38#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar

15-04-2025

Capítulo 38 - Presente de fé

Uma dor aguda percorria todo o corpo da bebé deitada no berço do quarto. Suor cobria o seu rosto pálido, enquanto o seu delicado corpo encolhido tremia.

- O que ela tem, doutor? - um adolescente nervoso perguntou ao doutor enquanto segurava na pequena mão da bebé platinada.

- Sinto informar, mas a princesa foi alvo de um método antigo, utilizado para roubar a mana ao alvo. Receio não poder fazer muito a respeito. - respondeu o doutor, desativando o seu feitiço sobre a menina.

- Roubo de mana? - o rapaz olhou para a dor em que a sua irmã se encontrava. - Qual é a cura? Eu vou buscá-la! - disse ele, o seu olhar sobre o doutor, que se levantou.

- Não, pequena águia... Não há cura para esta condição. - Owen colocou-se em frente a Nozel, o seu olhar mostrava compaixão pelo rapaz, que arregalou os olhos e, antes que reclamasse, Owen falou novamente. - O que afeta a Naomi não é uma doença, é um método pouco conhecido: Cristalização de Mana... Já ouviste falar? - perguntou ele, enquanto pegava na sua mala e pegava em uns papeis.

- Mas eu sinto mana nela ainda... Não foi roubada! Ela está cristalizada? - perguntou Nozel que, desconformado, ignorou a pergunta do homem.

- Senta-te, Nozel... - pediu Owen, apontando para a poltrona em que esteve sentado.

- Estou bem aqui. - respondeu Nozel, sem sair do lado da sua irmã.

- Irei explicar-te como a Cristalização de Mana afeta a tua irmã e tudo o que deves saber para agilizar a condição da Naomi de agora em diante, mas para isso é fundamental a tua cooperação. - Owen foi direto com Nozel que, relutantemente e bufando como uma criança, tirou o seu dedo do aperto da mão de Naomi, e dirigiu-se até à poltrona no lado do berço.

- Prossegue. - disse Nozel, olhando para Owen.

Owen ajeitou os papeis em mãos, colocando-os em seguida sobre a mesa de cabeceira, e ativou o seu feitiço sobre Naomi. Uma água-viva apareceu acima dela. Pegando na bebé com os seus tentáculos, Naomi ficou por cima da água-viva, que se deformou até se assemelhar a uma cama.

- Olha atentamente para o corpo da tua irmã. - pediu Owen, ao que Nozel atendeu.

- Pontos de mana? - questionou Nozel, intrigado, olhando para algumas regiões em que a mana parecia acumular.

- Não exatamente. Esses pontos a que te referes, são na realidade focos em que o corpo de Naomi suga, por assim dizer, a mana da natureza ao redor dela. - revelou o doutor. - A extração de mana não se completou, felizmente, por essa razão ela está viva. - disse ele, fazendo Nozel soltar o ar que prendia em antecipação. - A quantidade de mana com que nascemos, é aquela com que morremos. Deves saber disso. Mas no caso dela, para substituir a mana que perdeu, o seu corpo transforma a mana da natureza na sua própria, mas enquanto esse processo não é concluído, o seu corpo irá convulsar e a mana que lhe restar ficará exposta, protegendo-a dos perigos.

- Então... ela não poderá usar a sua mana? Nunca? - perguntou Nozel, pálido.

- Teremos que ver isso quando ela for maior, por enquanto ela está bem. Os bebés não costumam liberar mana, nem mesmo acidentalmente. - disse Owen, enquanto comandava os tentáculos de cura tocarem nas zonas em que o corpo da menina era desprovido de mana. - Eu era jovem, mas o meu tio já teve um paciente com esta condição também. E, pelo o que posso constar, a nossa princesa está um passo à frente. O seu corpo respondeu inconscientemente à intrusão ao seu bom funcionamento de forma imediata, ela não corre risco de vida por agora.

- Disseste que ela está bem agora, mas e depois? - perguntou Nozel, desviando o seu olhar para Naomi, cuja expressão não parecia mais atormentada pela dor. - Um dia ela terá que cumprir com o seu dever no exército de cavaleiros mágicos... Eu não poderei estar sempre ao seu lado.

- Isso compete a ti e aos magos do departamento de ferramentas mágicas. - disse Owen, entregando os papeis que tinha colocado sobre a mesa de cabeceira a Nozel, que olhou o doutor, duvidoso. - Duvido que queiras que toda a realeza descubra a condição da princesa mais jovem dos Silva, portanto os magos do departamento de ferramentas mágicas é o mais seguro e confiável. Contactei um amigo meu, ele é jovem no departamento, mas o seu talento é inigualável. Podes confiar nele, pequena águia, nem com toda a pressão da realeza, da nobreza ou da plebe ele cederia, ahahahah! - explicou ele, divertido.

- E o que eu devo fazer no departamento de ferramentas mágicas? Como isso vai ajudar a Naomi? - perguntou Nozel, o seu olhar desconfiado a dar lugar à confusão infantil que ainda tinha.

- Está tudo aí. - Owen gesticulou para os papeis nas mãos de Nozel. - Estão aí as fórmulas e as indicações do que tens de fazer. - disse ele, a voz mais baixa ao se aproximar de Nozel. - Segue tudo direitinho, pequena águia... - com um sorriso paternal, Owen despenteou os cabelos do jovem baixo de quinze anos. - A tua irmã vai ter a melhor vida possível, apenas terá um cuidado extra, mas nada que a impeça de viver como os outros.

- Eu farei todo o possível para que isso aconteça... - prometeu Nozel, a sua voz baixa enquanto olhava o desenho numa das folhas.

- Mas tenho que te avisar... - Owen olhou para Nozel. - Criar um objeto mágico como esse consome muita energia, então... cuida-te, pequena águia prateada.

No momento presente...

Raios de sol transpassavam pelas cortinas translúcidas, que tremulavam com o leve vento que nelas batia pelas janelas entreabertas. Apenas a respiração de Azuli se ouvia pelo quarto ensolarado.

O silêncio foi quebrado pelo abrir da porta. Passos aproximavam-se da cama onde a menina de madeixas rosas repousava. A sombra se sobrepôs-se à menina inconsciente. Com os dedos, a franja de Azuli foi afastada para o lado, uma fina camada de suor cobria a testa da menina. Pousando a mão sobre a testa da garota, um brilho negro como o céu noturno, mas com lindos raios como o brilho noturno da luz da lua, entrou lentamente para o corpo de Azuli.

Segundos se passaram, a sombra continuava sobre Azuli. O olhar alheio notava cada detalhe dela, o corpo da jovem brilhava resplandecentemente antes de cessar.

Tudo se mantinha em silêncio mas, em um sopro, a porta do quarto foi aberta abrutamente.

Passos apressados dirigiram-se até Azuli.

Portas e janelas eram abertas.

Atrás das cortinas, debaixo da cama, atrás das colunas do quarto, no roupeiro... Tudo estava a ser revistado.

- Não parece estar aqui mais ninguém para além de nós.

- Eu senti que alguém mais estava aqui ainda agora! - resmungou ele, enervado, enquanto olhava pela varanda.

- Sentimos os dois, mas parece que esse alguém percebeu a nossa vinda.

- O que ele queria daqui? - questionou o homem, intrigado. - Se ele fosse um aliado, ele não teria ficado? - questionou ele, dirigindo-se até à cama onde Azuli repousava.

- Hum... - o homem em frente à cama sorria. - Alguém está a despertar o instinto fraternal.

- Não voltes a dizer isso. - o homem aproximou-se perigosamente do ruivo.

- Não vais admitir, hein. - o ruivo esticava o sorriso, divertido.

- Ela não passa de uma miúda irritante dos Touros Negros. - disse Nozel, virando o rosto.

- Estou a ver... - o ruivo cruzou os braços e levantou o olhar. - Disseste o mesmo acerca de uma certa platinada não há muito tempo. - ele pensou em voz alta, a mão no queixo, antes de sentir novamente o platinado aproximar-se.

- Eu já tenho muito com o que me preocupar. - retrucou o platinado, próximo ao primo flamejante.

- Isso não responde... - disse o ruivo, inclinando-se para trás.

Ambos encavaram-se até ouvirem uma pequena risada e passos a entrar pelo quarto. Por reflexo, ambos ativaram as suas magias e direcionaram-nas para a entrada.

- Eh... - Owen levantou os braços. - Calma, meninos, não sou um inimigo.

Percebendo de quem se tratava, baixando a guarda, ambos os príncipes desfizeram as suas magias.

- O que vieste fazer aqui, Owen? - perguntou Nozel, confuso. Pensei tê-lo ouvido dizer que já tinha terminado por aqui. - pensou ele.

- Perdoa o Nozel, doutor Owen. A empolgação de ontem ainda corre pelas veias do meu querido primo. - disse Fuegoleon, a bater nas costas do primo platinado com entusiasmo.

- Voltas a fazer isso e eu mesmo me encarrego de arrancar esse braço. - ameaçou Nozel, uma lança de mercúrio próxima ao braço direito de Fuegoleon.

- Tão amável quanto um coice de cavalo. - comentou Fuegoleon, o rosto virado para o lado e uma gota de suor na bochecha.

- Respondendo à tua pregunta, Nozel, encontrei uns amigos da Azuli que a queriam ver, então decidi guiá-los até aqui. - esclareceu Owen, com um sorriso nos lábios enquanto olhava para os dois primos.

Confusos, os dois olharam para a entrada do quarto. Muitos olhares incrédulos, outros pasmos, outros divertidos olhavam para os dois adultos que brigavam infantilmente.

Descuidei-me... - pensou Nozel, olhando os jovens cavaleiros que espreitavam para o quarto. Recusando-se a manter o assunto, Nozel voltou à sua expressão estoica de costume.

Perdi totalmente o foco quando notei o Owen. - pensou Fuegoleon, olhando para os jovens curiosos fora do quarto.

- Então do que estão à espera? - perguntou Nozel aos jovens, que se escondiam lentamente atrás da porta dupla.

- Não prestem atenção ao rosto sem vida do Nozel, entrem. A Azuli ficará feliz em saber que se preocupam com ela quando ela acordar. - encorajou Fuegoleon, sem um sorriso, mas a sua voz e expressão eram as mesmas confiantes e sérias que costuma falar sempre com entusiasmo.

Enquanto os jovens entravam, ecos de vozes passavam pela mente da menina na cama. Os olhos dela tremulavam, eles abriam-se e fechavam à medida que se acostumavam com a claridade do quarto.

- Naomi, o que fazes aqui? - perguntou Nozel.

- Hum? - a sua voz despertou a atenção de todos no quarto.

- Parece ser até ironia do destino. Bastou a vossa presença para a Azuli começar a despertar. - comentou Owen, aproximando-se da menina que afastava o sono, esfregando os olhos.

- Azuli! - Noelle foi para o lado da irmã, colocando o copo de água, que trouxe para a irmã por precaução, na cabeceira ao lado da cama da menina.

- Azuli. - Yuno ficou do lado de Noelle, que estava na lateral esquerda da cama, o lado das janelas ao fundo.

- Ficámos tão preocupados. - sussurrou Mimosa, inclinando-se para mais perto de Azuli.

- A minha rival é forte! - exclamou Leopoldo, entusiasmado, ao lado de Mimosa, que estava ao lado de Yano. - Não sucumbiria por nada deste mundo!

- Não fales tão alto! Ela acabou de acordar após uma exaustão de mana! - exclamou Klaus, gesticulando com o braço, que balançava para cima e para baixo roboticamente.

Exaustão de mana... Pois claro. - pensaram Noelle e Leopoldo, olhando de lado para Klaus com uma gota de suor cómica a escorrer pela bochecha.

- Naomi, terminaste a missão que te encarreguei? - perguntou Nozel, em frente à cama de Azuli.

- Sim, irmão Nozel. Assim que a terminei, soube da missão perigosa em que a irmã Noelle participou, então decidi vir vê-la. - respondeu Naomi, olhando para Nozel.

Oh... - a visão de Azuli ajustava-se à claridade gradualmente, à sua frente, duas pessoas platinadas conversavam. - Por momentos, achei que ele estava a falar comigo... Que perigo... Não posso permitir-me descuidar-me tanto assim.

Ganhando força nos braços, Azuli elevou o seu corpo e sentou-se na cama.

- Oi, pessoal. - cumprimentou Azuli, sorridente.

- Oi? - repetiram os jovens visitantes, tentando processar a palavra.

- Como te sentes? - perguntou Noelle, apressada, ajoelhando-se em cima da cama.

- Dói-te alguma coisa? Eu posso ajudar no que precisares, Azuli. - ofereceu Mimosa, sorrindo para a menina desnorteada enquanto olhava para os amigos.

- Nós viemos a correr assim que fomos liberados das nossas funções, Azuli. - revelou Klaus, entusiasmado.

- Mentira. - avisou Yuno, com o rosto estoico, fazendo uma veia saltar na testa de Klaus.

- Obviamente, nós cumprimos com todos os nossos deveres antes de vir! O esquadrão está em primeiro lugar. - disse Klaus, ajeitando os óculos.

- Dupla mentira. - disse Yuno, virando o rosto, arrancando sorrisos dos seus amigos.

- Minha grande rival, conta-me tudo sobre os membros do Olho do Sol da Meia Noite! Quando os encontrar, irei oferecer-lhes a surra da vida deles! Ahahahahah! - Leopoldo riu, as mãos na cintura enquanto uma aura sinistra o rodeava e suor escorria pelos demais no quarto.

- Eu sinto-me bem, mas não me lembro do porquê ter desmaiado. - revelou Azuli. - Foram as rochas que nos esmagaram, Noelle? - perguntou ela, curiosa, antes do seu rosto ficar pálido novamente.

Esmagar?! - pensou Nozel, em alerta.

- O Asta e o capitão, Noelle?! Foram esmagados ?! Eu sabia que eles são muito inconsequentes! - exclamou Azuli, pulando da cama, mas sendo impedida de sair por Owen.

Só eles são inconsequentes...? - pensaram todos na sala, a visão deles era outra.

- Calma, a tua aparência e disposição aparenta que estás melhor, mas eu gostaria de analisar mais profundamente a tua condição, Azuli. - disse Owen, antes de olhar para os amigos de Azuli, que o olhavam intensamente. - Bem, como o teu estado parece bom, não vejo porque não deixar-te um pouco com os teus amigos. - Owen pousou a sua mala na mesa cabeceira e andou até a frente da cama. - Se ela sentir algum sintoma ou dor, avisem-me imediatamente. Eu estarei no quarto ao lado.

- Eu sou capaz de avisar também. - disse Azuli, olhando para o doutor, que se virou.

- Eu não duvido de ti, apenas quero certificar-me de que tens todos os teus amigos ao teu dispor. - Owen sorriu.

- Nesse caso, estou de acordo, doutor! - concordou Azuli, contente.

Será que o doutor conhece a fama da Azuli? - questionaram-se os seus amigos, olhando intensamente para o homem que passava pela porta com um sorriso.

- E vocês os dois, capitão trancinha e capitão Fuegoleon, vieram ver-me também? - perguntou Azuli, o seu sorriso a enfeitar os lábios enquanto os seus olhos azuis celeste brilhavam de alegria ao olhar os dois.

- O assunto que vim falar é privado, por isso eu irei esperar lá fora até vocês terminarem. - disse Nozel, começando a andar até à porta.

- Espera aí. - Fuegoleon parou Nozel pelo ombro e virou-se para os amigos de Azuli. - Sinto muito ter que vos pedir isto, mas nós teremos uma reunião de capitães daqui a uns minutos, então temos que nos apressar. - disse ele, atiçando a curiosidade dos jovens cavaleiros. - O Nozel precisa falar urgentemente com a Azuli, por essa razão peço-vos que esperem só mais um pouco para ficarem com a vossa amiga.

Idiota, idiota, idiota! Ele fez parecer que eu me importo com o bem estar dela! - pensou Nozel, ainda virado de costas para os jovens, então o tic na sua sobrancelha não podia ser percebido.

- Sem problemas, primo Fuegoleon. - disse Mimosa, olhando para o primo com um sorriso. - Até já, Azuli. - Mimosa saiu do quarto.

- Se pões as coisas assim... Já, já nos vemos, minha rival! - Leopoldo seguiu Mimosa.

- Ficarei lá fora com os outros, até que voltemos, não faças esforços inúteis! - exclamou Klaus, os raios de sol a baterem nos seus óculos.

- Se precisares de ajuda, grita. - disse Yuno que, antes de sair, deu uma boa olhada no capitão dos Águias de Prata.

Este rapaz não conhece os seus limites. - pensou Nozel, com um pico do sangue a ferver.

- Noelle... - chamou Naomi, ainda em frente à cama de Azuli.

- Eu vou com eles, mas não escapas de mim, entendeste?! - Noelle olhou bem nos olhos de Azuli, que se encolheu no canto da cama.

- Não te preocupes, maninha. - respondeu Azuli, sorrindo nervosamente.

Que gênero de relação elas duas têm? - pensaram Fuegoleon e Nozel, enquanto Noelle saía acompanhada de Naomi.

- Até já. - disse Naomi, antes de fechar a porta.

No quarto, só restavam três pessoas.

- Certeza que estás apta para ficares de pé, Azuli? Sofreste um choque muito grande pela falta de mana. - disse Fuegoleon, apoiando Azuli pelos braços.

- Está tudo bem agora, isto é algo recorrente. - tranquilizou Azuli, olhando para o capitão do seu lado.

- Recorrente de que maneira? - Azuli olhou surpreendida para Nozel. O olhar do homem parecia interessado no ver da menina.

- Todas as vezes que uso muita mana parece que o meu corpo entra em colapso. - respondeu ela. - Mas não é nada demais. - disse ela, despreocupada. - Basta descansar que isto resolve-se.

- Tu não tens noção de nada, tens? - perguntou Nozel, após respirar fundo.

- Não tenho? Eu convivo com esta condição desde que me lembro, aprendi a ter cuidado para não me exceder, mas às vezes isso é impossível. Agora que sou uma cavaleira mágica, isso agora é impensável. Não vou permitir que magoem os meus companheiros ou pessoas inocentes só para não sofrer com a minha condição. - disse Azuli, olhando para Nozel.

- Que tolice. - insultou Nozel, olhando para a pequena menina. - A questão não é somente um sacrifício pessoal para se dedicar ao campo de batalha. As pessoas estarão a contar contigo em um momento crítico da vida delas, ofereceres a tua vida não adiantará de nada se não fores capaz de proteger o reino. - Nozel lançou as palavras duras a Azuli, que o olhou atentamente. E foi então que Nozel notou, ele admirou o seu olhar, nada parecia ter mudado desde a primeira vez que o vira. O mesmo olhar convicto e determinado que ela tinha na arena durante o exame de admissão permanecia ao ouvir as palavras de Nozel.

- Eu vou crescer. O meu potencial ainda não chegou ao ápice, pelo contrário... Acredito que, assim como os meus colegas, o meu potencial ainda nem aflorou. O que disseste... é verdade. Eu não pude proteger as crianças ou os meus amigos sozinha durante o ataque do Olho do Sol da Meia Noite, mas não é esse o objetivo, pelo menos, o momento ainda não o exige.

- Pretendes continuar a tua jornada como cavaleira mágica? O teu desejo é te tornares numa Guardiã do país, é isso? - perguntou Nozel, dando um passo em frente. - Eu não acredito que isso aconteça.

Frente a frente, Azuli deu um passo atrás e inclinou-se, encostando-se a Fuegoleon, que se mantinha atrás da menina.

Por que ele tem sempre que olhar para todo o mundo com esse olhar que mais parece o frio ártico? Ele tem gosto em intimidar as pessoas? Ou talvez ele nem saiba que o faça... - pensou Azuli, não desviando do olhar de Nozel nem por um segundo. O sentimento de que ela estava em um jogo de poder mantinha-se na sua mente, o seu coração acelerava conforme os segundos se tornavam intermináveis.

Se ao menos eu tivesse mais formas como comprovar quem realmente a Azuli é... - pensou Nozel, o seu olhar no da Azuli. - Mas enquanto isso não é possível...

- Pega. - Nozel estendeu a mão.

Azuli piscava os olhos, o seu olhar vidrado. Ela escutou Nozel, mas o seu olhar não desprendia do mais velho.

- Nozel... - chamou Fuegoleon, chamando a atenção do primo.

- O que foi? - perguntou o platinado, olhando seriamente para o primo.

- Nada. - respondeu o ruivo, apertando discretamente os braços de Azuli ligeiramente, despertando-a do seu transe.

- O-O que é isso? - perguntou Azuli, olhando intensamente para o objeto na mão do capitão platinado. Não gaguejes, não mostres fraqueza a esta altura! Não podes ser dependente emocionalmente do teu irmão novamente!! - pensou Azuli, enquanto brincava com as suas mangas curtas pretas transparentes com desenhos de galhos da sua camisola de flanela vermelha.

- Este broche irá ajudar-te a regular a mana durante as tuas crises. Ele nunca foi usado, por isso, se houver algum problema... - Nozel colocou-o na mão de Azuli. - Vem falar comigo. Terás livre acesso ao Castelo Silva e à base dos Águias de Prata quando precisares. - disse ele, antes de olhar desafiadoramente para Azuli. - Mas isso não significa que permito que abuses.

Estava tudo perfeito demais, como um sonho. - pensou ela, antes de olhar para o brilho que resplandeceu do broche. - Não pensei que ele se preocupasse com alguém como eu.

O pequeno broche consistia no formato de um diamante de quatro pontas de prata com espessura de quatro centímetros com uma flor muito especial no centro, as suas pétalas pareciam pintadas com tintas de cristais enquanto as sementes roxas eram fragmentos de ametistas. No topo do broche, uma coroa de ouro era entrelaçada com uma cruz de prata no cimo, o símbolo da Casa Real Silva. Pequenas asas prateadas pareciam acolher ambos os símbolos, a coroa e a cruz.

Ela não gostou do broche? Ele é para ajudar a sua condição não para ser bonito! - pensou Nozel, olhando "sem interesse" para a menina que olhava e tocava delicadamente o broche.

Ele realmente está a considerar a ideia de que a Azuli pode ser a sua irmã caçula. - pensou Fuegoleon, com um sorriso, enquanto olhava as bochechas estufadas de Nozel, que estava alheio à sua figura.

- Se isto veio de bom coração, eu aceito com muita alegria, capitão Nozel! - Azuli sorriu brilhantemente para Nozel. - Só preciso de saber uma coisa...

- Vai em frente. - disse Fuegoleon, contente.

- Como é que isto se coloca? - perguntou Azuli, com o broche nas mãos.

- Honestamente... - Nozel pegou no broche e abriu-o. - Eu modifiquei este broche para que ele possa carregar o teu cristal.

- Hum? - Azuli olhou para o cristal que Nozel tinha nas mãos. - Onde o encontraste? Eu não me lembro de tê-lo usado durante a luta de ontem. - disse ela, ao mesmo tempo que esticava a mão para o pegar.

- Ele estava debaixo de camadas de gelo na montanha em que te encontrei, mas a Noelle e o rapaz dos Pavões Corais devem saber explicar melhor que eu. - disse Nozel, sem soltar o cristal de Azuli.

- Então o Benjamin estava lá também... - disse Auli, a sua mente noutro lugar. O que aconteceu ontem foi tão grave que precisámos da ajuda do Ben? Ele não acompanhou a Noelle hoje, será que está ocupado? - pensou ela, preocupada.

- O rapaz está bem, ele foi atendido de imediato pelos magos do quartel general. - disse Nozel, o seu olhar sério em Azuli, que levantou a cabeça, o seu olhar culpado a ser lentamente substituído por alívio.

- Obrigada por tudo! Quando eu sair daqui, irei vê-lo. - o sorriso que Azuli abriu foi o mais sincero que Nozel viu na menina até este momento.

Olhando para o relógio na parede ao fundo, Fuegoleon teve que se intrometer no momento dos dois colegas cavaleiros mágicos.

- Sinto muito apressar-vos, mas o nosso tempo é escasso. Nozel, faz o que tens a fazer e apressemo-nos. Não queremos chegar mais atrasados do que o Yami ou o Julius.

No momento seguinte, Nozel colocou o cristal no espaço dedicado especificamente a ele no interior do broche, fechando-o em seguida.

- Vê se não o voltas a perder, se tivesse ficado perdido entre os escombros da montanha, podia ter caído em mãos erradas.

- Eu estava inconsciente, claro que eu jamais perderia o meu cristal mesmo debaixo do meu nariz! - retrucou Azuli, pegando no broche. - Hum... Eu ainda não o sei colocar. Isto nem parece ter um alfinete. - disse Azuli, analisando o broche.

Com um suspiro, Nozel voltou a pegar no broche e desentrelaçou o metal nas costas do objeto. De seguida, olhou para a roupa de Azuli, desapontando-se.

- Com licença. - pediu Nozel. Com um toque no ombro de Azuli, a mão de Nozel começou a brilhar em azul, a cor da sua mana. Do ombro da menina, sutis videiras de prata alongavam-se do alfinete redondo de prata com o símbolo dos Touros Negros até à linha superior do peito da garota, substituindo a função de correntes, formando uma estranha flor aberta ligada às videiras. E foi nessa estranha flor que Nozel pousou o broche. A flor aberta, rapidamente se fechou, ela já não podia ser vista, mas o broche estava no centro, bem à vista.

- Terminei. - disse Nozel.

- Se algum dia te fartares de ser um cavaleiro mágico, meu rival, podes tentar um negócio de joalharia! - provocou Fuegoleon.

Azuli, curiosa, foi a correr em busca de um espelho. Em pouco tempo, ela encontrou um de corpo inteiro.

- São tão fofas. - Azuli tocava nas sutis videiras de prata. - Sinto-me como uma princesa com aquelas correntes que ligam as medalhas à roupa.

- Se não gostares, posso sempre mudar com a tua preferência. Por agora, fiz o que me competia. - disse Nozel, serenamente, de olhos fechados.

- Claro que não! Está ótimo assim, faz o meu estilo. Obrigada, trancinhas! - agradeceu ela, tirando o olhar do seu reflexo. Será que a prata é tão reluzente porque é mágica? Ai, se o Asta toca nisto eu nem sei o que lhe faço! - pensou ela.

- Como queiras. - disse Nozel, começando a andar para a porta. - Fuegoleon.

- Foi bom ver-te bem, Azuli. Espero-te um dia no castelo Vermillion para a nossa sessão de histórias. - Fuegoleon despenteou o cabelo de Azuli.

- Sim! Eu não perderia por nada a história da antiga Guardiã! - comentou Azuli, animada.

- Até breve! - despediu-se Fuegoleon, sorridente, seguindo Nozel, que abriu a porta.

Como era de se esperar... - pensou Nozel, passando reto pelos cavaleiros caídos atrás da porta aberta.

- Até logo, pessoal. Leo, não te esqueças que não estás de folga. - lembrou Fuegoleon. Nos últimos dias, Leopoldo parece estar distraído nas missões, mas a sua performance nas batalhas tem melhorado gradualmente.

- Sim, irmão!! - exclamou Leopoldo, entusiasmado.

Uns minutos mais tarde... Na reunião...

- Fufufufufu... Fiquei a saber o que fizeram em Nean. - disse Gueldre, capitão dos Orcas Púrpuras. - E pensar que mesmo com cinco capitães presentes os terroristas conseguiram fugir. - disse ele, com o seu sorriso dentuço sinistro.

- Kakaka! - Jack riu estridentemente. - Quer dizer que os adversários que tu sempre estiveste acostumado a enfrentar são ridículos... Os níveis de Diamond e Spade são totalmente diferentes.

- Fufufu! Diz o capitão do esquadrão que tem muito menos estrelas que o meu. - desdenhou Gueldre, rindo.

- Kakakaka! Tens a certeza de que não andas a fazer nada corrupto para conseguir essas estrelas? - provocou Jack, acompanhando o riso despreocupado de Gueldre até uma risada alta os fazer parar.

- Meu, o brilho de uma katana novinha não tem comparação. - disse Yami, polindo a lâmina, com um largo sorriso enquanto fumava. - Mas ficar dez anos a pagar por ela é sacanagem. E aí, barriga negativa, o Goldebre só disse verdades.

- O meu nome é Gueldre. - lembrou o capitão, avançando sobre a mesa, irritado.

- Tu és a última pessoa que pode falar, Yami sem estrelas! - retrucou Jack.

- Hum? Eu não tô nem aí, eu estou cheio de estrelas... estrelas negras. - orgulhou-se Yami.

- Essas são as estrelas negativas! Para de te orgulhar! - exclamou Jack, exaltado.

- Que irritante... Um ex-plebeu e forasteiro.. Fiquem em silêncio. - mandou Nozel, o seu rosto estoico.

- É o quê, ô, cabelinho? Queres resolver lá fora, Senhor Realeza? - desafiou Yami, indo na emoção da discussão.

- Que idiotice. Por culpa de homens irritantes a conversa não progride. - reclamou Charlotte, o seu tom sutilmente enervado. Por que eu estou sentada ao lado do Yami?! Fica calma, Charlotte... Calma... - pensou ela, enquanto se acalmava de olhos fechados.

- Mantenham os ânimos sob controle. - sentado na sua cadeira com as mãos sobre a mesa, Fuegoleon tentou acalmar a tensão na sala. - Uma vez que temos que nos reunir em momentos de tensão do país, o que o Julius tem a nos falar deve ser de extrema importância! - disse ele, o seu entusiasmo impregnado na voz, mas não só. Quando ele reparou, ele estava de pé, batendo na mesa com o punho enquanto chamas cobriam o seu corpo. Acalmando-se, Fuegoleon fingiu limpar a garganta e voltou ao seu lugar.

Ele sempre consegue controlar a sala. - pensou o capitão mais jovem, Rill.

- Sinto muito pelo atraso. - o último capitão chegou até à mesa dos capitães, William Vangeance.

- O que estavas a fazer, Vangeance? - perguntou Charlotte, dirigindo um olhar cauteloso para o colega.

- Ah, era um assunto importante do qual eu devia encarregar-me. - disse William, sentando-se à ponta da mesa, ao lado de Jack, sendo seguido pelos olhares dos capitães sentados.

- Com certeza estavas ocupado. - disse Gueldre, o seu sorriso dentuço colado nunca indo embora enquanto o seu queixo era apoiado na mão. - Já que é o carismático capitão do esquadrão número um do exército de cavaleiros mágicos com o maior número de estrelas. Eu gostaria de saber... Qual é o segredo para se tornar, de uma hora para a outra, no esquadrão mais poderoso do reino! Eu ouvi dizer que quem se une ao teu esquadrão desperta um talento inesperado... A tua magia por acaso pode prever o futuro das pessoas?

- O meu poder não é tão excepcional assim... O segredo é apenas o esforço dos nossos membros. - disse Vangeance, que abriu os olhos para falar com Gueldre novamente. - Já eu queria saber como me tornar em um comerciante rico como tu...

- Fufufufu! Isso é segredo comercial. - respondeu o capitão dos Orcas Púrpuras.

- Já tem um tempo que eu penso nisso... - Yami olhou para Gueldre. - Tu ris de um jeito estranho para caramba.

- E o que isso tem a ver com agora? - perguntou Gueldre, desconcertado.

- E, na moral, tu pareces um presunto sem osso. - Yami soltou outra ofensa, mas a sua voz nada mostrava senão sinceridade. Gueldre apenas continuou a olhar para Yami, sem nada a dizer.

- Vangeance... Onde estavas na cerimónia de condecoração? - perguntou Nozel. - Os capitães são obrigados a acompanhar os seus membros durante a cerimónia. Ou, por acaso, não tinhas uma missão que não podias deixar de conduzir?

- Eu estava a apostar. - Yami levantou a mão, admitindo o seu paradeiro no dia.

- Ninguém te perguntou. - respondeu Nozel.

- Ei, parem de pressionar o Douradinho... - disse ele, antes de olhar para William. - Porque tu... não usas magia de luz, não é? - perguntou ele, sem um único vestígio de diversão.

- De forma alguma. - respondeu William, o seu sorriso nunca desvanecia. Quanto aos outros capitães, eles olharam-no de lado, a desconfiança entre eles manteve a tensão viva.

Mas que climão! - pensou Rill, alarmado.

- Olhem aqui, pessoal! - gritou ele, puxando o cabelo para cima. - A imitação do Yami! - disse ele, as sobrancelhas franzidas e olhar intimidante presentes no seu rosto, mas nada que se comparasse ao original...

- Cala a boca!! Imbecil de cabeça de esponja!! Imita-me de novo que eu vou enfiar esta espada na tua goela!! - ameaçou Yami, a sua aura roxa a rodeá-lo enquanto a sua lâmina brilhava. - Tu tens cara de quem foi muito mimado, né, ô, seu riquinho? Vou mimar-te muito bem, seu bastardo.

Mas ainda há pouco ele estava a rir e agora está com raiva?! - pensou Rill, encolhendo-se na cadeira sob o olhar de Yami.

- E tu aí, ô, garota!! Para de ficar a dormir o tempo todo!! - exaltado, Yami apontava para a capitã adormecido, os seus olhos redondos em branco. - Tu estás a tentar falar e roncar ao mesmo tempo? Eu não faço ideia do que estás a falar! - exclamou ele, deixando a cadeira cair ao se levantar bruscamente. - E onde está o Julius que nos convocou aqui?!! Acho bem que não se tenha esquecido de nós e ido para outro lugar!!! Velho maldito!!! - gritou ele.

Bem provável... - pensaram Nozel, Fuegoleon, Jack e Charlotte.

- Sinto muito por fazê-los esperar. - Marx apareceu pela sua projeção em frente à mesa dos capitães. - Os preparativos estão prontos. A reunião será realizada em outro aposento...

- Vem tu para cá. - retrucou Yami, o seu olhar vermelho sangue.

- Ah! Por favor, Yami, tem um pouco de paciência!! - pediu Marx, após o susto que levou pelo rosto de Yami. Por que ele está com raiva...? - pensou Marx, antes dele desaparecer da tela abrutamente durante o som de um estrondo.

- Hã? Isto é obra do Julius? - perguntou Yami, equilibrando-se após a sala estremecer.

- Devemos verificar o Marx? Podemos ter alguma ideia do ocorrido! - Fuegoleon saiu da sala às pressas e correu para o local onde sentia a mana de Marx.

- Kakakaka! Não vamos ficar para trás, ou vais, Yami? - apostou Jack, ativando as suas lâminas nos braços.

- Eu vou experimentar esta beleza! Tu podes ficar a observar, sua galinha esquelética! - gritou Yami, que correu para fora da porta com a katana em mãos.

Todos os capitães seguiram o exemplo e correram até à causa do estrondo que fez estremecer a torre.

Não havia destroços no campo de visão dos capitães, os seus níveis de alerta aumentavam por essa razão. Um estrondo causado por algo que pôde fazer a torre estremecer, um que parou a comunicação de Marx... Julius devia estar junto a Marx... Como um ataque foi permitido?

Momentos antes... No quarto de Azuli...

- O quê?! Os capitães destruíram a caverna inteira?! - exclamou Azuli, surpreendida.

- Isso mesmo. - confirmou Klaus. - Nós queríamos lutar ao vosso lado, mas quando chegámos lá o Olho do Sol da Meia Noite já tinha fugido. - informou ele.

- Se tivesse lá estado, teria feito a caverna toda em cinzas! - exclamou Leopoldo, batendo entusiasmantemente nas costas de Yuno.

- É que nos avisaram tarde demais. - reclamou Yuno, virando o rosto para o lado.

- Hás de ter a tua oportunidade de batalhar contra eles, Yuno. Eu sai-me lindamente na minha vez! - Azuli avançou até Yuno. - Hum... Mas olha lá... Que boneca voadora é essa? - Azuli apontou para a boneca no ombro de Yuno.

- Eu não sou nenhuma boneca! Eu sou o grande espírito do vento, Sylph. Mas agora, graças ao meu amado Yuno, podes chamar-me Bell! Né, Yuno? - Bell voava ao redor da cabeça de Yuno alegremente.

- Então, muito prazer, Bell. Cuida do Yuno, porque ele ama lutar até cair desfalecido. - disse Azuli.

- Comigo, o Yuno não perderá nunca mais! Deixa por minha conta! - Belle sorriu, confiantemente.

Ela está a ser tão simpática para a Azuli... - pensaram os dois membros do Alvorecer Dourado, espantados.

- Voltando ao assunto, um dos sequestradores das crianças, o Neige, está a ser interrogado aqui no quartel general. - avisou Klaus. - Bom, imagino que ele não saiba nada sobre o Olho do Sol da Meia Noite. - admitiu ele.

- Estão a levar em consideração que ele não queria fazer o que fez e que ele não queria fazer mal. - acrescentou Mimosa. - Eu acho que ele só vai apanhar trabalho voluntário na igreja de Nean como punição.

- Ficar perto de crianças e ter o dever de as proteger vai ser ótimo para ele. Ele não é mau rapaz. - disse Azuli, feliz. Nero repousava sobre o capuz da sua capa, trazida por Noelle após Vanessa a consertar, na sua cabeça. - Pessoal, vocês sabem como estão os outros que estavam na caverna? O Benjamin ter estado lá foi uma surpresa, o que mais aconteceu enquanto estive inconsciente? - perguntou Azuli, olhando para Noelle.

O primeiro a se pronunciar foi Leopoldo.

- Quando eu soube que o Benjamin estava na enfermaria do quartel general, eu vim assim que pude, e foi aí que eu encontrei a Noelle a vagar por aí toda enfaixada. Mas quando nós os dois chegámos ao quarto indicado, a cama dele estava desfeita, mas ele não estava mais lá.

- Ainda o procurámos pelo quartel general, mas não o encontrámos em lado nenhum. Ainda perguntámos aos magos de cura, mas eles ficaram tão surpreendidos quanto nós. - concluiu Noelle, com os braços cruzados. Assim que terminou de falar, ela sentou-se num dos sofás dispostos no quarto.

- Então as feridas dele devem ter sido muito ruins... E ainda assim... Por que ele saiu do nada? Certeza que a capitã dele não o obrigaria a ir em missões em mau estado. - raciocinou Azuli,

- Quando se viram sem saída, a Noelle comunicou comigo e pediu-me para perguntar ao meu irmão se sabia alguma coisa do Benjamin, e assim eu o fiz. Como nós íamos passar pela base dos Pavões Corais, o Klaus concordou em parar por lá.

- Eu não concordei com nada! - disse Klaus, ajeitando os óculos. - Tu nem me deixaste responder. - disse ele, sentando-se ao lado de Azuli, que estava num sofá de dois lugares.

- Independentemente desse detalhe... - disse Mimosa, fazendo Klaus pegar na xicara de chá que havia sido entregue no quarto há pouco. - Resumindo, o meu irmão disse que não o via desde há dois dias. Ele não regressou à base após uma missão. - disse ela, por sua vez, tomando o lugar no grande sofá vazio, que logo foi ocupado por Leopoldo, Noelle e Yuno.

Benjamin, o que andas a fazer? Se não estavas bem, podias ter contado comigo há mais tempo. Tenho que ir procurá-lo e ver como ele está! - Azuli pensava em Benjamin, o rapaz que fez a promessa de ser o seu protetor.

- Em relação ao Asta, ei vi-o a andar junto do secretário do Rei Mago para algum lado. - informou Yuno.

- Apanharam dois membros do Olho do Sol da Meia Noite quando atacaram a Capital Real, pode estar relacionado a isso. A antimagia de Asta pode ser útil para anular qualquer magia nos prisioneiros que os impeçam de falar. - disse Leopoldo.

- Por último, pelo que eu sei, o Finral e o Gauche estão perfeitamente bem. O Finral queixa-se como todos os dias e começou o dia a dar em cima das médicas e enfermeiras, também o vi a trazer o capitão Yami aqui para o quartel. Já o Gauche importunou o Finral para o levar para a igreja de Nean, ele deve ter ido importunar a irmã Theresa. Ouvi dizer que as feridas dela estão totalmente curadas, ela só tem que descansar agora.

- Então estão todos bem. Só falta saber do Benjamin! - após terminar de comer o seu croissant, o seu pequeno-almoço, ela abriu as grandes janelas que davam para a varanda, surpreendendo os seus amigos, exceto Yuno.

- Cuidado! Não prestaste atenção às indicações do doutor Owen?! - gritou Klaus, pegando firmemente na chávena de chá que quase entornava sobre si após uma tentativa de se levantar abrutamente.

- Minha rival, eu acompanho-te! Ahahahah! - Leopoldo saltou da varanda e seguiu Azuli.

- Eles são doidos?! - gritou Noelle, embirrando, os punhos levantados à altura do peito. - Eu também vou! - gritou ela, um rubor rosa ao saltar da varanda.

- É tudo farinha do mesmo saco. - comentou Yuno, antes de dar um gole no seu sumo de laranja.

- Tem a sua parcela de graça. - riu-se Mimosa.

- Vamos, temos que ir andando. - disse Klaus.

Levantando-se, Yuno e Klaus terminavam de beber as suas bebidas, quando ouviram um zumbido pelo quarto.

- Vocês estão a ouvir isto? - perguntou Klaus, pousando o chávena.

- Parece vidros a estilhaçar. - comentou Mimosa, olhando para os vidros do quarto. Porém, todos estavam intactos.

- Terramoto? - perguntou Yuno, um pico de alarme soava na sua voz.

A razão do estremecimento era desconhecida, mas o alerta veio nos segundos seguintes. Um estrondo ecoou através das janelas. A causa do ocorrido estava perto.

- Um ataque?! - Mimosa gritou, sendo protegida com o escudo de aço de Klaus, que agiu rapidamente ao som do vidro rachar.

- Ah, quem está a usar uma magia tão sinistra a esta hora da manhã? - reclamou Bell, criando uma esfera de vento ao redor dos cavaleiros no quarto, protegendo-os dos cacos de vidro que voavam pela sala.

- Quem seria tolo o suficiente para atacar o quartel general quando o Rei Mago e todos os capitães estão presentes?! - questionou Klaus, um ataque não fazia sentido na mente dele.

- Não é ficando aqui que iremos descobrir. - disse Yuno.


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