30#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar
Capítulo 30 - O mago do espelho
O sol ainda não se tinha levantado, a noite ainda reinava.
Sob a lua, poeira flutuava em volta de uma pequena montanha envolta nas sombras. Embora nada parecesse estar fora dos conformes, um grito esganado ouviu-se do cimo da montanha.
- Então... - uma voz falou no topo.
- Demasiado forte.
- Que tipo de magia foi aquela?!
- Como desejam morrer? - a voz perguntou.
Quem falava pisava no rosto do homem abaixo de si.
Era Gauche.
Abaixo do Touro Negro, um amontoado de homens gemia de dor, eles pareciam acabados.
- P-Por favor, poupa as nossas vidas!! Prometemos nunca mais atacar o vilarejo, ahh! - suplicou ele, o seu rosto era espezinhado a todo o momento.
- Hoje eu não vos matarei. - o homem espezinhado encheu-se de esperança, surpreendido pelo que ouviu.
- Porque hoje... - Gauche pegou em um pingente. - É o aniversário da minha irmãzinha Marie. - o sangue escorria pelo nariz de Gauche sob a visão da imagem da sua irmã sorridente que era guardada no pingente. Ah ah ah. - a expressão de Gauche mudou por completo ao se dirigir ao criminoso. - Ei... Desejem um feliz aniversário à Marie, suas escórias.
- Quem é essa?! - alguém do amontoado de criminosos perguntou, a voz refletia dor.
- Celebrem grandiosamente. Fiquem felizes. E depois morram. - disse Gauche.
- Mas... Nós vamos morrer mesmo assim?! - o homem espezinhado perguntou, a vida a passar-lhe pela frente.
Quartel General dos Águias de Prata...
Discretamente, os membros dos Águias de Prata olhavam para a mesa designada para o seu capitão. Ele sentar no refeitório junto a eles, aos cavaleiros mágicos sob seu comando, foi uma surpresa, mas o capitão sentar ao lado de uma jovem rapariga foi um choque!
Conhecido por ser reservado, rígido, antissocial, uma pessoa de poucas palavras, Nozel Silva foi alvo de olhares dos próprios irmãos.
- Nebra, acho que o feitiço daquele verme nos mandou para um mundo paralelo. Estou a ver coisas estranhas ali à frente. - Solid falou, sem olhar para Nebra, os olhos não desviavam da causa do seu estranhamento.
- Eu também estou a ver, mas não sei ao certo o que está a acontecer. - disse Nebra, ela olhava da mesma forma e para o mesmo lugar que Solid.
- Certeza que o teu feitiço está desativado? Talvez estejamos a olhar para uma miragem. - disse Solid, os olhos não abandonavam Nozel por um segundo.
- Não parece ser uma miragem... Mas talvez devamos ir confirmar. - disse Nebra, desta vez a olhar para Solid, que retribuiu o olhar.
Nebra e Solid, incertos, avançaram em direção ao seu irmão mais velho. Vindos de uma missão onde correram risco de vida, onde lutaram contra assassinos ardilosos, o anseio e a apreensão sentidos durante a missão não se igualavam sequer ao terror que sentiam ao ver o seu irmão acompanhado de uma jovem mulher. Para eles, isso podia significar algo que evitavam há nove anos com diligencia e que não querem que aconteça tão rapidamente, talvez nunca.
Sentindo a presença dos irmãos atrás de si, Nozel pousou o copo de água sobre a mesa.
- Nebra, Solid, quero-vos no meu escritório. - Nozel levantou-se. - Vem. - a rapariga que estava ao seu lado levantou-se e seguiu Nozel.
Os cabelos prateados, reluzentes aos raios dourados do sol, chamaram a atenção dos irmãos, que estranharam. Uma pergunta foi feita entre olhares silenciosos. Um pequeno pormenor não passou despercebido.
Os membros do esquadrão acompanhavam a saída dos irmãos Silva com o olhar. Provavelmente, a mesma pergunta que tinham Solid e Nebra passava na mente de todos.
Passo a passo, Nebra e Solid chegaram até à porta do escritório do irmão. Com relutância, eles entraram.
Frente a frente, eles puderam confirmar.
- Que piada é esta? A saída de ontem rendeu-te bem, Nozel? - questionou Nebra, o semblante outrora incerto e horrorizado, mudou para um amargo.
- A que se deve aquilo, irmão?! - Solid apontou para a rapariga. - Aquilo não lhe pertence!
Eu já previa isto. - Nozel pensou enquanto olhava para os irmãos.
A reação dos dois, embora não tenha sido a mais adequada para membros da realeza ou para pessoas da idade deles, era a esperada pelo seu irmão.
Em frente aos dois irmãos revoltados, uma rapariga usava a roupa que pertenceria à falecida Naomi Silva.
Nebra conhecia-o, ela sabia que a morte da sua irmã jamais havia entrado na mente de Nozel, ele nunca aceitou. As roupas, foi Nozel que ordenou os alfaiates criarem ao estilo de Naomi para todas as idades que ela viria a fazer, por mais que tudo apontasse que ela havia falecido na invasão do castelo Clover. Ela deu suporte ao irmão à sua maneira, mas isto... Quem não aceitava era ela! Oferecer algo com tanto significado a uma desconhecida, a uma qualquer.
A calma e o silêncio mantiveram-se até Solid avançar contra a rapariga.
- Hã?!! - expressou a rapariga, as mãos rapidamente perto do pescoço, mas ela não foi rápida o suficiente.
- Isso já é demais! - exclamou Solid, irritado.
- Comporta-te, Solid! - disse Nozel, severamente. - Acalmem-se, os dois.
- I-Irmão... Isto... - Solid lutava entre expressar o que pensava ou afundar as palavras de fúria no fundo da sua mente.
- Sem chance. Ele tem razão. - ambos, Nozel e Solid, olharam para Nebra, que estava cabisbaixa após tirar o que Solid tirou abrutamente da rapariga. Um momento depois, Nebra andou até Nozel, olhando-o nos olhos, frente a frente. - Eu sou a primeira a confessar, custa-me pensar que a Naomi tenha morrido naquele dia, mesmo que não fossemos as irmãs mais queridas uma da outra, mas isto... - Nebra olhou para a rapariga de olhos azuis celeste. - Simplesmente decidiste entregar tudo a uma rapariga semelhante à Naomi e entregar-lhe o seu colar?
Na mão de Nebra, um colar de lua azul com raios brancos ao redor era exposto para todos olharem. Ela espreitou, ela viu, a pintura dentro assustou-a quando viu pela primeira vez, mas causou-lhe arrependimento na segunda vez que a viu. Momentos marcantes afetaram-na, lembranças e sentimentos terríveis vinham assombrá-la sem piedade.
Pôr a ordem, impor respeito... Era o suficiente para lidar com todas as situações, para tomar as rédeas da situação, mas não o bastante para lidar com a sua irmã Nebra. Nozel devia pensar no que teria que ser feito... antes que a família sofresse.
Base dos Touros Negros...
- E aí? Todo o mundo de olho aqui. - avisou Yami, com o cigarro na mão, a todos os membros do esquadrão, que estavam sentados no chão em fila à sua frente. - Acabámos de receber, hoje não há expediente.
- Aeé!! - celebraram todos, contentes.
- Eu vou explorar a cidade! - Azuli levantou-se, entusiasmada. Talvez possa esquecer-me um pouco dos acontecimentos de ontem. - pensou ela.
- Nesse caso, eu também vou. Vamos juntas. - anunciou Noelle, ao que Azuli sorriu, feliz.
- Eu vou treinar para valer! - Asta gritou de empolgação, enquanto se preparava para fazer flexões. Mas ele não disse que eu não podia ter folga hoje? - questionou-se Asta, em dúvida. - Ahh, quem liga?!!! - pensou ele, continuando as flexões.
- Na boa, capitão Yami! Excelente decisão! - Magna levantou-se, animado com a folga.
- Vamos beber até cair. - disse Vanessa, um sorriso de olhos fechados enquanto segurava uma taça de vinho. A bracelete do dia anterior mantinha-se no pulso dela.
- Agora é hora de tomar o segundo pequeno almoço! - disse Charmy, sentada a uma mesa, pronta para comer dois cupcakes.
- Eu vou dar em cima de todas! - exclamou Finral, enérgico. - Raparigas da praia, da montanha, tenham o grande prazer de conhecer o homem aqui!! - apresentou-se Finral, animado.
- Chuuu. - expressou Grey, que soltava fumaça pela boca.
- Aliás, ô, Gauche. Bom trabalho com aquele bando hoje, hein. - parabenizou Yami, sem olhar para Gauche, que virou o rosto para o capitão.
- Hoje é o aniversário da Marie, posso tirar folga até ao próximo aniversário dela? - perguntou Gauche, a sangrar pelo nariz com a foto de Marie à sua frente.
- Mas de jeito nenhum. - respondeu Yami.
- Que tédio! Será que vão atacar a capital de novo? - perguntou Luck, que dava socos ao ar. - Tomara! Desta vez eu posso atacar! - exclamou Luck, um leve rubor rosa a aparecer com o pensamento.
- Não vais atacar nada. - respondeu Yami.
- A sorte no dinheiro acaba rápido para quem só fica a polir ouro. - disse Gordon, enquanto polia o botão dourado do seu manto.
Enquanto Gordon polia, os demais festejavam, já com uma ideia do que farão no seu dia de folga.
- Magia de Criação de Algodão: Ovelhas Cozinheiras! - exclamou Charmy, entusiasmada, com o punho levantado. Três bolas de algodão flutuaram acima da mesa, logo se transformando em três ovelhas, que habilidosamente cozinharam em segundos.
- Hora de comer! - exclamou Charmy. Vários pratos de comida estavam dispostos na mesa. - Nhac, nhac, nhac...
- Ai, batatas! Eu adoro batatas! - gritou Asta, os punhos elevados ao nível do peito pela empolgação.
- Eu pesquisei a especialidade de Hage, a terra natal do meu Príncipe Salvador de Comida. Podem avançar, pessoal! - autorizou Charmy, que falava com a boca cheia, pedaços de comida rodeavam a boca.
- Obrigado! Tá tão bom! - falava Asta, que chorava rios de lágrimas pela emoção de voltar a comer algo que lhe era tão nostálgico.
- Está bem seco isto aqui. Deve ter bastante fibra. - comentou Yami, enquanto comia um pedaço da batata.
- Precisa de sal. - comentou Azuli, entre o mastigar.
- Preciso de água. - disse Noelle, meio rouca. Azuli entregou-lhe um copo com água que ela mesma conjurou, bebendo também em seguida do seu copo.
- Hmm. - Luck pegou numa das batatas da bandeja que Magna segurava. - É bem crocante. - disse ele, após dar uma mordida.
- Secou a minha boca toda. - comentou Magna.
- Está sequinha esta comida, não tá? - perguntou Vanessa, a sorrir de olhos fechados.
- Chuuuu. - expressou Grey, que comia uma salada de batata. Grey era uma pessoa de poucas palavras, na verdade, nenhuma palavra, mas pelos seus gestos, os que tivessem olhado podiam desconfiar que ela achou as batatas... bem, não ao seu gosto.
- O meu amor pelo Príncipe Salvador de Comida cria o tempero! - exclamou Charmy, enquanto Gauche passava por ela.
- Aonde vou levar a minha deusa Marie no aniversário dela? - perguntou Gauche, a olhar para a foto da sua irmã enquanto saía pela porta da Base.
- Fixe! Agora eu vou me dar bem com as gatinhas... - disse Finral, confiante, antes de ser parado.
- Espera. - Yami colocou a sua mão no ombro de Finral.
- Ah, tá, tá bem. Queres jogar um pouquinho? Queres que eu te leve para a capital de novo? - perguntou Finral, nervoso.
- Não. Antes disso... - Yami colocou a sua mão sobre a barriga. - Não sei se a fibra está a funcionar, mas estou prestes a chegar ao meu limite... - disse ele, a barriga continuava a fazer barulho.
- Então vai embora antes que chegues ao limite! Sai para lá! - Finral empurrou Yami para dentro do portal.
Asta, que devorava as batatas sem temor, olhou a cena atrás de si.
Fora da Base...
- Mana, vamos agora? - perguntou Noelle, ao chegar perto da sua irmã. - Quero conhecer a cidade o quanto antes!
O som da água a rasgar o vento foi ouvido.
Sob os respingos da água, Azuli sorriu.
- Claro! Já consegui o que pretendia. - disse Azuli, o êxito trouxe-lhe a felicidade ao sorriso.
- O que estavas a fazer para estares tão contente? Fazes o treino parecer divertido. - disse Noelle, enquanto acompanhava Azuli em direção ao caminho que iriam fazer até à cidade.
- Não sei ao certo... Mas o que quer que tenha acontecido tornou o meu ataque mais poderoso, até mortífero! - exclamou Azuli.
Ela não parece pensar no dia de ontem. - pensou Noelle, que olhava para Azuli pelo canto do olho. - Não há chance dos acontecimentos de ontem não nos trazerem complicações no futuro. Uma falsa Naomi integrada na família real...
- Noelle, eu estive a pensar... a noite inteira, mas... - começou Azuli. Ela não olhava para Noelle. - Eu estou perdida.
Noelle ouvia em silêncio. O que a sua irmã diria passava na cabeça dela antecipadamente.
O silêncio seguinte foi preenchido pelo canto dos pássaros, que voavam acima das árvores. Um deles alimentava os seus filhotes no ninho, Azuli olhava especialmente para eles.
- Não sei que passo dar a seguir.
Novamente, o som da natureza era a única fonte de som.
Uma pedra foi chutada
Outra se juntou à anterior.
- Não te preocupes com isso agora. - Noelle surpreendeu Azuli. - Neste momento, não há muito o que possamos fazer. E o que podemos... receio que nos separaria novamente. Ainda não sabemos o propósito da tua perseguição por parte do reino Diamond, muito menos por que aquele homem, Licht, queria o teu poder. O melhor é manter-nos juntas, eu, Noelle Silva, e tu, Azuli.
- Foi essa a conclusão a que cheguei também. - confessou Azuli. - O Leopoldo sabe o segredo agora... Como está a Mimosa?
- Desconformada. Ela acredita que ainda estás viva, embora não conte isso a ninguém. - imagens de Mimosa em frente ao túmulo de Naomi ao longo dos anos passou pela mente de Noelle.
Uma sombra sobrevoou as meninas melancólicas.
- Hã? Ei! Volta aqui com isso! - Azuli correu em direção ao pássaro que bicou a sua cabeça.
- Oh! Nero?! - gritou Noelle, perplexa.
As duas meninas correram atrás de Nero, que era mais habilidosa do que imaginavam, tornando a tarefa árdua.
Em outro lugar...
Querida e amada irmã Marie, eu acabei de chegar na cidade onde moras, Nean, nas planícies. O teu irmão acabou de terminar um trabalho. O trabalho no exército de magos é duro, mas se for para o teu bem, não tem problema algum. - Gauche andava pela cidade de Nean com sacos enrolados em si. - O motivo pelo qual eu, um ex-presidiário, posso viver assim é a tua beleza encarnada na tua pele de anjo! Ah, o meu nariz não para de sangrar.
- Senhor Gauche! - um homem sorridente parou Gauche na rua. - Que bom ver o senhor. Por favor, entre. Nós temos uma grande variedade de presentes de aniversário.
Um tapete vermelho com flores colocadas nos lados era estendido até à porta. Duas funcionárias sorridentes, vestidas com a farda de trabalho, davam as boas-vindas ao cliente.
- Mostra-me rápido! - mandou Gauche, que passou pelo tapete em direção à porta.
- Imediatamente! - o homem seguiu rapidamente Gauche.
Dentro da loja...
- Primeiro... temos estes! - o homem apontou para estantes cheias de peluches. - Toda a menininha gosta de um boneco de peluche e vice-versa! Tenho a certeza que ela vai ficar encantada com isso! - o desespero do homem em tentar vender os peluches era evidente.
- Hã, ah! - o sangue de Gauche escorreu do nariz abundantemente, quase o fazendo desmaiar.
Nossa, maninho, obrigada! - a Marie imaginária de Gauche agradeceu pelos peluches fofos que a rodeavam.
- Vou levar todos. - disse Gauche, a pressionar o nariz com as costas da mão.
- Obrigado, senhor. - o homem sorria.
Passando para outro lado da loja.
- A seguir temos isto. - o homem apresentou um lindo palácio de bonecas. - Tenho a certeza que a pequena adoraria viver em um palácio luxuoso com o adorável irmão! - engraxou o homem. - E vai-se divertir muito a brincar às princesas!
- Ah! - Gauche entrou em choque.
Maninho! Bem-vindo! - Marie acenava para Gauche, feliz, atrás do enorme jardim de flores do grandioso palácio.
Outra onda de sangue saiu de Gauche.
- Vou levar também. - mais uma vez, Gauche pressionava o nariz com as costas da mão.
- Obrigado, senhor. - e mais uma vez, o homem agradeceu, a ansiedade parecia manter-se até ao fim.
Em outra parte da loja.
- E finalmente, com esta fantasia a sua irmã vai ser um anjo de verdade! - o homem juntou as mãos pela terceira vez, após apresentar o fato ao seu precioso cliente.
- Ah!
Maninho! - Marie, vestida com um vestido branco e asas e uma auréola de anjo, virou-se. - Eu amo-te. - disse ela, com uma piscadela.
Com a imaginação adorável da sua irmã, Gauche caiu de vez. O sangramento levou-o a cair no chão.
- Eu vou levar a loja toda! - anunciou Gauche.
- Obrigado, senhor. - agradeceu o homem.
Três bolsas recheadas de moedas de ouro pousaram no balcão.
Na floresta...
- Vamos! Volta aqui! - Azuli saltou para o alto, utilizando a sua agilidade e força.
- Nero! Ah!!
- Uuou!
Distraídas, ambas, Azuli e Noelle, caíram em um lago. Nero olhou-as de cima com aborrecimento, o cristal de Azuli ainda na boca.
Entre olhares, risadas preencheram a floresta. O chacoalhar da água ecoava pelos arredores.
- Devíamos estar a pular de alegria, Elle! - exclamou Azuli, a boiar na água.
- É muito estresse. Nunca antes tive que esconder um segredo. Nunca foi preciso. - confessou Noelle, a boiar na água no lado oposto de Azuli, as cabeças quase se tocavam.
- Pensei que lidar com isto seria mais fácil, mas uma Naomi falsa tinha que aparecer! - exasperou Azuli. - Não sei qual é a ideia dela ou a razão dela estar a passar-se por mim, mas isso não é certo!
- Hum... Talvez eu devesse visitá-la. É perigoso ter uma intrusa na realeza, ainda mais se for num dos ramos principais da família real, junto aos nossos irmãos. Eu não lhes quero mal. - confessou Noelle.
- Hmmm... Noelle!!! - Azuli levantou-se abrutamente, a sua energia ao máximo.
- Ahh! - Noelle afundou no lago pelo susto. - Por que tens sempre que gritar do nada, mana?! - perguntou Noelle, levantada, com uma folha onde antes uma rã repousava.
- Hehe, foi mal, maninha querida. - Azuli sorria envergonhada. - Mas eu tive uma ideia brilhante!! - estrelinhas brilhantes apareceram nos olhos de Azuli.
- Ai sim? E vais dizer-me qual é essa ideia genial? - perguntou Noelle, enquanto tirava a folha de cima da cabeça e a devolvia ao lago.
- É para já! Então, eu pensei em relaxar. - revelou Azuli, orgulhosa.
Noelle olhava para Azuli pasmada.
- Relaxar? Onde é que isso é uma ideia brilhante, idiota?! - perguntou Noelle.
- Ouve só. A aparição da Naomi, a princesa Silva desaparecida, poderá ser algo benéfico para nós. - disse Azuli, confundindo Noelle, mas despertando-lhe curiosidade. - É arriscado para aquela rapariga, mas talvez, numa perspetiva distante mas perto o suficiente, possamos descobrir quem e porquê me perseguiu há nove anos atrás.
- Isso já é alguma coisa... Mas por que estás preocupada com aquela rapariga? Tanto quanto sabemos, ela não tem boas intenções.
- Quando a vi na festa, eu vi uma menina assustada, não importa se parecia sem emoções! Não parecia em nada com a aparência que ela mostrava no exterior. - disse Azuli. A convicção e a determinação voltaram a incorporá-la. - Temos que desvendar o segredo à volta dela, Noelle! Por favor. Não posso afirmar completamente, mas eu sei que ela está a ser manipulada. O que eu senti ontem naquela rapariga... Foi o mesmo que senti em Sua Majestade no dia do baile. - Azuli baixou o olhar, pensativa.
Este poder que eu tenho... ainda não o entendo. Mas ele revela-me o interior das pessoas, quem elas realmente são, como elas realmente são. Tenho a certeza. - pensou Azuli, convicta, até que algo pousou na sua cabeça. Era Nero, que lhe devolveu o cristal.
- Hum! Deixa essa tristeza bem longe! Nós estamos nisto juntas. É óbvio que ficarei ao teu lado, mesmo com as tuas ideias malucas. - Noelle colocou o cabelo para trás, evitando o olhar de felicidade de Azuli. - Concordo contigo, a ansiedade não fará nada para nos ajudar a resolver esta questão, nem para voltares a ter a tua identidade original. Vamos a isso!
- És a melhor! - Azuli abraçou Noelle, deixando as duas cair na água.
- Eu ainda quero conhecer a cidade de Nean!
- Ahahaha!
Nero olhava as duas. O seu olhar era impossível de decifrar, mas era possível vislumbrar o brilho refletido do cristal no seu olhar. O brilho era pouco, mas o poder era o suficiente para ser sentido.
Cidade de Nean... ao fim da tarde...
Hoje é o tão esperado dia que eu poderei passar ao teu lado. Mas, por favor, perdoa este teu irmão que se atrasou. Comprei muitos brinquedos e vestidos que julguei que gostarias, então, por favor, fica feliz! Ah... O sangramento nasal ainda não parou. - Gauche andava pela cidade com sacos cheios de brinquedos, vestidos e sapatos. As pessoas olhavam para ele desacreditadas pela tonelada de coisas que o rapaz levava. - Vou ver a minha anjinha Marie... Marie, Marie, Marie... - Gauche passava a esquina, mas antes ele não o tivesse feito. A visão que ele teve despedaçou o seu mundo imaginário.
Asta rodava Marie pendurada no seu braço, antes de a lançar para o escorrega de água que Azuli criou com a sua magia.
- E então, Marie?! É divertido? Estás a gostar? - perguntou Azuli, sorridente. Ela mantinha a sua varinha na mão.
- Ahah! Que divertido! Vocês são incríveis! - exclamou Marie, a escorregar pelo longo escorrega de água.
Ao longe, Gauche estava estático como uma rocha.
- Também quero!
- Eu também!
Duas crianças ruivas exclamaram, empolgadas.
Noelle tirou Azuli do caminho de Gauche bem a tempo.
- Nesse caso... - Asta foi interrompido com um chute.
A jovem ruiva assustou-se, juntamente com as duas crianças, que se afastaram.
- Afasta-te dela imediatamente, seu lixo. - ordenou Gauche, enquanto esmagava o rosto de Asta.
- É o meu irmão-da-hemorragia-nasal que só sabe pensar na irmã! - exclamou Asta, a olhar para Gauche.
- Quem é o irmão-da-hemorragia-nasal que só sabe pensar na irmã, seu pirralho musculoso?! Eu vou pisar-te até matar-te! - Gauche espezinhava Asta.
- Hã? Ah! - um grito ouviu-se no alto.
- Minha querida Marie! - Gauche deixou Asta caído para saltar em direção da sua irmã, salvando-a da queda. - Seus irresponsáveis! Fiquem longe dela, seus lixos! - dois raios saíram dos espelhos que Gauche conjurou, indo em direção aos três Touros Negros.
- O quê?!! - Azuli, Noelle e Asta olhavam alarmados para os raios que se aproximavam.
- Maninho! Para!!!!! - Marie gritou.
- Marie!! - Gauche ficou aterrorizado.
A pequena Marie havia corrido para a frente dos amigos, para a frente dos raios. Mas nada lhe aconteceu. Um grande espelho apareceu na frente de Marie e, consequentemente, na frente de Azuli, Noelle e Asta, protegendo-os. Os raios foram engolidos pelo espelho.
- Tudo bem contigo, Marie?! - Azuli checou Marie, à procura de alguma ferida ou sensação de dor nela.
- Sim, nada me aconteceu. O maninho não me faz mal. - Marie sorriu para Azuli, na tentativa de acalmar a adolescente preocupada.
Que rápido! Eu nem pude alcançar o meu grimório, mas ele pôde lançar e cancelar o próprio feitiço em um instante!! - Asta olhava para Gauche de boca aberta e olhos brancos.
O nível de poder dele é mais alto do que eu pensei! Os plebeus estão a surpreender-me quanto mais tempo eu passo com eles. - pensou Noelle. - A minha mente entrou em branco frente aquela luz. Lembrou-me o momento presa naquela sala estranha.
- A minha amada irmã vive na igreja, e eu só posso vir a esta cidade uma vez por mês. E é para libertar este sentimento guardado no meu coração que estou aqui hoje. Para amar e ser amado pela minha irmãzinha! Mas... Por que são vocês que estão a ser amados?!
- O teu nariz está a sangrar por causa da tua irmã. Espera aí, é isso mesmo? Ela é tua irmã, Guchee? - perguntou Asta, estrelas adornavam os seus olhos.
- Queres que eu trate desse sangramento? Pareces pálido. - disse Azuli, inocentemente.
- Não faças essa carinha de anjo, seu demónio! - exclamou Gauche a Azuli. - E tu! - Gauche agarrou a gola de Asta. - Quem é o Guchee? O meu nome é Gauche, seu maldito! Aliás, eu já tinha te mostrado uma foto dela, Pasta!
- Não é Pasta! É Asta! - Asta foi libertado do aperto de Gauche. - Bem, a Rebecca aqui do restaurante é minha amiga, então eu só vim brincar um pouco com os amiguinhos dela. - explicou Asta, os olhos ausentes e a mão atrás da cabeça.
- Olá. - cumprimentou Rebecca, uma menina ruiva com sardas e olhos verdes, características que as crianças partilhavam consigo.
- Ele dá medo! - a menina agarrou-se à perna de Rebecca.
- Por que ele faz essas coisas? - perguntou um menino, também agarrado ao avental de Rebecca, que lhe pediu para fazer silêncio. Ele parecia ter a mesma idade que a menina ao seu lado.
- A Marie é realmente adorável. - elogiou Asta.
- O que mais ela seria? Mantém os teus olhos amorosos longe da minha irmã, seu pervertido! - Gauche pisou novamente em Asta.
- Para! Não faças essas coisas horríveis com ele, mano! O Asta vai ser meu esposo!! E a Azuli e a princesa serão minhas madrinhas! - exclamou Marie.
Esposo?!!!! - Noelle tremia de choque.
- Que os casamentos fiquem longe de mim. Que os casamentos fiquem longe de mim. Que os casamentos fiquem longe de mim... - Azuli sussurrava continuamente a mesma frase. O intuito era simples: que o universo, que as leis cósmicas, que os reis, que ninguém tivesse sequer a ideia de voltar a casá-la sem o seu consentimento ou sem a sua vontade e muito menos utilizando chantagem.
A cada eco da frase de Marie que passava pela mente de Gauche, mais o seu interior se despedaçava. Enquanto se levantava, Gauche sussurrava alguma coisa.
- Hã? O que foi? - perguntou Asta.
- Vou matar-te... Vou matar-te. Vou matar-te!! Vou matar os dois!!!
A expressão que Gauche fez assustou todo o mundo, fazendo-os gritar de terror.
Ao longe, uma mulher ouvia os gritos.
- Que barulheira lá fora. - a mulher comentou, antes de começar a andar até ao barulho. - Marie! Já está na hora, temos que voltar para a igreja.
- Irmã! - disse Marie, à frente da idosa.
- Então, tu vieste, Gauche.
- Vim sim, velha! - exclamou Gauche, grosseiramente.
- Não é velha, é irmã. - corrigiu ela.
Gauche fechou o seu grimório.
- A Marie vai sair comigo agora. Volta para a igreja sozinha, irmã velha.
- Não, está na hora de ir. Volta tu sozinho, seu complexado desvairado. - insultou a irmã. - Além disso, não faz bem para a Marie passar tempo com um indivíduo como tu. Mesmo com tanto tempo, a tua atitude é terrível, os teu olhos são vis e a tua boca é suja.
- O que disseste, sua velha de merda?!
- Olha só que boca suja.
- Cala a boca, morre. - Gauche aproximou-se da irmã, o mesmo fez ela.
- Como podes dizer isso para uma velha dama que já não deve durar muito neste mundo, seu idiota?
- Isso mesmo, sua imbecil. Diz a múmia que é capaz de viver outros cem anos.
- Não trates as pessoas como se fossem monstros, canalha!
- Cala-te, velha mafiosa!!
- Gauche, como podes falar assim com as pessoas mais velhas?! Não podes fazer isso! - Asta intrometeu-se na conversa e colocou-se entre os dois.
A quem estás a chamar de velho, pirralha?!
Ao único ogro das redondezas, a quem haveria de ser, velhote?!
Ahahah! Lembra-me das boas e velhas conversas que tinha com o Otávio. - pensou Azuli, divertida.
- Fica fora disto! - gritou Gauche, irritado.
- Então, vamos voltar. Vamos, Marie. - a irmã foi embora de mãos dadas com Marie.
- Maninho, Azuli, princesa, Asta, até mais! - despediu-se Marie, sorridente, enquanto acenava.
Gauche ajoelhou-se, derrotado.
- Minha Marie... - o fantasma de Gauche pareceu sair do seu corpo.
- Até um dia! - despediu-se Azuli, com um aceno.
- Até mais! - Asta e as crianças despediram-se, também com um aceno.
- Bem... Querem passar a noite em minha casa? Ou pelo menos até ele acordar. - sugeriu Rebecca, que até então manteve-se em silêncio.
- Podemos? - perguntou Asta, com estrelas nos olhos.
- Que emocionante! Nunca dormi na casa de uma amiga! - comentou Azuli, com estrelinhas brilhantes nos olhos.
- Hã? Amiga...? - questionou Rebecca, surpreendida. Com um rubor a crescer no rosto, Rebecca recompôs-se. - Sigam-me. Vocês devem estar com fome.
No restaurante de Rebecca... à noite...
- Eu podia comer isto todos os dias sem cansar! - Azuli comia toda a comida que Rebecca lhe oferecia sem pensar.
- Sério? - perguntou uma menina pequena, contente.
- É mesmo? Que bom. - disse Rebecca, enquanto cozinhava mais comida.
- Tu aceitas um pouco de fruta? - uma menina mais velha, mas mais nova que Rebecca, ofereceu frutas redondas a Nero, que aceitou prontamente, bicando uma a uma.
- Que rápido. - comentou a menina, com gotas de suor. Mas ela ofereceu outra tigela sem pensar.
- Isto é tão bom que eu não vou largar o garfo tão cedo. - disse Asta, com o prato e o garfo em mãos. - És uma cozinheira incrível, Rebecca!!
- A-Achas? Obrigada. - gradeceu Rebecca, corada.
- Hum... Vocês são todos irmãos? - perguntou Azuli, com a boca ainda cheia de comida.
- Engole antes de falar, mana. Toma. - Noelle ofereceu-lhe um copo de água.
- Humgraa. - Azuli tentou agradecer antes de levar o copo à boca.
- Ai, tu não tens remédio mesmo. - comentou Noelle.
- Respondendo à tua pergunta, Azuli, sim, nós somos irmãos. - Rebecca respondeu com um sorriso afável.
Ela é bonita. - Noelle olhou para Rebecca. - Será que ela e o Asta têm... Não!! Não é da minha conta! Não quero saber se ela é a namorada do Asta! Ai! N-Namorada dele!! - Noelle olhou para Asta, que comia com grande apetite. - Não pode ser!!! - pensou ela, com os olhos em branco.
- Maninha. Será que tu vais casar-te com o Asta? - perguntou um dos irmãos mais novos de Rebecca, após a chamar à atenção puxando-lhe o avental.
- Hã?!! Não, Marco! - Rebecca tentou tirar essa ideia do seu irmãozinho Marco, mas ela própria estava vermelha até aos cabelos.
Claro que não!! Que besteiraaaaa!! - pensou Noelle, após ouvir a conversa.
- Oh!! - as crianças, os clientes, Nero, Asta e Azuli olharam para a água dos copos e do lava loiça a explodir até ao teto. Todos olharam, exceto Gauche, que estava desmaiado no chão perto da mesa.
- Irmã, devias atacar o Asta esta noite. - disse a irmã mais nova de Rebecca, ardilosamente.
Noelle agora tinha a mente em branco pelo que ouviu, e bateu com a cabeça na mesa. A água voltou ao normal.
- Sua boba! Mas que história é essa, Luka?! - questionou Rebecca, envergonhada. - Até tu, Pam? Tens ideia do que estamos a falar? - perguntou ela ao bebé sorridente que descansava nas suas costas.
Atacar? Escapulir-me até à cama dele à noite?! Não, não, não! Idiota, idiota, idiota! - pensou Rebecca, corada.
As horas passaram e a lua estava alta no céu.
Enquanto Azuli e Noelle partilhavam a mesma cama e cobertor, Asta optou por dormir no chão, habituado a dormir no chão da igreja de Hage. Nero dormia tranquilamente em cima de uma almofada na cabeça da cama.
No quarto de Rebecca...
Rebecca abraçava a sua almofada, ainda desperta. Pensamentos ocupavam a sua mente, não lhe permitindo dormir.
Irmã, devias atacar o Asta esta noite.
Até tu, Pam?
As palavras da sua irmã e os gestos de Pam passavam-lhe pela mente, levando-a para o mundo imaginário.
Sua idiota. Rebecca, tu és uma idiota mesmo! Eu nunca faria uma coisa dessas! - pensou ela, afundando o rosto na almofada.
Sem conseguir dormir, ela sentou-se.
Eu só vou ver se a Luka e o Marcos estão a dormir mesmo. Porque eles são muito difíceis. - pensou ela.
Dando uma olhava para o bebé Pam, que dormia tranquilamente no seu simples berço de madeira, tapado com um cobertor leve, ela saiu pela porta.
Passos eram ouvidos pelo corredor iluminado. A pessoa abriu a porta, revelando os três novos Touros Negros a dormir sossegadamente.
- Azuli. Asta. Morram. - disse Gauche, com a mão no bolso e um olhar perverso. O brilho roxo do seu grimório a sombrear o quarto. - Magia de Espelho: Raio de Reflexão. - um espelho foi criado na frente de Gauche.
Azuli mexeu-se na cama antes de uma luz se dirigir a ela.
Uma cúpula de água foi conjurada em volta da cama delas e de Asta.
- Mas que droga é essa?!! - perguntou Noelle, exaltada, com os olhos em branco.
Azuli e Asta acordaram com a companheira aos berros.
Pelo visto, foi bom não conseguir adormecer completamente. - pensou Noelle, mais controlada.
- O quê?! O que aconteceu?! - perguntou Asta, com a espada nova em mãos, sem entender o que estava a acontecer.
- Morram, Asta, Azuli. - condenou Guache.
- Gauche?! Por que estás a atacar-nos?! - perguntou Azuli, completamente desperta agora.
- Não vou permitir que a Marie se case. Vou matar-te antes que isso aconteça. - Gauche apontou o espelho para Asta.
- O quê?!! - Asta fugiu dos raios e saltou para a cama das meninas, que já não tinha a cúpula a protegê-las. - Aquilo foi uma brincadeira de criança!! - suor escorria da testa de Asta. - Atacar durante o sono é cobardia para caramba!!
- Não importa se é cobardia ou não, eu vou matar-vos! Magia de Espelho: Duplicata Real. - um segundo Gauche apareceu com o mesmo espelho na sua frente.
Dois Gauches?! Um já era o bastante! Não podemos destruir a casa da Rebecca! - pensou Azuli, que, embora impressionada, queria dormir.
A magia dele consiste em espelhos. E, assim como um espelho, ele é capaz de replicar tudo o que reflete, aparentemente, em uma escala real, incluindo os poderes. Por que diabos essa magia está com um maluco?!! - queixou-se Noelle.
Qual é a deste tipo?! Primeiro raios, e agora ele duplica-se! - pensou Asta.
Em sincronia, ambos os Gauches falaram.
- O vosso pecado... foi conhecer a minha irmã.
- Que sentido isso faz?! - Azuli defendia-se dos raios com a parede de água que conjurava. Noelle estava atrás dela, sem querer entrar na luta.
- Aí meio mundo iria ser pecador!! - gritou Asta, enquanto se defendia desajeitadamente dos raios com a espada.
- Calem-se e morram. - disseram os Gauches, que atacavam continuamente.
Diversos raios atravessaram a parede, destruindo-a. Junto aos destroços, Azuli, Noelle e Asta caíam também.
- Essa não é a tua casa! - gritou Azuli, enquanto caía.
Surpreendentemente, os três recrutas caíram em algo fofo, não no chão duro que esperavam.
- Hã... Neve? Nós ainda não estamos no inverno, não devia estar tão frio. - comentou Noelle.
- Quando foi que nevou? - perguntou Asta.
Um floco de neve pousou no cristal de Azuli, dissipando-o de imediato após um breve brilho.
- Esta neve é obra de um mago. - disse Azuli, fazendo Asta e Noelle se entreolharem.
- Não importa. Morram. - Gauche voltou a atacar, fazendo-os correr dos raios.
- Ei! O que estão a fazer?! - Rebecca corria para fora com um xaile a cobri-la.
- Rebecca! Desculpa pela destruição. - disse Azuli.
- Eu sinto muito! - desculpou-se Asta.
- Não temos tempo para isso! As crianças desapareceram!!! - gritou Rebecca, preocupada.
Com a neve a cair, crianças subiam por uma montanha ao frio. Acima deles, um rapaz com cabelo azul esbranquiçado voava numa vassoura.
- A partir de agora, todos vocês são meus amigos. Ahahahah! - disse ele, sorridente, a olhar para as crianças.

