4#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

20-03-2025

Cap. 4 - A escolha de Azuli

Ao pôr do sol, William anunciou: Isso conclui o exame. Agora, os candidatos que forem chamados deem um passo à frente.

- Os capitães vão levantar as mãos se vos quiserem nos seus esquadrões. Vocês podem escolher se aceitam ou rejeitam. Se forem escolhidos por mais de um esquadrão poderão escolher em qual deles querem entrar. - explicou Charlotte, levantada.

- Além disso, se ninguém levantar a mão o candidato vai ser eliminado. - disse Fuegoleon sentado na sua cadeira.

- E tem que ir embora imediatamente. - disse Nozel, calmamente.

Asta e Azuli estavam preocupados. Eles tinham consciência de que não foram muito bem no exame.

- Candidato número 1, à frente! - gritou um homem.

- Ahm... sim! - disse o candidato número 1, ansioso.

Os candidatos foram chamados um a um. E à medida que os candidatos iam ser chamados, os candidatos que ainda esperavam ficavam cada vez mais ansiosos. Era tão raro algum capitão levantar a mão, que os candidatos ainda à espera ficavam admirados quando alguém era escolhido.

- Uau, alguém finalmente foi escolhido. - disse um candidato.

Que demais. - pensou Asta.

- Apenas um foi escolhido até agora?! - Azuli sussurrou, baixinho para si mesma.

- Número 71, Orcas Púrpuras. - anunciou o homem.

- Eu escolho-o. - disse Fuegoleon.

- Número 78, Reis Leões Carmesins. - anunciou o homem.

- Número 99, os Pavões Corais. - anunciou o homem.

- Número 116, sem ofertas. - anunciou o homem.

- Ah, droga! - disse o candidato rejeitado, caindo de joelhos.

- Número 141, sem ofertas. - anunciou o homem.

- Bom, isso não me surpreende. Vou voltar para o meu vilarejo e cultivar os campos. - disse o candidato rejeitado, cabisbaixo. Demonstrando que as suas expectativas de realmente conseguir entrar em um esquadrão eram muito baixas.

Nesta altura, Asta e Azuli já estavam de cabelos em pé. A preocupação e antecipação dos resultados estressava-os.

Hm, e agora? - pensou Asta, com os dentes cerrados e uma expressão preocupada.

Passado pouco tempo...

- Próximo, 164. - disse o homem.

- Sou eu! - declarou Yuno, a segurar na pedra do seu colar. Yuno dirigiu-se para a frente.

Yuno... - pensou Asta, a olhar para Yuno com uma expressão difícil de descrever. Talvez de preocupação ou anseio.

Tomara que o Yuno consiga! - desejou Azuli, mentalmente.

- Alguma oferta? - perguntou o homem.

No segundo seguinte, suspiros e comentários de choque e admiração podiam ser ouvidos. Todos os capitães tinham levantado as mãos.

- Espantoso! - exclamou uma rapariga.

- Mas eu pensei que só a realeza e os nobres podiam juntar-se ao Alvorecer Dourado. - disse um jovem, em descrença.

- Até os Águias de Prata, sério? - perguntou um candidato, desacreditado. - Mas ele é um caipira!

- Todos levantaram a mão! - gritaram Asta e Azuli, em uníssono.

- Eu não esperava nada menos do meu rival. - disse Asta, feliz.

- Eu nunca imaginei que todos os capitães fossem levantar a mão. - disse Azuli, feliz e impressionada. Muito menos que o tipo rabugento levantasse a mão. - pensou Azuli, referindo-se a Nozel.

Eu preciso escolher o melhor caminho para assim tornar-me no Rei Mago. - pensou Yuno, olhando para os capitães. - Por gentileza, eu quero entrar no Alvorecer Dourado! - gritou Yuno.

- Eles pegaram um dos bons. - disse Finral, com um sorriso.

- Eu queria ser amigo dele. - disse Gordon, quase inaudível.

- Ah, agora já era. - disse Yami.

- Próximo, 165! - disse o homem.

- O próximo é o amigo dele. - informou Finral.

Não posso deixar o Yuno sair na minha frente nisto. - pensou Asta, de olhos fechados.

- Eu estou pronto! - gritou Asta.

- Alguma oferta? - perguntou o homem.

Não importa em que esquadrão, por favor, alguém levante a mão! - pediu Asta, mentalmente. O suor escorria pelo rosto de Asta.

- 165, sem ofertas. - anunciou o homem.

Asta não acreditava no que acabara de ouvir. Ele não havia sido escolhido.

- Não, não pode ser. - disse Asta, baixinho, sem querer acreditar.

O facto de Asta permanecer imóvel mesmo que já soubesse que tinha sido rejeitado irritou os outros candidatos, que começaram a mandá-lo ir embora, impacientemente.

- Ainda não, ainda não acabou. - disse Asta.

- Não sejas ridículo. - disse um candidato. Este foi um dos apelos a Asta para se retirar, entre muitos outros.

- Hm, eu, eu vou hm... - disse Asta, resistindo à rejeição.

- Isso para mim não é novidade. - disse Yami, do alto de onde estavam os capitães.

- Yami! - disse Finral, sem entender o motivo do seu capitão ter confrontado Asta.

- Tu podes ter habilidades de combate incríveis, mas se a tua fonte de poder é desconhecida ninguém vai querer saber de ti. - disse Yami.

Asta, Yuno e Azuli prestavam atenção nas palavras de Yami.

- No fim das contas, a única coisa que se quer de um cavaleiro mágico é magia. - dito isto, uma grande quantidade de poder mágico foi liberada, assustando os candidatos, incluindo Asta e Yuno. A única que não parecia afetada era Azuli, que esperava as próximas palavras do capitão Yami.

O chão começou a tremer com a pressão do poder de Yami, causando dificuldade aos candidatos em manterem-se em pé.

Yami saltou da varanda para o rés-do-chão. Frente a frente, com um olhar intimidador, ele começou a andar lentamente até Asta.

Isso é muita pressão. - pensou Asta, que apesar da sua expressão afrontosa o medo crescia independente. - Não pode ser! Esse é o poder mágico de um capitão?!

- Como tu não tens poder mágico, ninguém te vai querer. A verdade dói, miúdo. Tu disseste que querias ser o Rei Mago, né? Ou seja, tu precisarias de superar os nove capitães que estão aqui. Tu não concordas? - perguntou Yami, envolto em uma aura roxa com os olhos agora apenas sendo visíveis dois pontos brancos brilhantes. - E tu ainda tens a coragem de dizer que queres ser o Rei Mago? Mesmo sem ter um pingo de magia?

Apertando os punhos com força, Asta disse: Mesmo que eu não me junte hoje aos cavaleiros mágicos, mesmo que eu caia várias vezes, não importa o que todos me digam, mas um dia eu vou tornar-me Rei Mago!!! - gritou Asta, com toda a convicção que aprendeu a exercer e com a determinação que foi moldando ao longo de todos estes anos.

Resposta dada, Yami fez desaparecer a aura roxa que o envolvia e passou a encarar Asta, e Asta a ele. O que Asta não esperava, foi o que aconteceu a seguir.

- He... hahahahahah. - Yami riu alto a olhar para o céu. - Aí, eu fui com a tua cara. - disse Yami, apontando o dedo para Asta. - Quero-te no meu esquadrão.

- Hã? - expressou Asta, em dúvida.

Eles os dois já conseguiram, só falto eu. - pensou Azuli, nervosa, mas a determinação jamais a abandonar o olhar.

- Eu disse para te alistares nos Touros Negros. - esclareceu Yami. - E mais, recusar não é uma opção. - disse Yami, assustadoramente.

- O quê? - perguntou Asta, encolhendo-se e aparecendo-lhe várias gotas de suor na cabeça.

- Eu vou azucrinar-te tanto que tu vais ficar só a carcaça nos Touros Negros, miúdo. - disse Yami. - Estás tramado. Hehahahaha!

- O quê!? - perguntou novamente Asta.

- Aí algum dia, talvez te tornes no Rei Mago. - disse Yami, surpreendendo Asta, admiração no olhar, lembrando-se de todo o seu trabalho árduo, das críticas, de todas as vezes que se sentiu impotente.

Vendo o homem a sorrir diante de si com o pôr do sol a bater sobre ele, as bochechas de Asta mostravam uma leve cor rosa: Sim!!! - gritou Asta, empolgado.

Azuli e Yuno aparentavam estar orgulhosos da conquista de Asta, não duvidando do amigo.

Yami voltou para a varanda.

- Muito bem, agora deve ser a minha vez. - disse Azuli, a tentar esconder o nervosismo.

- Número 166, chegue-se à frente! - disse o homem.

- Aqui vai. - suspirou Azuli, com receio do que estava por vir e o que poderá não vir a acontecer, pelo menos não como o planeado.

Azuli caminhou para a frente, para o lugar em que Asta, Yuno, e outros candidatos já tinham estado.

- Alguma oferta? - o homem perguntou.

Feita a pergunta, Azuli estava nervosa mas continuava a olhar para cima, em direção aos capitães.

Comentários, murmúrios, suspiros era o que mais se ouvia entre os candidatos. Ninguém entendia o motivo dele, logo ele, levantar a mão. Mesmo Asta e Yuno estavam agradavelmente surpreendidos.

O capitão do Alvorecer Dourado? - no primeiro momento, era tudo o que se passava pela mente de Azuli. Azuli olhava para William, que olhava para ela em antecipação com o seu característico sorriso confiante no rosto. - Não, não posso. Não pode ser ele. - pensou Azuli, tristemente, percebendo o que estava a acontecer e o que tinha de ser feito.

- Número 166, Alvorecer Dourado. - anunciou o homem, um pouco atónico.

- Não! - Azuli disse alto.

- Desculpe? - perguntou o homem.

Com a súbita fala de Azuli, todos, incluindo os capitães, estavam confusos.

- Eu rejeito o Alvorecer Dourado! - anunciou Azuli, em alto e bom tom.

De seguida, instalou-se uma grande agitação entre os candidatos.

-Rejeita? - perguntou um candidato.

- Ela está a rejeitar entrar no melhor esquadrão do reino?! - exclamou outro candidato, perplexo.

- Pelo menos essa plebeia reconhece o seu lugar. - disse um candidato nobre arrogante.

Azuli, o que estás a fazer? - pensou Benjamin, incrédulo com o que acabou de ouvir. A rapariga que o venceu, a que progrediu tão rapidamente em tão pouco tempo desde o início do exame, acabou de rejeitar entrar no esquadrão mais forte do reino Clover, e mais... O único que lhe havia feito uma proposta.

Asta e Yuno estavam tão, se não mais, incrédulos que Benjamin. Embora se tenham conhecido apenas hoje, eles sentiram uma estranha ligação com a menina de capa vermelha. Enquanto caminhavam em direção ao local do exame mais cedo, eles ouviram-na falar sobre o seu objetivo de se tornar uma maga poderosa, capaz de controlar o seu poder, eles ouviram o seu desejo de reencontrar alguém muito querido para ela do seu passado, então... eles não entendiam o porquê dela rejeitar a sua oferta, a sua única oferta.

Podia-se dizer que os capitães estavam chocados. Sim, eles conheciam o direito do candidato rejeitar uma proposta, mas não esperavam que alguém realmente o usasse. Muito menos na situação dela.

William, anteriormente com um sorriso, agora estava perdido. Ele não entendia o motivo de Azuli o ter rejeitado. - Será que fui duro com ela quando conversámos mais cedo? - curioso, William não aguentou e questionou a menina, levantando-se para vê-la melhor: Será que podes dizer-me o teu nome, menina?

- É Azuli! - Azuli disse alto para William ouvir.

- Azuli, para esclarecer esta situação, deixa-me perguntar-te uma vez mais... Desejas continuar?

Desta vez, Azuli entendeu o que ele lhe estava a perguntar. É o mesmo que da sua primeira conversa.

Suspirando uma vez, Azuli recompôs-se e, agora com uma postura impecável e um semblante decidido, ela respondeu: Sim! - retirando suspiros dos candidatos.

William sorriu com a resposta, mas ainda não tinha terminado. Ele notou algo na postura de Azuli.

- Mas não agora, não neste momento. Eu sinto muito. - respondeu Azuli.

Ambos, William e Azuli, encararam-se por alguns momentos. A tensão era palpável.

- Muito bem, eu respeito o teu desejo. - disse William, sabendo que não conseguiria fazê-la mudar de ideias.

O quê?!!!!!!!!!!!!! Ela rejeitou o esquadrão mais poderoso e prestigioso do reino!!!!! - a menina de cabelos prateados gritou mentalmente. Por fora, os seus olhos estavam brancos e a sua boca estava aberta em choque.

- Hah ahahahahahahahahhahahahahahah! - ria-se Yami da varanda. Ele batia com o punho direito diversas vezes no braço da cadeira enquanto ria. Lágrimas cómicas caiam-lhe pelos olhos e o seu cigarro caiu-lhe dos lábios.

- Yami? - Finral não entendia o que estava a acontecer com o seu capitão e amigo.

- Ela rejeitou-te, ela rejeitou-te mesmo, não foi, Douradinho?! - exclamou Yami, enquanto enchia a arena de risadas.

Ah, então foi isso que causou a gargalhada de Yami. - pensou Finral.

- Que ousadia! Ei, miúda, tens noção que acabaste de partir o ego a este tipo, não tens? - questionou Yami, com a gargalhada menos intensa.

- Parti? - perguntou Azuli, sentindo-se culpada.

- Claro que não, minha querida. - disse William.

A forma com que William falava e também o seu KI diziam ao Yami: que William podia dizer o que quiser, agir da forma mais serena e ter o sorriso mais largo do mundo, mas era irrefutável que ele estava a mentir.

- Hahahaha, pois claro! - disse Yami, que mais uma vez saltou para o rés-do-chão em frente a Azuli, que ficou espantada, e exclamou, sem dar outra escolha: Tu serás a nova integrante dos Touros Negros!!

- Hã? - questionou Azuli.

- De novo isso do "hã". Eu disse que és a nova integrante dos Touros Negros!! E não podes recusar. - disse Yami, sem deixar brecha.

Os Touros Negros... O esquadrão mais encrenqueiro do reino Clover. Por outro lado, é um esquadrão que dá liberdade aos cavaleiros mágicos e as regras não são muito rígidas, pelo que ouvi falar. Será o esquadrão perfeito para mim! Não irá interferir no meu objetivo: voltar a vê-la! - pensou Azuli, enquanto se lembrava de uma menina, a sua melhor amiga.

- Sim! - gritou Azuli, com entusiasmo.

Um pássaro estava a observar toda a cena que se desenrolava na arena com um olhar entediado.

Passado um tempo, já quase a escurecer...

- 512! - disse o homem.

- Sem ofertas! - anunciou o homem.

- Com isso, o exame de admissão é encerrado! - avisou o homem.

Os cavaleiros que falharam no exame voltavam para as suas casas.

Agora de noite, ainda na arena à espera dos seus capitães, os três amigos estavam reunidos a conversar.

- Ahhh, eu fiquei maluco quando te ouvi rejeitar a tua única proposta de esquadrão!!! - exclamava Asta, exasperado, abanando Azuli para trás e para a frente, deixando-a tonta.

- Eu sei, eu sei, mas eu tive os meus motivos, Asta! Não precisas exaltar-te! - disse Azuli, a tentar tranquilizar Asta, mas a gritar igualmente e abanando-o para trás e para a frente como ele lhe tinha feito, deixando-o tonto.

- Não precisas gritar! - gritou Asta

- Não precisas tu de gritar! - gritou Auli.

Suspirando... - Parem os dois! - disse Yuno, aos dois barulhentos, batendo-lhes na cabeça

- Ai! - ambos esfregaram o galo que ganharam na cabeça.

- Yuno, tu estás nos Dourados e eu e a Azuli estamos nos Touros. Agora as batalhas começam! - exclamou Asta, entusiasmado.

- É, nós vamos ver. - respondeu Yuno.

Depois da fala de Yuno, a barriga de Asta começou a doer e a fazer barulho. Então ele foi direto para a casa de banho na maior rapidez que podia.

- Ahhhhhhhhhh! - gritou Asta, enquanto se dirigia até à casa de banho, desesperadamente. - A natureza está a gritar!! Será que foi aquela cobra no espeto que eu comi no mercado? Ai, está a chegar, a cabeça já está para fora! Ahhhhh!

- Yuno? - Azuli reparou em uma coisa suspeita encostada na parede exterior da casa de banho e estava a avisar Yuno.

- Eu percebi, eu vou lá. Espera aqui. - disse Yuno.

Enquanto esperava, Azuli subiu no muro da arena e contemplou o céu noturno cheio de estrelas brilhantes. Era um hábito que lhe dava paz interior. - Que lindo! Eu podia passar o resto da minha vida a contemplar um céu noturno tão belo quanto este. - disse Azuli, deslumbrada com a vista enquanto o vento batia contra a sua capa vermelha.

- Sim, realmente a visão daqui é linda. - disse alguém atrás de si.

Azuli virou-se para trás e viu ninguém menos do que William Vangeance, o homem que, por acaso, é líder do esquadrão mais poderoso e prestigiado do reino, ao qual ela rejeitou pertencer. Com esse pensamento, ela corou levemente de vergonha, lembrando-se do ocorrido.

Azuli levantou-se em um pulo e disse: Eu sinto muito por o ter rejeitado, não foi por mal!! - exclamou Azuli, em um pedido de desculpa por qualquer transtorno que lhe possa ter causado.

Surpreendido, William respondeu: Não há o porquê de te desculpares. Embora eu tenha que admitir, naquele momento a menina surpreendeu-me. - disse William, a olhar nos olhos de Azuli.

- Eu espero não lhe ter partido o ego. - disse Azula, preocupada com o que o capitão Yami havia dito anteriormente.

Uma gota de suor escorria pela têmpora de William, amaldiçoando mentalmente Yami por ter dito aquilo à Azuli. Vendo o olhar sincero de Azuli, através dos brilhantes olhos azuis celeste, William afagou o cabelo de Azuli, que ficou descoberto pelo vento ter tirado o capuz da sua cabeça, e disse: Não leves tão a sério o que o Yami disse, ele adora provocar as pessoas.

- Então estamos bem? Eu não o magoei? - perguntou Azuli.

- Não, eu estou bem. Não te preocupes mais com esse assunto, peque... Azuli. - disse William, quase a chamá-la por um nome que era melhor guardar para si, pelo menos por algum tempo.

- Jura?! Muito obrigada!! - exclamou Azuli, aliviada. E logo de seguida ela abraça William: É um peso que me tira de cima. Fico feliz que não o magoei.

William assustou-se com a reação exagerada da menina abraçada a si e decidiu afastá-la, mas antes que o fizesse, ele voltou atrás na decisão. Ele sentia a necessidade desta menina, que escondia uma solidão semelhante à sua. William envolveu gentilmente os seus braços em volta de Azuli, mantendo-se assim por quase um minuto, até que alguém os interrompeu.

- Azuli! Azuli, és tu aí em cima? - era a voz de Asta, ele estava à procura de Azuli. Ele parecia apressado. - Vem, o capitão está à nossa espera! Se não formos rápido ele vai matar-nos!! - exclamou Asta, com gotas de suor a escorrer pelo rosto e os olhos brancos.

- Estou a ir. - disse Azuli, alto.

- Despedimo-nos por ora. Eu devo encontrar o Yuno. - disse William, antes de saltar do muro para o lado exterior, pousando na vassoura que conjurou, tudo para Asta não o ver.

- Vocês são bem corajosos para me deixar à espera. - disse Yami, franzindo as sobrancelhas. - Quem vocês acham que são para nos deixarem aqui plantados.

- Eu estava a observar o céu. - Azuli disse, direta.

- E eu estava com um problema sério! Não faça pouco caso, o senhor não viu o tamanho daquela coisa! - falou Asta, gesticulando o quão grande era o que saiu dele.

- Não era disso que eu estava a falar, ô, seus infelizes. - disse Yami, agarrando os dois pela cabeça e levantando-os, o que fez os dois tentarem soltar-se. - Alguém mandou falares de cocó, miúdo idiota? E quem te mandou ver o céu e fazer-me esperar, sua pirralha? Vamos embora, Finral. - disse Yami, a olhar para Finral.

- Está bem. - disse Finral fazendo uma careta de desgosto, como se ele sempre fosse usado como meio de transporte. Ele abriu o seu grimório e conjurou um portal.

- Huh, mas o que é isso? - perguntou Asta.

- Vamos pelo portal? Bora!! - disse Azuli, pronta para passar pelo portal, mas ainda a ser agarrada por Yami.

- Como não conseguem voar com magia, vão ter de se acostumar com magia espacial à força. Ah, ninguém mandou não ter magia ou falta de controle sobre ela. Hehahahaha! - disse Yami, gargalhando divertido no final.

- Hã, com licença, Yami, está a ser difícil manter um portal deste tamanho. Será que podes passar logo de uma vez! - exclamou Finral, com dificuldade.

- Estás a querer dar-me ordens, seu pirralho? Esforça-te e aproveita e supera os teus limites. - disse Yami, com um rosto assustador.

- Ah, ai ahhe. - Finral, assustado, não conseguiu formular uma palavra. Ele tremia e suor escorria pelo seu rosto. Quem visse a cena, poderia dizer até que era cómico.

- Agora é convosco. - disse Yami, a arremessar Asta e Azuli pelo portal.

- Ahhhhh! - gritaram os dois.

Do outro lado do portal, os dois estavam caídos no chão.

- Que canseira. - disse Gordon, baixinho.

- Ahrre. -expressou Finral, a espreguiçar.

- Ai, que dor! - disse Asta

- Olha, Asta! - disse Azuli.

Asta olhou, e assim como Azuli, o espanto apoderou-se dele. A base era estranha, mas incrível.

- Agora sim! Esta é a base dos Touros Negros. - disse Asta, maravilhado.

Partilhando do mesmo sentimento, Azuli levantou-se e disse: Vamos dar uma olhada!

- Alá! Até que é bacano, não é? - perguntou Yami, com um sorriso.

- É, só está a cair aos pedaços. - desdenhou Finral.

- Sejam bem-vindos aos Touros Negros. - disse Gordon, quase inaudível.

- Finalmente, eu consegui. - disse Asta.

Asta correu em direção à porta dupla da casa, perto de onde Azuli já estava, ambos ansiosos por ver o interior da sua nova casa.

- Muito bem!! - disse Asta.

- Vamos entrar! -disse Azuli.

Após abrirem a porta, eles apresentaram-se, ou tentaram...

- Eu sou o Asta do vilarejo Hage e eu vou começar com... Hm, o quê?

Asta tinha sido atingido por uma bola de fogo que o atirou a ele e, consequentemente, Azuli, que estava um passo atrás dele, para o alto, fora da base.

- Ah, doeu. - disse Finral, ao ver a queda de Asta. Porém ele apanhou Azuli antes que ela tocasse no chão e verificou se não estava magoada.

-Estás bem, bela Azuli? Aqueles dois não aguentam um dia sem destruir a casa! - disse Finral, preocupado.

Embora ainda a ver passarinhos à sua volta, Azuli responde: Está tudo bem, não me magoei, passarinho.

- Ah, ainda bem! Espera... passarinho? - questionou Finral.

Com a frente da Base em chamas, Yami disse, com um sorriso aberto: Sejam bem-vindos ao pior esquadrão dos cavaleiros mágicos, os Touros Negros!


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