40#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

15-04-2025

Capítulo 40 - Missão aceite

Um brilho verde resplandecia pela espaçosa sala em meio ao silêncio dos capitães, que observavam cada movimento antecipadamente. Seguindo com o olhar, no centro da sala, ao som de vidros a quebrar e os estilhaços a se espalharem pelo chão, um gritou ecoou pela sala.

- F-Fa-Fa-Fantasmas!!!!!!!! - horrorizado, Finral escondeu-se atrás de Vanessa.

- Como poderia ser aquilo fantasmas? - perguntou Leopoldo, olhando as estranhas manas com a cabeça ligeiramente inclinada enquanto uma mão segurava o seu queixo. - A alma deles saiu do corpo? - perguntou ele, fazendo Finral dar um pulo antes de tremer completamente.

Intrigadas, Noelle e Vanessa admiravam os dois pequenos brilhos azuis translúcidos, que perdiam o brilho à medida que entravam nas esferas verdes das árvores que os mantinham saudáveis.

O que aquelas coisas vão fazer, indo para perto do Rei Mago e do secretário? - pensou Noelle, os olhos brilhantes e um rubor rosa a enfeitar as bochechas ao olhar as estranhas manas que exalavam energia.

Os fracos brilhos podiam ser vistos através das formas fantasmagóricas de ambos os homens. Em guarda, todos os olhos voltaram-se para as árvores. Das raízes às folhas, um brilho negro como o céu da noite rastejava por cada parte delas, as folhas apoderavam-se do seu brilho negro enquanto suaves raios brancos como a luz refletida pela lua da noite resplandeciam de cada uma. As esferas verdes tiveram a sua cor modificada conforme a negridão se alastrava em todo o seu redor. Aos poucos, as esferas iam diminuindo como se estivessem a ser absorvidas.

As árvores mudavam a olhos vistos, os presentes na sala começavam a ficar agitados, dúvidas e arrependimentos surgiam. O que eles viam era de desconhecimento geral, entregar a vida do seu rei era uma aposta muito alta, mas essa também foi uma das razões pelas quais os capitães cederam ao pedido da jovem cavaleira mágica, Azuli. Para salvar os dois, era necessário arriscar, a razão: nenhum outro método era de conhecimento dos capitães.

As sombras de todos foram ofuscadas pelo brilho branco cegante que preencheu a sala. Os grimórios dos capitães davam sinais de vida.

Azuli olhou para a frente. O que via deixou-a desorientada por alguns momentos, mas rapidamente entendeu quando ouviu um barulhinho atrás de si que a fez virar a cabeça. Os cantos dos lábios de Fuegoleon estavam levantados em um sorriso, mas o braço que usou para proteger os olhos do brilho escondia-o. Em volta de Azuli, um casulo de mercúrio protegia-a. Nozel baixava o braço que usou para o criar, os seus olhos mantinham-se abertos, a vermelhidão não escapava aos olhares atentos.

- Hum... - Vanessa olhava para Nozel - Vejam... O ogro rude ainda sabe comportar-se como um cavalheiro. - sussurrou Vanessa, o seu olhar travesso enquanto tocava no que a protegia.

Noelle olhava estranhamente para o que rodeava a si, a Leopoldo, a Vanessa e a Finral, que se mantinha escondido atrás de Vanessa. Era estranho, mas ela não pôde evitar que o seu olhar possuísse um brilho especial, um feliz... Um casulo de mercúrio envolvia-os.

Esse ato despertou emoções no fundo das gêmeas, um sentimento que elas não sabiam distinguir.

- Vais manter isso para sempre, Trancinhas? - perguntou Yami que, apesar da zombaria, o seu olhar mantinha a ansiedade oprimida desde que colocou os olhos em Julius na masmorra.

Respirando profundamente, Nozel, com um movimento da mão, fez baixar as duas cúpulas. Enquanto isso, um riso divertido, apesar de fraco, ecoou pelos ouvidos dos demais.

Dando um passo para o lado, Julius apanhou Marx, que não se aguentava em pé após a árvore em que era preservado ter desaparecido em meio à luz.

- Tsc... Esse velho passa por uma experiência de quase morte e o que ele faz é rir. - comentou Yami, o cigarro a chegar ao fim.

William, que olhava de lado para Yami, voltou o seu olhar para Julius.

- Julius... - William avançou em direção ao homem, que olhou para ele. - Como se sente? - antes de Julius responder, outra pessoa se adiantou.

- Como foi terminar daquele jeito? - Charlotte avançou, o seu olhar sério. - Precisamos deter o culpado e fazê-lo pagar pelos seus crimes.

- Ahh, sinto muito preocupar-te, Charlotte... A todos vocês, na verdade. - Julius olhou para todos na sala.

- Atacar o Rei Mago é um dos crimes mais graves do reino... Não preciso lembrar isso... Era o que eu achava. - comentou Nozel, não achando graça a toda a situação.

- Kakaka! Dê a ordem e eu fatio esse fugitivo com as minhas lâminas. - disse Jack, lambendo as lâminas mágicas nos seus braços.

- Lorde Julius, com certeza fez uso de alguma estratégia contra o inimigo. Diga-me quem é e eu mandarei os meus cavaleiros em busca do culpado. Fufufu! - riu-se Gueldre, o seu característico sorriso sempre no lugar.

- E os prisioneiros! Eles escaparam do interrogatório? São eles os culpados? - perguntou Rill, os punhos levantados na medida do peito.

Dorothy criava sons como se tentasse falar, mas ninguém entendia o que dizia.

- Antes de tudo precisamos saber com quem estamos a lidar. - concluiu Fuegoleon, seriamente, antes de olhar para Julius. - O que pensa, Julius? O ideal seria uma reunião de emergência. Se alguém teve a coragem de entrar no quartel general e enfrentar o Rei Mago, não sabemos o que mais ele é capaz de fazer contra o reino. - explicou Fuegoleon.

- São cegos para não repararem. - zombou Yami, enquanto acendia um novo cigarro. - O homem está visivelmente a divertir-se com toda a situação. Ele é um tipo estranho. - Yami exalou o fumo do cigarro.

- Ahah! Não exatamente, mas a magia dele pegou-me desprevenido, de fato. - Julius permitiu que William pegasse em Marx. - Embora tenhamos sido atacados, muita informação foi-nos fornecida. - sorriu Julius.

- Além de tudo, penso que temos aqui mais uma pessoa que se encontrou com o culpado. A cura para o Rei Mago e para o Marx deve ter vindo do próprio causador... - Nozel olhava para Azuli, o seu olhar desconfiado, até um estrondo ecoar pela sala. A porta havia batido com força contra as paredes.

- Ahh... Ah, sentimos muito! Nós viemos o mais rápido possível, mas...

- Muitos obstáculos para ultrapassar! - gritou o rapaz apressadamente, trancando a porta dupla e correndo para perto dos amigos.

- Ah! Se eu soubesse que isto iria acontecer... Eu teria derrubado todos de uma vez!! - gritou a fada barulhenta.

Yuno aproximou-se dos Touros Negros e parou, o seu olhar a procurar por alguém.

- O Asta? Ele devia estar aqui, não? - perguntou Yuno.

- Eu perguntei-me o mesmo. - admitiu Noelle. - Pensei que o Asta estaria na masmorra junto ao secretário do Rei Mago, mas não o vi até agora.

- Podemos resolver essa questão rapidamente. A pessoa que nos pode esclarecer está nesta sala. - disse Finral, olhando para o homem de manto vermelho, os jovens cavaleiros seguindo o exemplo. Mimosa, reparando no homem do cabelo cortado à tigela nos braços do seu capitão, avançou em seu socorro.

Azuli, desde o início em frente a Julius, falou primeiro.

- Tio, por que o Asta não está com vocês? Pensei que precisavam da sua ajuda pela antimagia dele. - disse Azuli, frente a frente com Julius, que a olhou enquanto o seu sorriso se desmanchava.

Yami direcionava toda a sua atenção para Julius, cada movimento do rei, cada emoção que o KI lhe permitia notar.

- Eu levo-vos até ele. Garanti a sua segurança, não há motivo de preocupação. - disse Julius, abrindo um sorriso. - Mas antes... Há um assunto urgente que precisamos resolver. - disse ele, olhando para os capitães.

O silêncio instalou-se na sala.

Julius, apesar da sua postura amigável, provocou tensão sobre todos.

Um tempo depois... Na sala de reuniões dos capitães...

- Perdi a minha oportunidade de mostrar ao Rei Mago a minha antimagia em ação em combate! - ouviu-se Asta lamentar ao fundo, sentado perto dos amigos.

No centro da sala, os capitães estavam sentados nos seus lugares de costume à mesa, mas um lugar sobrava.

- O Olho do Sol da Meia Noite... É uma organização terrorista anti-Clover. Formada com mais de cem magos. Todos eles opositores ao reino Clover. Licht, o possuidor do grimório de quatro folhas, é o mago responsável pela sua fundação há seis anos. O líder Licht e o Terceiro Olho são a sua maior força de combate. O seu esconderijo é constantemente deslocado de uma zona para outra, na região exterior. Todos os seus membros possuem um forte ódio pelo reino de Clover, o que incita os seus atos terroristas. O seu objetivo é a fundação de um país independente. - revelou Julius ... A tensão na sala era palpável, mas os capitães olhavam intensamente para o seu colega capitão. - Agradeço a confiança que depositaram em mim, mas está na hora de esclarecer a causa de tudo isto. - Julius sorriu. - Marx... Faz o favor de mostrar as memórias guardadas referente ao traidor.

- É para já!

Em instantes, várias telas mágicas azuis claras apareceram no fundo da sala, e uma voz apareceu junto à imagem do Rei Mago.

Qual é o nome do capitão traidor... que colaborou com o Olho do Sol da Meia Noite? - Julius havia perguntado aos prisioneiros.

Ele é... O capitão das Orcas Púrpuras, Gueldre Poizot. - haviam confessado ambos os prisioneiros cabisbaixos, simultaneamente. Os seus olhares pareciam ter perdido qualquer emoção.

Com os olhos a arregalar, o capitão contestou.

- N-Não!!! - gritou Gueldre, a plenos pulmões, imóvel. - Como se eu fosse trair o meu próprio reino!! - gritou ele, atraindo olhares de todos.

- Não queria dizer isto, mas... Ouvi alguns rumores sombrios sobre ti... - confessou Charlotte, olhando Gueldre de cima. - Mas pensei que fossem só rumores.

- Sabia que escondias alguma coisa, mas isto... - disse Jack, olhando Gueldre com o seu olhar afiado.

- Não brinques comigo, idiota!!! - gritou Gueldre para Jack, enervado. - Eu jamais faria isso! Eles mentiram para que eu fosse visto como um traidor para encobrirem o verdadeiro culpado!!

- Eles responderam sem mentiras, unicamente com a informação que eles têm. A minha magia de memória é absoluta! - Marx defendeu a sua magia.

- Tem calma, Presunto. - pediu Yami. - Por que não consentes logo o Cabeça de Cogumelo usar o seu poder para ver as tuas memórias? Assim podias mostrar que eras um presunto limpo.

- É que... - Gueldre não continuou.

- Ao invés disso... Acho que já sabes que tentar escapar não é uma opção. - disse Yami, vendo Gueldre preso na pintura de Rill , que foi imobilizado após ele ter tentado escapar da reunião mais cedo, quando chegou à conclusão de que seria acusado de traição após uma conversa do Rei Mago e do mago guardião pelo caminho.

- Existe a possibilidade dele ter sido manipulado pela magia de alguém. Não podemos deixar isso passar. - comentou William, o seu sorriso sempre presente.

- Há muitas coisas que precisamos esclarecer, Gueldre. - disse Julius, aproximando-se de Gueldre, que se mostrou aflito.

Ao fundo, os nove jovens cavaleiros mágicos observavam o desenrolar da situação. A expectativa de ver uma reunião dos capitães foi superada neste momento. Todos tinham consciência que o rumo das coisas ia mudar. E mais, o Olho do Sol da Meia Noite não era um completo mistério agora... Eles estariam atentos, afinal a confiança não pode ser cega... Mesmo um capitão não é perfeito, ele comete erros, ele comete traições... A liberdade para tomar decisões era uma realidade com a qual eles teriam que prestar contas um dia. Os sonhos de cada um... Os jovens ingênuos terão que mudar a sua visão acerca do mundo para encontrar o caminho acertado.

O Olho do Sol da Meia Noite está... infiltrado nos cavaleiros mágicos... e onde mais? - o pensamento passava pelas mentes dos jovens cavaleiros. Os seus olhares denunciavam que cada um estava no seu próprio mundo, as suas mentes estavam dispersas.

Sob o olhar da jovem de capa vermelha degradê, a escuridão havia-se apossado do capitão caído.

Até onde ele chegou... para o seu interior mostrar tamanha cobiça indiscriminada? - pensou Azuli, a sua visão vendo o interior obscuro do capitão das Orcas Púrpuras... Melhor antes: ex- capitão das Orcas Púrpuras. - Ele ri-se sob um pedestal...

Andando até Gueldre, Marx conjurou outro feitiço. Um capacete com espinhos mantinha-se acima da cabeça de Gueldre, uma haste mágica subia dele até ao teto. Dispostos como ramos de uma árvore, várias telas mágicas apareceram acima do antigo capitão. Diferentes memórias passavam pelas telas. Qualquer duvida que restava, agora era dissipada com as atrocidades que vislumbravam. Com a emoção à flor da pele, mas longe dos rostos, os capitães não aguentaram ficar sentados.

- Gueldre, tudo o que nos contas-te até agora é verdade? - perguntou Julius, o sorriso nos lábios.

Sem poder resistir, Gueldre confessou.

- É, sim.

- Ele continuou a pilhar e a vender itens secretos de alto poder mágico... Contrabandeou poções mágicas perigosas e acima de tudo, abusou e cometeu violência contra os seus próprios subordinados. - disse Yami, com o cigarro nos lábios. - Antes mesmo dele nos vender, o seu histórico já era negro. Suponho que ele seria mais adequado para os Touros Negros. - comentou Yami, fazendo os ouvidos dos jovens Touros Negros prestarem atenção.

Sem chance! - pensaram os Touros Negros, alarmados.

- Ka! Deixa de dizer idiotices. - mandou Jack a Yami, ainda olhando para as memórias.

- Era por isso que ele não queria que a sua memória fosse lida por essa magia. - supôs Charlotte, olhando as memórias. - E o pior de tudo... Ele sequestrou os os magos da barreira. Essa é a evidência mais sólida da cooperação com o Olho do Sol da Meia Noite. Foi assim que eles entraram na capital real.

- Ele ficou deslumbrado por itens raros e por isso fez um acordo com terroristas... Que idiota. - insultou Nozel, a sua voz calma como de costume.

- Um traidor entre a mais alta patente da linha de proteção do reino Clover... Devíamos ter investigado e tirado a limpo as nossas suspeitas há mais tempo - comentou Fuegoleon, a lembrança da dor latejante do seu braço naquele dia fez o seu ombro formigar. O seu pensamento foi para a população que sofreu o ataque dos mortos vivos.

- Por mais triste que possa ser, esse é o tipo de homem que ele é. - disse Yami, com o cigarro em mão enquanto exalava o fumo dele.

- Acredito que os magos sequestrados foram mortos pelos terroristas. - disse Marx, atento nas memórias, enquanto Julius se virava para os capitães.

- Isto é um fiasco sem precedentes. - disse Julius. - A principal função do exército de cavaleiros mágicos é proteger a vida dos cidadãos do nosso reino, mas aqui temos um que nos traiu...Para evitar o caos na população, este assunto não se tornará de domínio público. E para garantir que isso não aconteça novamente, todos os esquadrões deverão ser avaliados para nos assegurarmos de que não existe influencia rebelde nem conexão com o inimigo.

- Sim, senhor! - todos os capitães saudaram o Rei Mago.

- Isto é tudo... Regressem aos seus postos e comecem as investigações. Marx, continua a questionar o nosso... convidado.

- Sim!

Os capitães começaram a sair, deixando a sala vazia. Mas antes, trocaram algumas palavras.

- Já perdemos tempo demais hoje. - Klaus levantou-se da cadeira e ajeitou os óculos. - Mantenham o bom trabalho nas missões, pessoal. - disse ele, olhando para os amigos, Leopoldo, Vanessa e Finral.

- Azuli, cuida bem da tua saúde. Não queremos que nenhum desastre aconteça antes de alcançares o teu sonho. - disse Yuno, frente a Azuli, que se levantou.

- Não posso prometer nada, Yuno. - disse ela, antes de Yuno a olhar fixamente. - Mas claro que vou tentar, eheh. - riu-se ela, fazendo Yuno desviar o olhar.

- Até breve, Asta. - despediu-se Yuno, andando até à porta onde Klaus esperava. - Vê se não tornas a competição fácil.

- Ah, Yuno!!! Eu vou ser o Rei Mago, seu rapaz lindamente idiota! - gritou Asta, colocando um sorriso aberto no final.

- Vamos combinar sair um dia destes, pessoal! Todos juntos. - disse Mimosa, sorrindo para os amigos.

- Já vais, Mimosa? - a ficha caiu em Noelle. - Nesse caso, nós acompanhamos-te até à saída. - disse Noelle, pegando na mão de Azuli e Leopoldo e levando-os consigo.

- Um momento, por favor! - a voz chamou atrás deles, que olharam curiosos.

- Todos os Touros Negros, fiquem. Tenho um assunto pendente a tratar com vocês, aproveitando que estão aqui. - disse Julius, baixando a mão com que sinalizou para não irem embora.

Ele descobriu das missões em que participei bêbada? - perguntou-se Vanessa, nervosa.

As minhas fugas das missões para falar com meninas bonitas foram descobertas?! - pensou Finral, tentando parecer normal mas branco como a neve.

- Leopoldo, vamos. O nosso dia será atarefado. - disse Fuegoleon, ao passar pelo irmão. - Fiquem bem, meninos.

- Vamos ter alguma missão excitante?! - perguntou Leopoldo, com os punhos levantados em entusiasmo. Antes de passar pela porta, ele virou-se para os amigos na sala e os à porta. - Até breve, meus amigos! - despediu-se ele, recebendo um coro de despedida de volta dos amigos.

- Eu tenho que ir também. Até à próxima! - Mimosa sorriu em despedida e juntou-se a Yuno e Klaus.

- Azuli, não é mesmo?! - Rill pegou animadamente nas mãos de Azuli com as suas e balançou-as em um aperto de mão. - Ouvi falar muito de ti! Vamos tomar um chá juntos! Eu farei uma pintura magnifica com uma inspiração como tu! Ah, não me apresentei! Eu sou o Rill e tenho dezanove anos! - Rill balançou as mãos com as de Azuli animadamente para cima e para baixo.

- Ah... Eu sou a Azuli e tenho quinze anos. - respondeu Azuli, tentando manter o raciocínio frente ao entusiasmo do jovem capitão.

- Uau! Tu és mais jovem! Ei, Azuli, sê minha amiga! - pediu Rill, pousando no chão após o pulo de entusiasmo.

- Eh.. Claro! Seremos amigos. - concordou Azuli, sorrindo.

- Eh! Amigo de um capitão?! Como pode ter dezanove e ser um capitão, aliás? - exclamou Asta, com estrelas nos olhos, surpreendido.

- Vocês são amigos da Azuli, não é? Seremos amigos também! - disse Rill, dando uma olhada apressada aos Touros Negros, contente.

- Nós também? - perguntou Finral, curioso, apontando para si, mantendo-se ao lado de Vanessa.

- Sim, pois claro! Seremos todos grandes amigos! Todas as pessoas aqui são mais velhas que eu, tem sido muito difícil para mim ser cortês com todos eles. - disse Rill, sorrindo de olhos fechados.

- É verdade! Só há velhos estranhos aqui! - exclamou Asta, em concordância.

- As esquisitices deles juntos deve ser difícil de lidar. - comentou Noelle, conhecendo alguns dos hábitos e características dos capitães, a sua mão na cintura ao falar.

Vanessa e Finral concordavam com cada palavra dita sobre os capitães com a cabeça, enquanto mantinham os braços cruzados.

- Dá até sufoco quando começam à bulha. - comentou Rill, sorrindo para Noelle e em seguida olhando novamente para os dois jovens à sua frente.

- Oiçam, malditos fedelhos, eu estou a ouvir, sabiam? E os únicos estranhos aqui são vocês. - disse Yami, atrás de Asta e Azuli com o seu rosto assustador.

- Até mais, novos amigos! - despediu-se Rill, acenando em despedida e fechando a porta ao sair.

- Até à próxima! - despediram-se Azuli e Noelle.

- Vemo-nos por aí! - disse Vanessa, com um leve sorriso.

- Adeusinho! -Finral acenou em despedida.

- Até! - despediu-se Asta, empolgadamente, com um aceno de mão.

Minutos mais tarde... No escritório do Rei Mago...

Julius observava um pássaro voar para além da grande janela pela qual entravam os raios de sol. Parecia que estava a refletir profundamente.

- Sinto muito... fazer vocês ficarem para trás. É muito triste ver um dos nossos companheiros, que lutou lado a lado junto a nós, trair-nos desta maneira. Dei o melhor de mim para chegar aqui o mais rápido possível, mas ao fazê-lo, cometi vários erros. - lamentou Julius, a sua voz exalava pesar.

- Se nos mandaste ficar aqui apenas para ouvir uma história assim... Então chamaste as pessoas erradas, Julius. - disse Yami, com o cigarro entre os dedos em frente aos lábios, enquanto Asta olhava maravilhado para o Rei Mago com estrelas nos olhos ao seu lado.

- Para falar a verdade, houve mais uma coisa que perguntámos aos nossos prisioneiros que eu não revelei ainda. - disse Julius, virando levemente o corpo para os convidados. - O monumento de pedra que estava na base deles... As pedras que o constituíam são chamadas de pedras mágicas. Eles acreditam que ao coletar todas, vão estar intimamente conectados com a mana e vão renascer com poderes incríveis.

- Isso não é possível... Ou é? - perguntou Azuli, de mãos dadas com Noelle.

Pedras mágicas capazes de renascer uma pessoa... Supondo que seja possível, a pessoa não será ela própria. Estará transformada em algo completamente diferente. Os únicos métodos que conheço acerca de renascimento, são métodos obscuros, são as chamadas Magias Demoníacas. Eles acreditam em uma magia que vai tornar as suas vidas em mil maravilhas...? - Azuli puxou pelos conhecimentos que aprendeu através das escritas antigas secretas da realeza e das pesquisas do seu avô. Havia muito o que analisar para chegar a uma conclusão absoluta, porém... O mundo é vasto, verdade?

- Se é possível, eu desconheço, pequena Azuli. - respondeu Julius, um pequeno sorriso a voltar aos seus lábios.

- Não duvidaria se a rainha das bruxas soubesse. - comentou Vanessa, distraída.

- Rainha das Bruxas? - Azuli, Noelle e Asta viraram o rosto para Vanessa, pura curiosidade estampada nos olhares.

Vendo Vanessa distraída, Finral deu um passo à frente.

- Essa é uma história para outro dia. - disse ele.

- Oh... - expressaram Azuli e Asta, desiludidos.

É sempre para outro dia. - pensaram os três jovens, a teimosia nos rostos adoravelmente aborrecidos.

- Espere, está a falar daquela tábua enorme? - Asta lembrou-se.

- Essa mesmo. - respondeu Julius. - O motivo de Fuegoleon ter sido atacado, foi por possuir uma delas. Vocês também tinham uma pedra mágica... com a Azuli. Por essa razão ela também foi atacada.

- Eles pensam que vão renascer, é? Parece que leram muitos livros de fantasia. - disse Yami, com a mão no queixo.

- Não sei se é verdade ou não, mas a obsessão deles é real. Não podemos permitir que eles consigam as outras pedras.

- Entendi... E agora? - perguntou Yami, ainda com a mão no queixo.

- Ainda restam três pedras. E eles sabem onde uma delas está.

- Ah, é? Onde está?

- Em uma das maiores regiões mágicas... O Templo Subaquático.

- E os Touros Negros vão em missão ao templo repleto de água?! - perguntou Azuli, animada.

- Todos nós? - perguntou Noelle, curiosa. É a oportunidade perfeita para mim! - pensou ela.

- Ahahah, é essa a intenção. Os Touros Negros têm a missão de ir ao Templo Subaquático e trazer a pedra mágica. Esta missão é de extrema importância, e tendo em conta com quem estamos a lidar, todos foram designados para esta missão. - informou Julius.

- Sol e praia... Achei que nunca iriamos ter uma missão divertida nunca. - comentou Vanessa, sorridente, colocando o braço envolta dos ombros de Finral.

- Meninas de biquinis em todos os lugares! Uhuh! Sabia que o dia estava para chegar! - festejou Finral.

- Uma região mágica! - gritou Asta, surpreendido. - O que é isso? - perguntou ele, sem a menor noção sobre do que falavam.

- O quê? Suponho que esta cabeça vazia não te sirva de nada, né? Ótimo, eu estouro ela para ti. - ofereceu Yami, apertando a cabeça de Asta, os seus em branco pela estupidez do rapaz.

- Ai, ai, ai! Solta. - pediu Asta, queixando-se do aperto.

Risos escaparam da boca de Julius antes dele falar.

- As regiões mágicas são locais onde a mana é especialmente forte. Um lugar especial onde fenômenos mágicos acontecem constantemente. Entre todas as regiões mágicas, considera-se o Templo Subaquático o mais perigoso. Considera a masmorra que vocês conquistaram apenas a ponta do iceberg.

- Mais perigoso do que aquela? - perguntou Asta, espantado, lembrando-se das armadilhas em que foi apanhado.

- Então, tu queres que nós cheguemos lá antes do Olho do Sol da Meia Noite e que encontremos a pedra mágica e a tragamos em segurança para cá? - perguntou Yami.

- Exatamente. E os únicos a quem posso confiar essa importante missão... São vocês, dos Touros Negros, já que dentre todos os esquadrões... Vocês não têm muita gente vinculada a laços familiares ou status sociais poderosos. Isso... e o fato de que alguém com certeza está a trair-nos. - terminou Julius, a sua expressão perdendo qualquer traço alegre. - Vocês farão isso? - perguntou ele, cautelosamente.

Após momentos de silêncio, os jovens Touros Negros olhavam para o seu capitão, que levantava o rosto e olhava para o Rei Mago.

- Tu és o Rei Mago. Se quiseres alguma coisa, basta dar a ordem. - disse Yami, simplesmente... o óbvio.

Memória de Yami... Muitos anos atrás...

- Aquele tipo nem sequer é daqui.

- É um forasteiro que sobreviveu após o seu barco se naufragar.

- Aquele olhar parece querer sangue...

- Eu quero que ele desapareça do nosso reino.

Uma e mais outras pessoa se juntavam nas costas de Yami, que olhava a maré subir e descer, e traziam os seus desejos à tona.

As lembranças avançavam... O grimório estava a caminho...

- Não pode ser! Como um grimório pôde eleger um estrangeiro?

- Não importa! Aposto que a sua magia não tem nada de especial! Depois dar-lhe-emos uma lição com a nossa própria magia!

Abrindo o seu grimório, o estrangeiro experimentou-a. Sombras subiram ao alto, a escuridão parecia querer fugir, mas sempre voltava ao lugar de partida. Ela movia-se constantemente em sua volta.

- Que magia é aquela?!

- Ele é assustador!

- Isso não é nada bom!

Tempos depois, Yami andava sobre a areia da praia. Uma katana era mantida presa à sua cintura. A sua caminhada pausou quando o rapaz viu a areia se levantar à medida que um homem corria como um louco em sua direção.

- Magia de escuridão! É a primeira vez que a vejo! Ei, ei, deixa-me ver um pouco mais!!

O jovem Yami olhava o estranho homem entusiasmado à sua frente com uma expressão desinteressada.

- Não quero. Quem és tu, hein, velho? - perguntou Yami.

- Ninguém de quem tu devas suspeitar! Sou um capitão do exército de magos que gosta de se disfarçar! - disse o homem, as estrelas nos seus olhos ainda permanecendo.

- O que é um capitão do exército de cavaleiros? - perguntou Yami.

- Hein? Tu não sabes o que é? - perguntou o homem, os seus olhos brancos de surpresa. - Olha só! Por que tu não vens descobrir? Eu sei que tu tens muito potencial. - tentou convencer ele, inclinando-se um pouco mais próximo da altura de Yami.

- Não quero. - respondeu Yami, sem rodeios.

- Ah, não sejas assim, vai!

- Não estou afim.

- Eu pago o teu jantar, que tal?! - tentou novamente.

- Tá bom.

- Entendi. Nem isso adiantou. - disse o homem, cabisbaixo, antes de se recompor em segundos. - Espera aí! Tu vais? - perguntou ele, mais serenamente, os punhos levantados perto do pescoço enquanto se inclinava para perto de Yami, ansioso pela confirmação.

- Eu só vou se tu pagares o meu jantar. Aí eu vou. - esclareceu Yami.

- Hum... Ahahah... Ahahahahahahahah! É, tu és bem interessante! Ahahahah! - riu-se o homem, divertido, a mão no seu cabelo.

Fim das memórias...

- Irei simplesmente para provar as minhas habilidades. Tu não estás a fazer nada de errado aqui. - disse Yami, surpreendendo os jovens Touros Negros. Não pelas palavras amáveis do seu capitão, mas pelo seu tom, mas pela saudação sincera.

Pensar que o Yami me está a saudar... - pensou Julius, com um sorriso a enfeitar o rosto.

- Então é toda tua... Yami. - disse Julius.

De um momento para outro, o ambiente mudou.

- Então, pessoal... - Julius andou até aos três jovens cavaleiros mágicos. - Sentem-se preparados para uma nova missão. Apesar de tudo, vocês apenas se recuperaram há umas horas... ou menos. - Julius olhava os três cavaleiros atentamente, com um sorriso.

- Eu estou como novo! Posso lutar contra quem for, Rei Mago! - exclamou Asta, entusiasmado, com o punho cerrado.

- As minhas feridas não eram grande coisa, amanhã estarei de volta ao meu normal. - respondeu Noelle.

- Muito bem... - sorriu Julius, antes de olhar para a última cavaleira.

- Hum... - Azuli percebeu os olhares que recebia dos companheiros, do capitão e do Rei Mago. - Sem problemas! Uma noite de sono e tudo voltará como sempre foi! - disse Azuli, ignorando os olhares que recebia.

- Azuli, querida... - Julius aproximou-se de Azuli. Antes dela olhar para cima, sentiu algo pousar na sua cabeça, sobre o capuz. O sorriso de Julius era o detalhe em que Azuli mais reparava ao olhar para o rei. - O doutor Owen informou-me sobre a tua saúde... - disse ele, fazendo o coração de Azuli disparar, a tensão instalava-se no seu corpo aos poucos, enrijecendo-o. - Para pessoas que nascem com uma forte mana, porém desregular, devem tomar um cuidado extra para não pressionarem os seus corpos. Eles necessitam de tempo para analisar a situação em que se encontram... É como uma leitura ao corpo... para uma análise... - disse ele, nesse momento, a tensão de Azuli foi-se desvanecendo.

Ele não vai expor... - o único pensamento de Azuli no momento, aquele que a tranquilizava.

Parece que o Nozel tomou a sua decisão... - Julius olhava o broche de Azuli, o seu olhar pousando no símbolo da família Silva.

Tirando a mão de cima da cabeça de Azuli, Julius continuou a sorrir.

- Tenho plena confiança nos vossos potenciais. Um ótimo trabalho, a todos vocês. - desejou Julius.

Os olhares foram para o Rei Mago e, sob os raios que passavam pelas janelas, todos saudaram.

- Sim!

No exterior, os Touros Negros desciam a escadaria.

- Vocês estavam duros como umas tábuas lá dentro. E por que agora, que vão arriscar a vida, estão aliviados? São retardados?

- Quem é retardado?! - gritou Asta, revoltado.

- Eu sou da realeza! - gritou Noelle, apressando o passo.

Azuli andava, mas a sua mente estava distante. O seu sorriso permanecia no rosto, a sua mente com visão para o que estava por vir.

- Nunca ninguém depositou esperanças em mim...

Olhares foram dirigidos a Vanessa, ouvidos estavam em alerta, atentos às suas palavras. O passo da caminhada era lenta, mas constante.

- É uma força que se junta a nós, então darei um novo significado ao meu melhor "eu". - terminou ela, a sorrir, divertida.

- Ninguém nunca esperou nada de mim também... - disse Asta, com um sorriso envergonhado, enquanto a sua mão pousava no seu cabelo. - Então quando alguém do status do Rei Mago coloca as esperanças em mim, eu... - Asta não terminou, a sua mão baixou, assim como o seu rosto.

- Sempre esperaram tudo de mim... Mas eu nunca entreguei nada. - disse Finral, olhando para o longe, ainda andando ao lado dos colegas.

- Eu conheço... esses sentimentos... - comentou Noelle, andando cabisbaixa.

Esperanças... O que o pai esperava de mim? - o sorriso de Azuli por fim desmanchou. - O que os meus irmãos esperavam de mim?

Com um baque, os cinco cavaleiros sentiram uma dor nas costas que os fez pular de leve com queixas de dor.

- Eu aceitei-vos no meu esquadrão porque sabia que podiam dar conta. Então mãos à obra. - disse Yami, sem olhar para os seus demais Touros Negros.

- Pode deixar! gritaram os três jovens cavaleiros.

- Podes deixar! - gritaram Finral e Vanessa.

Na igreja de Nean...

- Eu vim visitar-te, mas esperava que fosse no teu túmulo... - disse Gauche.

- Isso é algo que se fale para alguém ferida? Sai e tenta de novo, seu doente amante de irmãs. - mandou Theresa, sentada na sua cama.

- O que disseste? Queres que eu te mande para o outro mundo, velha bruxa?!

- Tenta, se te atreveres. Vou mandar-te de volta para a ala de emergência. - disse Theresa, o seu rosto despreocupado com as palavras de Gauche.

- Gauche, nada de discussões! - mandou Marie, que entrou no quarto.

- Se tu mandaste, eu paro. - disse Gauche, o sangue a escorrer do nariz.

Virado para a porta, Gauche dava as costas para Theresa.

- A única coisa pela qual vou agradecer-te é por cuidares da Marie, seu saco de ossos velhos.

- Se estás a agradecer alguém, acho que cresceste um pouco. - admitiu Theresa, olhando para Gauche.

- E também... Estou feliz que escapaste com vida.

Theresa arregalou os olhos, a surpresa transformou-se num lindo sorriso.

- É mesmo? - perguntou Theresa.

- O Asta e a Noelle estão aqui? Oba! - Marie animou-se.

- Marie, não fiques tão feliz... Eu vou matar aqueles tipos. Vou matá-los no fim das contas...

Continua a ser o mesmo... - pensou Theresa, a sua expressão estoica a substituir o sorriso novamente.

- Princesa Noelle... Obrigada pelo manto! - com o olhar determinado, Marco estendeu o manto a Noelle.

- Não há de quê. Fizeste um bom trabalho ao tomar conta dele, Marco. - Noelle pegou no manto enquanto agradecia.

- Ah, o meu está todo esfarrapado. - queixou-se Asta.

- Pedisses à Vanessa antes. Ela estava connosco, Astúpido.

- Aconteceu tanta coisa que eu nem me lembrei!

- Na volta ela também não se lembrou.

Ela pode lutar ao seu lado... Suponho... que não poderei superar isso...

- Asta! - chamou Rebecca, aproximando-se dele.

Agarrando a bochecha direita de Asta, impedindo-o de mover a cabeça, Rebecca inclinou-se e depositou um beijo na bochecha esquerda de Asta.

- Isto é para agradecer por salvares a Luka e o Marco... Asta. - disse Rebecca, com um leve rubor vermelho.

Desculpa... Mas o teu primeiro beijo é meu. - pensou Rebecca, sorrindo suavemente.

O q-quê? D-De nada! - gritou Asta, os seus olhos tinham estrelas enquanto pousava a sua mão na bochecha extremamente corada.

- Wow! - expressaram Luka e Marco, em apoio, especialmente Luka.

- M-Mas o que foi isso?! - gritou Noelle, exaltada após o choque inicial.

- Isso não é justo! Eu também quero beijar o Asta! - exclamou Marie.

- Agora foi a gota de água... Asta, vou arrancar-te a cabeça!!! - gritou Gauche, assustadoramente.

- Ehhhh?!! - expressou Asta, desorientado.

Horas depois, o sol estava nos seus finais. A noite havia caído.

O farfalhar das folhas era o som predominante em meio às árvores e arbustos. Esquilos subiam às árvores em uma corrida.

Ao longe, diversos brilhos iluminavam a vegetação.

A passear pelo caminho de pedra, uma menina andava descalça. A sua camisola de noite balançava com o vento que a tocava. A menina foi-se afastando do grande palácio e saiu do caminho de pedra. Minutos se haviam passado, a menina continuava a andar... O brilho cristalino ao longe foi o que indicou o caminho que tinha que seguir. À sua frente, uma pequena lagoa refletia o brilho da lua, mas não era esse o principal fator que prendia a sua atenção... Numa rocha, dentro da lagoa, um portal estava aberto. Ela podia ver através dele. Apertando a pequena folha de papel em suas mãos, a menina atravessou a água e subiu até à rocha, entrando diretamente no portal, a hesitação desaparecendo em instantes com uma certa lembrança.

O topo das árvores tapava o brilho da lua, a floresta era negra. Assustando-se com os assobios do vento, a menina pisou em ramos caídos no chão. Os seus pés descalços doíam, mas ela não parava. Ele continuava à procura, a sua ansiedade aumentava conforme o tempo ia passando. Mas uma hora, cada detalhe da floresta lhe vinha à mente. Cada atalho, cada caminho... Ela já esteve naquele local antes.

Abrindo caminho pela floresta com a sua magia, a menina procurou o caminho... A suspeita do seu destino final fazia-a apressar o passo, não lhe importando em onde pisava. A esperança aumentava no seu interior, na sua mente, apenas uma imagem dominava.

Ela parou em frente a uma árvore, mas essa árvore estava morta... Ou antes dizer, essa árvore não existia. Ultrapassando-a, a menina desapareceu na floresta.

A sua presença sentia-se entre as folhas de salgueiro que tocavam o seu cabelo. A sua respiração ouvia-se em meio ao silêncio... Mas não era a única. Na sua frente, três figuras estavam escondidas na sombra, escondidos do brilho cintilante da lua que iluminava bastante o local, refletindo-se também nas gotas de água nas folhas dos salgueiros.

Apertando o papel na sua mão mais uma vez, a menina não se conteve mais.

- Naomi? - a menina deu um passo em frente, revelando-se sob a luz da lua. - Este é o nosso lugar seguro... Há muito que eu não vinha aqui.

O vento passou pelas figuras na sombra... Um longo cabelo ganhava vida nos breves momentos em que ultrapassava a sombra. Belos cabelos prateados reluziam na luz...

- Vamos conversar, Mimosa?


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