20#A gêmea da Guerreira Dragão do Mar
Capítulo 20 - Ataque à Capital Real
Dois homens estavam no meio de árvores secas, a observar o Reino Nobre de longe.
- Ei... Isto não é estranho? - perguntou um homem sentado em cima de um tronco seco preso ao chão. O homem com quem ele falava estava atrás de si. - Como puderam rejeitar-me? A mim?! Tenho mais magia que um nobre! Neste mundo, tudo o que importa é magia... Né?! - perguntou ele, revoltado.
- Ah... Ugh... - o homem... Na realidade... Não era exatamente um ser vivo... A sua pele era escura, mas não era isso que mais se destacava... A sua pele descascava! Estava toda rachada! Não havia vida nos seus olhos, pois eles estavam virados do avesso.
- Todos eles não são mais que uns merdas!! - exclamou o homem, de cabelo descabelado e capa rasgada, sentado em um tronco, enquanto desabafava as suas frustrações.
- Com quem estás a falar? - uma voz aguda falou.
- Huh?! Comigo mesmo! - exclamou o homem da capa em farrapos, a olhar para o homem que acabou de chegar... Ou, mais ou menos... O corpo do homem, de capa com três olhos dourados, estava metade dentro de um portal negro no chão.
- Já terminei os preparativos. - disse o homem da capa com olhos, desta vez, de corpo inteiro à mostra.
- Ótimo! - exclamou o descabelado. - Eu vou mostrar-vos a minha força, Cavaleiros Mágicos! - o homem descabelado disse, enquanto simulava esmagar a capital, que estava ao longe, com a mão.
Na receção da condecoração...
Asta anunciou o seu desejo, o que repercutiu diversas reações dos presentes na sala.
- Ele disse... - começou Alecdora, confuso.
- Hagrh... - Klaus não fazia sons compreensíveis, parecia que ele estava a lutar para o ar voltar para os pulmões. Idiota! - pensava ele, de queixo no chão, enquanto olhava para Asta em cima da mesa.
- Asta... - Noelle olhava para a cena, preocupada. O seu amigo era presa dos olhares desacreditados de todos os Cavaleiros Mágicos.
- Eu sabia. - disse Yuno, com os olhos infantilmente semicerrados. Mais uma vez, o seu amigo e irmão, meteu-se no olho do furacão. Sinceramente... isso já não o surpreendia vindo do anão.
- ... o Rei Mago? - Nebra terminou, com um sorriso divertido.
- Heh heh... hehehehehehe... - Nebra e Solid, que limpou a maioria da sujeira, riam.
- Não me faças rir! - Alecdora, Nebra e Solid exclamaram, os seus grimórios abertos à sua frente.
Ao mesmo tempo, os dois irmãos Silva lançaram os seu feitiços.
- Magia de Restrição de Água: Enrosque da Serpente Marinha! - Solid exclamou, que lançou uma serpente giratória em Asta.
- Magia de Restrição de Névoa: Teia de Aranha das Brumas! - exclamou Nebra, que lançou bruma em direção a Asta como se fosse uma teia de aranha.
Os feitiços iam rapidamente contra Asta, que estava preparado para os anular com a sua nova espada.
Foi mal, Asta... Esses dois fazem sempre o que querem, como querem... - pensou Azuli, ao ver os ataques aproximarem-se de Asta, em câmara lenta. Azuli colocou a mão sobre o peito por dentro da capa e... - Acabou... - pensou ela.
- Pararam... - Klaus disse, pasmo.
- Mas que... - Alecdora não terminou a fala, pois o que estava a ver ocupava a sua mente.
- Desfizeram-se do nada... - Leopoldo estava surpreendido, enquanto olhava para os ataques, que se desfaziam ao nada.
- Hã? - Asta olhava em volta, tentando encontrar uma resposta para o que aconteceu.
E, ao contrário do menino, os mais perspicazes já tinham entendido quem era a culpada.
Ela anulou as magias? - pensou Charlotte, em dúvida, a olhar para Azuli.
Ela desfez os ataques. Tsc... Uma plebeia problemática como aquela não devia ter esse poder. - Nozel olhava para Azuli. - Mas aquele olhar... É parecido... Não. É igual ao dela. Mas como seria isso possível?
Interessante... Uma plebeia com tamanha habilidade é algo raro. Ela parecia não ser capaz sequer de controlar o seu poder no exame, mas aqui, concentrada, parece que ela tem total controle sobre a sua magia. - pensou Fuegoleon, a olhar para Azuli, que mantinha o seu olhar em Asta.
- Magia de Criação de Areia: Cavaleiro de Areia! - exclamou Alecdora, chamando a atenção de todos, após o curto silêncio total.
- Hmh... - Asta prestava atenção no círculo de areia que o rodeava no chão.
- Isso não é nada digno. - disse Azuli. O ataque de areia desapareceu mesmo antes de se completar.
Mas afinal... O que está a acontecer?!! - todos pensaram, incrédulos.
- Azuli... - Asta sabia agora quem o protegia.
Tomara que já tenham desistido de atacar... - pensou Azuli, o broche do seu avô a brilhar por dentro da sua capa, sem que ninguém se apercebesse.
- Ora, sua... Não te intrometas! Magia de Criação de Água: Esfera Mágica de Água! - exclamou Solid, a mandar uma esfera de água para Azuli.
- Bu! - Azuli apareceu em frente de Solid em questão de segundos.
- Ahh! - Solid caiu para trás, assustado.
- Se querias que eu fosse embora, bastava teres dito. Eu teria ido na hora. - disse Azuli, a olhar para Solid. Se bem que eu fingiria nunca ouvi-lo. - pensou ela. - Eu almejo ser a maga mais poderosa de toda a história e proteger este reino e as pessoas que habitam nele, uma magia dessas não me pode abalar. - disse ela.
Outra que quer ser a Rainha Maga? - pensaram muitos, pasmos.
- Solid... - uma voz autoritária chamou, junto a uma forte pressão que se manifestou.
- Oh! Que poder! - disse Azuli, recuperando o seu espírito curioso. - O ar já estava pesado, agora nem se fala.
Ela vai ficar bem, de certeza. - os seus amigos, anteriormente preocupados com Azuli quando confrontou Nozel, agora estavam aliviados.
- Irmão Nozel... - disse Solid, abalado e assustado com o poder que emanava do irmão.
- Não uses uma magia como essa contra uma reles plebeia! - disse Nozel.
- Mas... - Solid tentou argumentar.
- Silêncio. A tua intenção é envergonhar o nome Silva? - perguntou Nozel, a olhar para Solid severamente.
Esta frieza... É uma pressão fria, diferente da que eu sinto do Capitão Yami. Este é o Capitão dos Águias de Prata? - pensou Asta, assustado. Apesar do que sentia, ele andou até à sua amiga, para a proteger.
À medida que Nozel se aproximava, mais os Cavaleiros Mágicos temiam a pressão exercida sobre eles, mas nem todos. Alguns simplesmente não temiam, como Leopoldo e Azuli, outros apenas temiam por lembranças assombrosas, como Noelle, para uma pessoa ela apenas temia pela segurança dos seus amigos, essa era Mimosa.
- Uma plebeia que ousa desafiar a família Real... Que punição merece? - questionou Nozel, pensativo.
O-O que eu posso fazer? Assim, a Azuli será... - pensou Klaus, preocupado, a respirar com dificuldade, como muitos ao redor.
- É o suficiente. - após alguém falar, Nozel encerrou a sua manifestação de mana e olhou para trás.
- Não sentem vergonha, família Silva? É só uma menina! - Fuegoleon defendeu Azuli.
E é por isso que o Fuegoleon é o meu quarto familiar favorito. - pensou Azuli, a olhar serenamente para Fuegoleon.
Por que ela parece tão calma? Ela não tem noção do perigo em que estava metida? - pensou Fuegoleon a olhar para Azuli, que o olhava de volta com os olhos brilhantes.
- Obrigada, Fuegoleon. - agradeceu Mimosa.
- É como a Mimosa disse... - Leopoldo estava perto de Azuli e Asta. - Vocês são mesmo interessantes! - riu-se Leopoldo. - Fiquem felizes! Permitirei que sejam rivais de Leopoldo Vermillion!! Ahahahahahaha!- exclamou ele, muito animado.
- Quem? - perguntaram Azuli e Asta, a olhar para o menino ruivo.
Quem? - pensou Yuno com os olhos infantilmente semicerrados.
- Vermillion... - disse Yuno, ao lado de Mimosa.
- Sim, Fuegoleon e Leopoldo são meus primos. O irmão mais velho do meu pai é pai do Fuegoleon e do Leopoldo. E a irmã mais velha da minha mãe é a mãe da Noelle. - esclareceu Mimosa.
- Engomadinha... - disse Yuno, baixinho, com os olhos infantilmente semicerrados, após ouvir a árvore genealógica da sua companheira.
- Hein? - Mimosa não entendeu o porquê de Yuno dizer tal coisa.
- Só mais uma coisa... - Yuno começou.
- O quê? - perguntou Mimosa, curiosa, a olhar para Yuno.
- Quem é a Naomi? - perguntou Yuno, após ouvir o nome de Nebra.
- Naomi... - Mimosa desviou o olhar de Yuno.
- Se não quiseres fa... - Yuno ia falar, mas foi interrompido.
- A Naomi era uma prima muito querida para mim e a irmã gêmea de Noelle. - Mimosa começou, com um sorriso sereno enquanto se lembrava dos seus momentos juntos.
- Gêmea?! - exclamou Klaus, surpreendido. Como um nobre, ele estudou a família Real, mas não se lembra de ter estudado sobre a gêmea de Noelle.
- Sim... Ela é apenas cinco segundos mais velha que a Noelle... Quero dizer... ela era... - disse Mimosa, cabisbaixa. Os seus amigos decidiram que não precisavam de mais informação de Mimosa, não querendo trazer lembranças dolorosas, mas ela continuou a falar. - No seu aniversário de seis anos, após um anúncio do recém coroado Rei Augustos Kira Clover, a Naomi ficou devastada ao saber que ela foi prometida em casamento a um homem desconhecido e muito mais velho do que ela e que tinha de partir imediatamente para a casa do desconhecido para ser educada na família, e foi aí que ela escapou do palácio Real Clover após um tumulto no salão. Infelizmente, nessa noite, a Capital Real sofreu um devastador ataque do Reino Diamond e desde esse momento ninguém mais teve notícias dela. Acredita-se que ela esteja morta.
Após Mimosa terminar de falar, um silêncio instalou-se entre os três. Os dois meninos temiam ter trazido lembranças dolorosas a Mimosa, que parecia estar no seu próprio mundo.
- Realmente, os homens são muito idiotas! Mas é uma pena que aquela menina esteja com eles, ela seria uma boa adição ao esquadrão, né, irmã? - perguntou Sol, divertida, com um garfo com comida na mão.
- Modos, Sol... - avisou Charlotte, cansada.
- Desculpa, irmã! - exclamou Sol.
- Chama-me Capitã, Sol. - disse Charlotte.
- Desculpa, irmã!! - pediu Sol.
- Todos aqui são muito barulhentos. Hohoho. - comentou Hamon.
- Quais eram os vossos nomes, mesmo? Aduli? Casta? - perguntou ele, a olhar para os meninos desnorteados.
- Leopoldo, são Azuli e Asta. - informou Mimosa, amigavelmente, distraindo-se da conversa anterior.
- Ahahahaha! Ah, Azuli e Asta? Belíssimos nomes, meus rivais! - elogiou Leopoldo, a dar tapinhas nos ombros dos dois.
- Rivais?! - perguntaram Azuli e Asta.
Eu nem quero ser Rainha Maga? Querem ver que me entenderam todos mal? - pensou Azuli.
- Vamos, vamos, animem-se! - disse ele, que parou com entusiasmo na última palavra e pôs-se sério.
- Tá. - respondeu Asta, a entrar na onda, mesmo sem entender nada.
- Pode ser... - respondeu Azuli, contudo... - Olha só, eu adoraria ser tua rival, mas eu não pretendo ser Rainha Maga, apenas a Guardiã de Clover. - disse Azuli, após lembrar que não podia ser sua rival devido a não ter o mesmo objetivo.
- Guardiã de Clover... - Leopoldo olhava-a, sério, enquanto pensava. - Ahahah, entendi! Pretendes ocupar o cargo da antiga Guardiã, Guia das Esperanças. Ahahahha, muito bem! - Leopoldo dava tapinhas no ombro de Azuli, divertido. - Mas continuas a ser minha rival. - disse ele, a olhar intensamente para os olhos de Azuli, sério.
Azuli apenas olhava para Leopoldo com uma gota de suor.
- Ah, obrigada, mas o meu rival já é o Yuno, que está ali, ô. - Asta olhava para Yuno, que estava perto da mesa com Mimosa e Klaus. Leopoldo seguiu o olhar.
- Não seja por isso! Rivais nunca são demais! - Leopoldo dava tapinhas no braço de Asta, animado.
Parece que as coisas esfriaram rapidamente. Estamos safos. - pensou Noelle, aliviada. Ela começou a olhar para Azuli, que estava perto de Leopoldo, que falava alegremente com Asta.
- Azuli. - chamou Noelle, próxima de Azuli.
- Oi, Noelle! Estás bem? - perguntou Azuli, preocupada, depois de abraçar Noelle. - Aqueles três só sabem criticar tudo e todos que não lhes convêm! Que irritantes!
- Está tudo bem, já passou. Foi só um susto. - tranquilizou Noelle, com um sorriso singelo, mas sereno, a olhar para a irmã. - Podemos falar lá fora um instante? Há algo que preciso falar contigo. - perguntou ela, incerta.
- Hum... Claro, vamos. - disse Azuli.
- Noelle! Há quanto tempo que não nos víamos?! - perguntou Leopoldo, animado por voltar a ver a prima. - Não nos temos visto muito desde o desaparecimento da Naomi, não é verdade? Como estás, minha prima? - disse ele, um pouco mais sério e preocupado.
Ele também não faz ideia que a Naomi está à sua frente... Mesmo que a maioria da realeza desprezasse a Naomi, a Mimosa e o Leo eram os únicos amigáveis connosco e participavam nas nossas travessuras e brincadeiras, assim como também nos ajudavam a treinar. - pensou Noelle.
- Eu estou bem, Leopoldo. Obrigada. Mas agora tenho de falar com a Azuli um instante. Falamos mais tarde. - Noelle despediu-se do primo.
- Claro, eu espero, estás a ouvir! - gritou Leopoldo, com um sorriso. Espero que não seja mais uma das tuas promessas vazias, Noelle. - pensou ele, o sorriso a desfazer-se.
As duas saíram pela porta e, quase no mesmo instante, a tensão voltou à sala.
- Um membro da realeza, rival de reles plebeus. - Nozel disse, atraindo a atenção para si novamente.
- Lorde Julius permitiu a presença destes jovens aqui. Eles pertencem à plebe, mas não merecem algum crédito? - perguntou Fuegoleon, a olhar nos olhos de Nozel.
- Nunca pensei ouvir tais palavras de alguém da realeza... A Casa dos Vermillion amoleceu. Vocês são uma vergonha para todos nós. - provocou Nozel.
- Como ousas? - perguntou Fuegoleon, a estreitar os olhos.
- Como eu, uma águia, que voa alto no céu, vou dar crédito a insetos que rastejam na terra? - a tensão pareceu aumentar.
A sala então começou a tremer, assustando os demais presentes, que olhavam a cena tensa entre os dois cabeças das Casas Reais Silva e Vermillion. Cada um dos dois manifestou o animal característico da família. Uma águia e um leão estavam atrás dos respetivos donos, a lutar pela dominância.
Que... Que quantidade absurda de mana a chocar-se! - pensou Klaus, com os dentes cerrados e suor a escorrer pelo rosto.
- C-Caramba... - disse Asta, no mesmo estado de Klaus, a olhar para o teto.
- Consegues sentir? - perguntou Yuno um pouco atrás de Asta, curioso. Ele não se deixava ser incomodado pelo choque de mana.
- Mesmo sem sentir mana, eu sinto a pressão sufocante que eles criam! Eles são incríveis! - disse Asta, com dificuldade.
- Nós não devíamos impedir isto, irmã? - perguntou Sol, com o garfo ainda na boca.
- Tolice. Ignora a birra infantil deles. - disse Charlotte, tranquilamente, de olhos fechados. - E chama-me de Capitã.
- Podes deixar, irmã! - respondeu Sol, divertida, enquanto pegava mais comida.
- Chama-me... - Charlotte foi interrompida pelo barulho que as manas de fogo e de mercúrio causaram ao colidirem mais fortemente.
No mesmo instante, um homem de capa cinzenta abriu a porta com força e disse, apressadamente, sem perceber o clima da sala: Temos uma emergência!! Uhm! - ele calou-se no instante em que viu o que se passava.
- O que aconteceu? - perguntou Fuegoleon a olhar para o homem.
Ambos, Nozel e Fuegoleon, haviam cessado as manifestações de mana.
- A-A capital! A capital está sob ataque! - gritou o homem, desesperado.
Através das janelas, o fumo do fogo podia ser visto a pairar no ar ao longe. No meio de todo esse caos, um homem ria-se descontroladamente.
- Ahahahahahahahhh ahhhhahahahhh!!!! Destruam, destruam, destruam, destruam!! - gritou um homem de capa esfarrapada em cima de um prédio.
A população estava angustiada por todo o caos que acontecia ao seu redor. O fogo impedia-os de respirar corretamente e também de fugir dos mortos vivos que os perseguiam e atacavam.
- O que é isto?! - perguntou um homem vestido elegantemente, assustado.
- Ahh! - um cidadão corria dos zumbis.
Vários outros gritos denunciavam a dor que os cidadãos sentiam ao serem feridos e espezinhados pelos zumbis.
- Qualquer país que não reconheça o meu valor, só está a pedir para ser destruído!!! Ahahahaha! - gritou o homem de capa esfarrapada, ao céu, enquanto comandava mais zumbis para atacar a cidade.
Esferas de água atravessaram a barriga de três zumbis, chamando a atenção do homem no cimo do prédio.
- Que criaturas nojentas. De onde vieram? - perguntou o homem que disparou as esferas de água com a ajuda de uma varinha.
- Vocês não devem dar valor à vida, para invadir o território Real! - exclamou um homem com uma capa acinzentada e uma varinha na mão. Mais dois homens com a mesma capa estavam à sua frente com os grimórios abertos.
Os magos de Clover não previram o que aconteceu a seguir e isso poderia custar-lhes a vida.
- O que são essas coisas?!! - perguntou um mago, assustado, enquanto atacava os zumbis que vinham em sua direção.
- Mesmo com o corpo destruído... Eles continuam a avançar?!! - outro mago exclamou, enquanto atacava.
- Não abandonem as vossas posições! O Reino Clover é nosso e nós vamos prote... - o homem que gritava foi interrompido.
- Não, não o farão, escórias! - exclamou o homem que controlava os zumbis, com um semblante macabro, que saltou do prédio. - Desapareçam, lixo! Lixo!! Lixo!! - dizia ele, com a mão no chão enquanto um portal negro se formava em baixo de si.
Que magia é essa?! - o mago que falava pensou, amedrontado.
Dezenas de zumbis apareciam pelos portais que surgiam no chão, membro por membro. De imediato, os zumbis atiraram-se ferozmente para cima dos três magos atónicos, contrariando a crença de que os zumbis eram lentos, pois, aparentemente, os magos diante deles eram mais lentos ainda. Após chegarem até aos magos, gritos horripilantes e sangue deixavam os corpos dos magos.
- Ahahahaha! Vocês são mais fortes que eu, certo?! Certo?! Apareçam, Cavaleiros Mágicos!
Ao longe, no cume do prédio mais alto no centro da cidade, estavam duas magas.
- Agora?
- Agora!
- Magia de Criação de Água: Lágrimas do Deus Dragão do Mar! - gritaram as duas, com ambas as varinhas apontadas ao céu e os grimórios abertos.
Nuvens negras como carvão, rajadas de vento pesadas que arrastavam as partículas de água por onde passavam, surgiram acima de toda a Capital Real. No olho da tempestade, uma imensa coluna de mana branca comandava a direção e a intensidade da tempestade.
- Mamã!! - gritou uma menina em um beco, aterrorizada. - Papá!!
A menina tinha procurado refúgio num beco na hora em que os zumbis apareceram, mas, mais tarde, chamas dançantes juntaram-se à festa e impediram a fuga dela do refúgio.
- Mamã... Papá... - a menina arrastava-se da parede até ao chão, abraçando as suas pernas trémulas.
- Filha!
- Hm? - a menina abriu os olhos. - Chuva? Mamã! - a menina gritou pela mãe quando a ouviu chamar.
A mulher correu através do pouco fogo que sobrara após a chuva ter apagado a maioria, e abraçou a filha.
- Vamos, vamos sair e procurar um abrigo, pequena. - a mãe levantou a menina, colocando-a no colo, e levando-a para um lugar mais seguro.
- Olha, mamã! - a menina apontou para os zumbis que estavam perto delas.
- Oh, não, não!! - a mulher começou a desesperar.
- Não, mamã! Eles estão a abrandar, quase não se mexem! - a menina apontava para os zumbis, que pareciam estar cobertos por uma camada de mana azul quase impercetível.
Na receção de condecoração...
- Não! Do que estamos à espera?!! - Asta interrompeu os pensamentos de Fuegoleon, que pensava em uma maneira de organizar o contra-ataque contra os invasores. - A Azuli e a Noelle devem ser a causa dessa chuva mágica que apagou os fogos, mas isso não quer dizer que não haja pessoas ainda por ajudar! Estou a ir! - Asta correu para a saída.
- Onde pensas que vais, Asta?! Não tens qualquer informação! Além disso, não tens um pingo de senso de mana, não é?! - perguntou Klaus.
- Eu vou para onde o barulho estiver mais alto! - gritou Asta, sem parar de correr.
- Tu és um animal, por acaso?!! - Klaus estava boquiaberto.
Yuno não esperava nada menos do que isso de Asta. Já Mimosa, apenas estava maravilhada com a devoção de Asta em proteger as pessoas.
- Ahahahahahah! Que interessante!! Vamos ver do que és capaz! - exclamou Leopoldo. - Espera por mim, meu rival! - Leopoldo correu atrás de Asta, animado.
- Os homens são realmente idiotas, não são, irmã? - perguntou Sol, sorridente.
- Realmente... - concordou Charlotte.
- Ai, maldito Leo... - suspirou Fuegoleon, a olhar por onde Leopoldo correu. - Ainda é uma criança... Mais tarde terei de treiná-lo mais arduamente de novo. Eu sei que deve ser incômodo terem de ouvir as minhas ordens, mas... Ouçam!! Membros da Ordem de Cavaleiros!!
- Eu e o Leo vamos atrás dos membros dos Touros Negros e depois vamos ao setor norte! - exclamou ele, em cima de um leão de fogo. - Conto com vocês dos Águias de Prata para cuidar do setor central, onde a mana do inimigo está mais concentrada!
- ... Certo... - respondeu Nozel, em cima de uma águia de água, feito por Solid, ao lado de Nebra.
- Vocês, da Rosa Azul, cuidem do leste! - mandou Fuegoleon.
- Preferia não receber ordens de um homem, mas... Parece que não tem jeito! - concordou Charlotte, em cima do monstro de terra de Sol.
- Vocês do Alvorecer Dourado vão separar-se em dois grupos e vão em direção ao setor noroeste e oeste!!
- Nós vamos proteger o povo da Capital Real! - exclamou Alecdora, em cima da arca de vento de Yuno. Mimosa ia com eles.
- Vamos para o exercício pós almoço. Hohoho! - disse Hamon, na carruagem de aço de Klaus.
- Se não conseguirmos proteger a Capital Real, seremos a vergonha do exército de Magos!! Não deixem o inimigo fugir de jeito nenhum!! - gritou Fuegoleon, com um olhar determinado.
- Sim! - todos exclamaram e partiram em suas direções através da janela.
- Nham... - um barulho ouviu-se dentro da sala, no meio de todo o silêncio. Uma menina baixinha saiu de debaixo da mesa. - Eu consegui entrar no Reino Nobre ao seguir a Azuli, a Noelle e o Asta, mas... parece que algo problemático está a acontecer. - Charmy comeu o resto da tarte. - Parece ser a hora da Charmy aparecer! Se eu sair-me bem, poderei comer uma culinária de primeira! - disse Charmy, feliz, com estrelas cintilantes ao seu redor. - Estou a sentir um cheiro delicioso!! - exclamou Charmy, antes de seguir o cheiro. - É melhor abastecer a barriga antes da batalha!
Distrito central...
Dezenas, quase uma centena, perseguiam as pessoas, que tentavam fugir deles.
- Nem pensem que sairão impunes! - um homem exclamou, antes de gritar de dor.
- O que queres?! Eu entrego o que quiserem, mas... Ahhh! - ele gritou de medo pelo zumbi que estava prestes a atacá-lo. Felizmente, o zumbi perdeu a cabeça antes do homem.
Os três irmãos Silva saltaram da águia e pousaram no chão, no meio dos zumbis, confiantes.
Distrito Leste...
Sol atacou dezenas de zumbis, que perseguiam um grupo de pessoas, com os punhos do monstro de terra.
- Tem modos, Sol. - avisou Charlotte, calmamente, após saltar do monstro para o chão.
- Foi mal, irmã! - desculpou-se Sol, com uma mão a esfregar a cabeça e um sorriso no rosto.
- Chama-me Capitã. - disse Charlotte.
Distrito Noroeste...
O mesmo caos prevalecia, igual ao dos outros distritos.
No alto, a arca de vento de Yuno estava parada. Dela, Alecdora saltou e pousou no chão, imediatamente lançando um ataque contra os zumbis.
- Ahhhh! Quem ousa trazer caos ao reino deve perecer ante a minha magia! - exclamou Alecdora, um cavaleiro de areia a aparecer atrás de si, chamando a atenção de alguns zumbis.
No meio de toda a confusão, um homem caiu, tornando-se uma presa fácil para os três zumbis atrás de si.
Em uma arca de vento mais pequena, Yuno atacou os zumbis que cercavam o homem com o corte de lua crescente de vento, deixando-os no chão. Porém, não funcionou como o planeado.
Essas coisas continuam a levantar-se depois de ataques medianos. - pensou ele.
- Então... - Yuno preparou quatro mini tornados perto de si, impressionando os cidadãos.
- Por aqui! Quem estiver ferido, entre no Berço Onírico Curativo de Flores! - exclamou Mimosa, sorridente. Algumas dezenas de pessoas estavam a ser curados num dos três berços de flores, enquanto outros, com feridas menos graves, eram curados diretamente por Mimosa, que utilizava a sua roupa de Princesa de Cura das Flores.
Distrito Oeste...
- Hohoho! Acho melhor queimar umas calorias antes da sobremesa. - disse Hamon, a sobrevoar o distrito na carruagem de aço de Klaus.
Hamon e Shiren saltaram da carruagem, deixando Klaus sozinho.
Todos os que perturbam a paz na Capital... Devem ser eliminados! - pensou Klaus, que saltou da carruagem para proteger os cidadãos.
Distrito Norte...
Um leão de fogo sobrevoou magicamente o distrito e parou sobre ele.
- Eu nunca vi algo assim antes. De qual país é este exército? - questionou Fuegoleon, para ninguém em especial, enquanto olhava para os zumbis no solo... Ou melhor, o lago cheio de redemoinhos que incapacitava os zumbis de escapar e atacar a população. Uma cúpula com redemoinhos protegia o local da entrada de novos invasores ou da saída de água.
- O culpado é deste país! - respondeu uma voz atrás do homem.
- Hã? Noelle?! És a responsável por isto?! - perguntou Fuegoleon, a referir-se à água toda.
- Em parte, sim! Eu e a Azuli estivemos a tentar manter o maior número de zumbis presos e proteger a população, mas... Não tem sido fácil conciliar as duas coisas com a nossa falta de controlo de mana! - Noelle terminou, tímida. Ela estava no topo de um edifício, e ainda mantinha a varinha na mão e o grimório ativado, de modo a manter a cúpula estável.
Fuegoleon gesticulou para que Noelle subisse no Leão de fogo. - Se é difícil prendê-los, o ideal é destruí-los. Eu trato disso. - disse Fuegoleon, a olhar para o que ele calculava serem centenas de zumbis.
- Espera! Eles não podem ser destruídos, eles continuam a mover-se mesmo depois de serem atacados, como se nada lhes afetasse. - avisou Noelle, a impedir que Fuegoleon saltasse do Leão.
- Hmm... Então... A solução é simples. Como eu disse, vou desfazê-los até às cinzas! - exclamou Fuegoleon, entusiasmado, com um punho pra cima.
Será que... Ele ouviu alguma coisa do que eu disse... Ou fui eu que não compreendi...? - pensou Noelle, a olhar confusa para o seu primo.
- Consegues abrir esta cúpula? Ou é obra da outra menina? - perguntou Fuegoleon, ainda a analisar a situação.
- Consigo sim, mas é para quê? A Azuli ainda está lá em baixo à procura de mais zumbis para prender. - Noelle perguntou, antes de fazer qualquer movimento.
- Não te preocupes. Não sinto mana alguma lá em baixo. A Azuli não correrá perigo. Hm... Já agora, também consegues desfazer a água? - perguntou Fuegoleon. Vai dar um trabalhão evaporar toda ela e, para além do mais, vai atrasar o meu ataque. Elas convocaram um mar inteiro, foi? - pensou ele, com uma gota de suor na bochecha.
- Sim, sou capaz de fazer isso. - disse Noelle, com suor a escorrer da bochecha. Eu acho... pelo menos... - pensou ela.
Noelle apontou a varinha para a cúpula e abriu uma brecha.
Muito bem. Agora basta desfazer a água e manter a cúpula estável com a camada de água que a Azuli colocou para os zumbis não fugirem e... - pensou Noelle, concentrada.
- Ótimo trabalho, Noelle! Agora, farei a minha parte! - exclamou Fuegoleon, a mudar de página do grimório.
Fuegoleon saltou além da brecha da cúpula e manteve-se em pé, a sobrevoar toda a água que estava quase a desaparecer totalmente.
Ele está a voar sem um suporte mágico?!! - Noelle estava surpreendida e pasma. Ela nunca havia visto esse tipo de magia. Se bem que, talvez já tenha lido em algum livro quando Naomi procurava saber mais sobre magia e as suas manifestações.
Em outro local, no mesmo distrito...
- Menininha... - o homem dos zumbis falou com uma criança, que estava encostada a uma parede, a tremer de medo. - Tu gostas do Reino Clover? - perguntou ele, com um sorriso sinistro.
- E-Eu gosto muito! Por isso... P-Por favor, pare! - exclamou a menina, com lágrimas a escorrer pelo rosto
O homem abriu um sorriso: Eu... odeio-o muito!! - gritou ele. - Por isso, a cidade, as pessoas e até tu... Serão destruídas por mim!! - gritou ele, maravilhado com esse pensamento.
Os zumbis desmembravam os corpos dos residentes da Capital, muitas mortes eram certas.
- Ahh! - a menina encolhia-se de medo enquanto o homem se aproximava dela, com as mãos esticadas para o pescoço da menina.
Sem fazer barulho quase nenhum, os zumbis, de cada lado, eram decapitados e lançados para longe, para as chamas que voltaram a formar-se com a chegada do homem ao local.
Atravessando o fogo, duas sombras apareceram, e as duas gritaram, ao mesmo tempo.
- Tira as mãos dela!! - gritou Azuli, que chegou a tempo de esfaquear o homem com a sua espada de água, antes que ele apertasse a garganta da menina.
- Nesse caso... Eu vou protegê-los a todos!!! - gritou Asta, com a espada na mão.

