em meio aos pensamentos de Azuli.

E... a luta continuava. Porque não importava se adultos deviam manter a seriedade e conhecer os limites dos outros e aconselhá-los no seu progresso, pois foi Azuli quem disparou no momento seguinte, e foi ela que provocou o sorriso de besta de Mereoleona, que voltou-se contra a menina, como uma besta selvagem à caça da presa teimosa. Então a água respingava pela relva e a mesma queimava na hora. Notando instantaneamente o perigo que os cercava, Noelle e os dois rapazes abrigaram-se por perto, longe o suficiente para ter uma boa visão da batalha, e longe o bastante para não sofrer danos.

- Magia de água? - o sorriso de Mereoleona queimava no seu rosto.

Apenas água, ou uma variação bem interessante! - a Vermillion pensou, antes de explodir a onda que vinha contra si, na frontal. Logo, as ondas que vinham por trás e pelos lados também esquentaram e, por fim, Mereoleona explodiu-as sem dó, socando as enormes ondas de água, que faziam sombra sobre o pátio.

Ela não ativou a zona de mana, pelo o que eu noto. - Azuli pensou, lançando logo a sua próxima onda de ataques, sempre observando e sentindo o KI da mulher. O calor das chamas altas que emanavam da Vermillion cintilava no olhar da Touro Negro, e ela sorria com a visão. - Será que forma um arco-íris?

Não é bom ficar aqui lançando ataques, preciso de uma estratégia. - Azuli pensou, desviando-se, por sua vez, uma maré de fogo, que queimou o pátio atrás de onde havia estado.

- Eu devia ter aproveitado mais o Reino do Dragão do Mar para enfraquecê-la um pouco, assim não dá. - ela queria rir de si mesma, mas decidiu controlar-se.

Ela fala sozinha? - Mereoleona reparou na menina, que voava dentro da sua zona de mana, a falar para o nada.

- Se planeias enfraquecer-me, tens de vir para a luta!! - Mereoleona gritou, finalmente ativando a sua zona de mana para alcançar Azuli, que voou mais longe no céu.

- Uma coisa interessante, é que a água pode influenciar o clima de um jeito incrível. - Azuli sorriu, subindo mais alto no céu, quando parou. - Isto não é o mesmo que estar no mar, mas...

Quando um berro de guerra de Mereoleona a ia interromper, a humidade do ar aumentou. O vento passava fino e as correntes de ar apareciam algures ao redor de uma extensa área, tornando-se mais fortes e consistentes com o passar dos segundos.

Eu nunca pude usar toda a minha mana, mas o ambiente nunca me negou a sua ajuda. - com os olhos bem abertos, Azuli apreciava as correntes de água que se formavam, ao mesmo tempo que as correntes de ar espalhavam a frieza pelo ar.

Mereoleona continuava o seu avanço bruto contra todas as correntezas até Azuli, mas mesmo ela parou para notar o seu arredor.

Isto é magia da natureza? Ela está a interferir com a minha zona de mana? - o olhar azul da maga das chamas estreitou-se. - Mas isso não é suposto acontecer, se nem mesmo as zonas de grande mana natural prejudicam o seu uso. - o sorriso dela fechou-se, mas permaneceu no seu rosto. - Aqueles dois idiotas ainda têm dúvidas em relação a ela?

- Miúda, tu tens aí um poder interessante. Mas antes de desafiares alguém para um confronto de vida ou de morte, certifica-te de que estás disposta a morrer sem descobrir o que tens de especial! - Mereoleona ultrapassou as correntes de ar e de água, e plantou um soco no rosto de Azuli.

- Sabe, eu levo muito a sério os meus oponentes. - uma voz ao longe chamou-a à atenção, fazendo a leoa olhá-la e o seu sorriso afiado voltar.

- Outro clone. - ela concluiu, vendo a imagem de Azuli evaporar após o ataque.

- Sim, eu queria ter tempo para mostrar a minha flor favorita aqui, mas eu não conseguiria se alguém me tirasse a concentração. Não com um soco desses. - uma grande gota de suor desceu pela nuca de Azuli, que falava com a mulher acima de uma das torres de vigia dos muros internos do pátio.

- Flores? - a confusão pintou o rosto da Vermillion, a sua emoção surpreendentemente controlada.

- Essas flores. Eu já consegui o que eu pretendia desta luta. - Azuli admitiu, após gesticular para as correntes de água que inundava o ar e o solo surrealmente.

Pelas correntes de água, belas flores roxas e outras azuis pequenas cresciam, inundando a visão dos espectadores.

Com as costas da mão, Mereoleona estourou as pequenas esferas de água que saíram das flores azuis.

- Um bom truque... - a mulher sorriu-lhe. - Talvez contra um idiota. - ela atirou.

- Eu tenho que dar um uso a essas flores, elas são muito versáteis, acredite! - a menina pulou de cima da torre e voltou para o solo, onde a se mostrava ter sido renovada, enquanto a água se alojava em um lago, que aumentou de tamanho com a sua adição. - Hummm, água criada com mana da natureza é difícil fazer desaparecer. - Azuli observava o lago, antes de voltar a sua atenção para a leoa.

Antes que Azuli notasse, Mereoleona já a havia pegado e começado a andar até aos três jovens que a acompanhavam.

- Isso foi espantosoo!!!! A água literalmente queimou o solo e depois a devolveu ao estado original!! Ela estava morta! - Asta acrescentou, no seu estupor, enquanto avançava contra Azuli, em êxtase.

- Mesmo com a tua condição, não há nada que te pare, minha rival!! - Leopoldo avançou contra a menina, empolgado.

E não deixa dúvidas de que és minha prima! Mais uma vez!! - Leopoldo pensou.

Não demorou para os quatro jovens entrarem no seu próprio mundo, e foi nessa ocasião que Mereoleona desapareceu de vista.

Passeando pelos corredores, a leoa abrir a porta do escritório onde sabia estar o seu irmão mais novo.

- Fuegoleon! - a mulher fechou as portas com um estrondo, o seu rosto animado. O seu olhar pousou logo numa platinada familiar. - Nebra. - os seus olhares cruzaram-se.

- Boa tarde. - Nebra falou, afastando-se da janela.

- Aproveitaram o espetáculo, vocês os dois? - a leoa perguntou, mostrando os seus caninos afiados.

- Foi... tão espantoso quanto me lembro do exame de admissão da Azuli. Ela é, de facto, um prodígio. - Fuegoleon falou, solenemente.

- Ahh, e tu, Nebra? - a leoa aproximou-se da jovem adulta, a timidez que ela mostrava não sendo habitual da jovem realeza dos Silva.

- Uma exibição impressionante... para uma plebeia. - ela concluiu, brincando com uma madeixa do seu cabelo, apoiando o cotovelo com que mexia com o outro braço.

- É? - Mereoleona sorriu-lhe. - Talvez queiras lutar um combate a três na próxima vez - eu, tu e a Azuli. Ou a quatro, juntando a tua irmã caçula Noelle.

- Irmã. - Fuegoleon interpôs-se na conversa. - A Nebra e eu precisamos conversar um assunto privado, se nos puderes deres licença.

- Eu tenho que conversar também sobre um assunto do teu interesse, irmão. E admiro-me que tenhas tantas dúvidas sobre ele ainda. - o sorriso em Mereoleona desvaneceu-se. O seu olhar passou por Nebra por um tempo. - Mas pode esperar. - ela deu de costas. - É um assunto privado. - a seriedade da sua voz não passou despercebida ou foi mal interpretada por Fuegoleon e Nebra.

Com o baque da porta e os passos a afastarem-se do lado de fora, Nebra falou.

- Ela sabe?

- Ela sabe o que descobriu por conta própria, e isso, sim, inclui a conversa que ela escutou entre mim e o Nozel. - Fuegoleon voltou-se para Nebra. - Eu peço-te que não fales deste assunto com ninguém para além de mim ou do Nozel. É um assunto bastante delicado, especialmente agora que uma falsa Naomi entrou numa das famílias reais.

- Não quero espalhar esta notícia a ouvidos indesejáveis, o que eu quero, principalmente, é manter a casa Silva em segurança.

- Eu entendo...

Vendo Fuegoleon à espera de algo, Nebra vagou sem rumo pelo escritório.

- Então, eu queria saber a tua opinião, primo Fuegoleon. - ela parou de andar. - O que achas da Azuli? A sua condição... é a mesma que a minha irmã pequena, Naomi. A idade é a mesma, a cor dos olhos é a mesma... Tens outros aspetos, como o cabelo e a mana, que não batem certo, mas a possibilidade não é nula. Conheço quem seja capaz de camuflar a sua mana de forma diferente do que só apagar a sua existência. Quanto à Naomi que nos foi apresentada... - o olhar de Nebra tornou-se distante em pensamentos, mas o seu olhar fitou o de Fuegoleon. - Ela não tem tanta mana quanto a Naomi tinha, nem mesmo depois do incidente dela em bebé, a sua personalidade é completamente difusa, como se não tivesse vontade própria, e... nem uma única vez aquela chama apareceu no seu olhar como quando pequenas.

- É como se alguém colocasse uma boneca a ocupar o lugar da verdadeira Naomi, eu penso assim. - Fuegoleon comentou, sentando-se na sua cadeira, fora da mesa. - Esta hipótese é a mais forte que eu tenho, mas preciso conversar com o Nozel antes de te poder contar, Nebra. Se tu falares com ele e lhe contares as tuas suspeitas, ele...

- Ele vai ignorar e seguir a sua busca completamente sozinho. - Nebra interrompeu-o. - O Nozel tem a mania de resolver tudo sozinho. Ele fazia isso quando criança e agora está pior. - a mulher respirou fundo. - Esta conversa foi esclarecedora, obrigada, Fuegoleon. - ela agradeceu, antes de sair porta fora, deixando Fuegoleon a olhar para a porta entreaberta, o silencio acomodando-se na sala.

Com Azuli...

- Ei, Azuli, aquele não é o Benjamin? - inclinado sobre a varanda, Asta tentava ver melhor a pessoa ao longe.

- Parece ele, mas... por que ele não vem aqui? - Azuli perguntou, juntando-se a Asta na varanda.

- Ele pode querer que tu vás até ele. - Leopoldo supôs, fechando o grimório que lia.

- Vocês não se tinham encontrado ontem? - ao seu lado, Noelle perguntou, em dúvida. Porém, estava quase certa de que a resposta era "sim".

- Nós tínhamos, mas... Para ele estar aqui, suponho que alguma coisa mudou. - Azuli temeu com o pensamento.

"- Não vai haver casamento. - a voz de Benjamin soou entre as cortinas do quarto de Azuli."

"- Isso ainda era um destino iminente? - a voz de Azuli veio."

"- Não mais. Não haverá como. - o mago do gelo falou, o vento afastando as cortinas para o seu corpo aparecer aos olhos de Azuli."

"O seu KI está calmo, mas por que parece uma tempestade a formar-se? - a menina pensou, observando o rapaz."

Voltando o seu olhar para o rapaz distante, Azuli afastou a lembranças da sua mente.

- Não vou descobrir nada se ficar aqui! - decidida, Azuli pulou varanda abaixo, começando a correr até ao rapaz White.


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